Foi inaugurado, no passado dia 24 março, o pavilhão desportivo do Porto Formoso, uma infraestrutura sediada no recreio da EB/JI Padre Laudalino Câmara Moniz e que vem colmatar uma necessidade há muito reivindicada pela freguesia.

Além de proporcionar melhores condições à prática desportiva na freguesia, o novo pavilhão irá servir também a comunidade em geral, dado que fica ao serviço das diversas associações desportiva, recreativas e culturais da localidade.

“Acho que é justo e só peca por ser tardia a inauguração desta obra. A construção deste espaço vai ao encontro da dinâmica que a freguesia está a ter ao nível desportivo e cultural, onde se destaca a modalidade de ténis de mesa do clube desportivo do Porto Formoso, valorizando ainda a prática desportiva na comunidade escolar”, referiu Alexandre Gaudêncio, presidente da autarquia da Ribeira Grande.

Para Alexandre Gaudêncio, a construção deste pavilhão, que teve um custo de 150 mil euros, irá também beneficiar a própria escola, “que passa a ser a melhor escola desta zona do concelho” bem como pode proporcionar a realização “de vários torneios” e a realização do festival internacional de folclore, caso chova nessa altura.

“Este festival já está a ter uma dimensão bastante grande e fica aqui com este plano b se for preciso utilizar este espaço para o festival internacional que é organizado todos os anos. No fundo, a população em geral pode e deve utilizar este espaço, seja para a igreja também, como para a realização de pequenos convívios para a angariação de fundos. Estas infraestruturas, além de irem ao encontro de necessidades identificadas pela freguesia, são equipamentos que permitem melhorar a qualidade de vida das populações e, desta forma, serem mais-valias para a fixação da população”, acrescentou.

Alexandre Gaudêncio lembrou ainda que este é o terceiro pavilhão que a autarquia inaugura, depois da Lomba da Maia e Fenais da Ajuda.

Também Emanuel Furtado, presidente da Junta de Freguesia de Porto Formoso, destacou que o “pavilhão servirá para as atividades letivas desportivas, desde logo para a disciplina de educação física da escola primária, mas também para o clube desportivo da freguesia, com a modalidade federada do ténis de mesa e, possivelmente, com o futsal, no futuro, bem como para a comunidade em geral, após o período letivo, para a prática desportiva e ou para atividades culturais e recreativas”.

“Finalmente temos pavilhão! Esta é uma aspiração que tem alguns anos e que não resulta de um mero capricho. É porque há condições nesta freguesia, por parte das instituições da nossa terra e de todos os portoformosenses que lhe dão dinamismo, de fazer com que este pavilhão não venha a ser legado ao abandono como outros equipamentos já o foram ou estão atualmente. Tenho a certeza que estará sempre preenchido com diversas atividades”, referiu.

Emanuel Furtado lembrou ainda que este era “um ato de justiça pela aspiração histórica” e “meritório porque todos se empenharam para isso”, e que é, sem dúvida, “uma mais valia que vem melhorar significativamente as condições da prática do desporto na nossa terra, mas servirá também como um incentivo para a criação de novas modalidades, bem como para a melhoria e incremento de atividades culturais e desportivas”.

 

 

No mesmo dia, foi ainda inaugurado, também pelo presidente da Câmara da Ribeira Grande, o Miradouro do Porto Formoso, um novo local de atração turística que fica situado sobre a encosta do porto de pescas e do novo pavilhão desportivo.

Este local foi alvo de uma intervenção de requalificação pela Junta de Freguesia, através de um contrato interadministrativo no valor de 50 mil euros com a Câmara Municipal da Ribeira Grande e pretende ser a primeira fase de uma requalificação integrada da antiga zona do campo de jogos.

“Os recursos não abundam e têm de ser muito bem geridos. E atendendo a isso, e a esta reivindicação da freguesia já muito antiga, quisemos fazer este investimento porque realmente era uma necessidade aqui na freguesia de Porto Formoso”, explicou o presidente da Câmara.

Também Emanuel Furtado acredita que o miradouro vem “introduzir uma valorização acrescida da vista sobre o porto de pescas e sobre toda a baía”, constituindo, por isso, mais um ponto “de atração turística da freguesia”.

Contudo, Emanuel Furtado lembra que o projeto acordado entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, para aquela zona, que espera ser possível concretizar em 2019, contempla ainda “uma zona de lazer com espaços verdes com um circuito de manutenção, e um polidesportivo com piso sintético para a prática de futsal a implementar no campo de futebol de onze que deixou de ter qualquer utilidade desde há alguns anos a esta parte, e que visa agora renascer naquela zona nobre da freguesia”.

“Hoje terminamos esta etapa, outras etapas virão, como o que falta do projeto que já foi referido, mas também a construção dos balneários, sem os quais não poderemos ter torneios federados neste pavilhão. E para isso, novamente a Junta e a Câmara, estou certo, empenhar-se-ão, para que seja uma realidade ainda este ano”, rematou Emanuel Furtado.

 

 

SÉRGIO MONTE, PRESIDENTE DO CLUBE UNIÃO DESPORTIVA DE PORTO FORMOSO
“Estamos a pensar em abrir o futsal já no decorrer da próxima época desportiva”

O que é ser presidente do Clube União Desportiva de Porto Formoso?
Muitas das vezes, é ser pai porque esta é uma freguesia rural onde existem muitos problemas a nível social. E, muito sinceramente, tem sido uma experiência muito enriquecedora neste sentido.

 

Quantos sócios tem o clube?
Tem cerca de 30 sócios.

 

Como é gerir um clube, com um número tão reduzido de sócios. Como se inventa dinheiro para manter o clube?
Neste momento, somos um clube de pequena dimensão. É mais fácil de gerir e a nível financeiro temos o apoio da Direção Regional do Desporto, da Câmara Municipal da Ribeira Grande e da Junta de Freguesia de Porto Formoso. Portanto, anualmente, recebemos uma verba no valor de 12 mil euros, entre estas três entidades públicas e governamentais.

 

Quantas modalidades tem atualmente?
Neste momento, temos duas modalidades: o ténis de mesa, que é uma modalidade federada e temos a pesca desportiva que é uma atividade lúdica do clube. Mas nós entendemos que faz todo o sentido porque Porto Formoso é uma freguesia virada para o mar e tem um grande histórico a nível náutico, e isso faz com que nós tenhamos um núcleo de pesca desportiva aqui em Porto Formoso.

 

Agora com a disponibilização desta infraestrutura, deste pavilhão, a aposta no ténis de mesa vai crescer não?
Exatamente. No ténis de mesa vai melhorar as condições para a prática da modalidade, basta recordar que já fomos campeões a nível regional, no primeiro ano da fundação do clube. E além da modalidade do ténis de mesa temos ainda condições para desenvolver outras modalidades, como o futsal. Aliás, estamos a pensar em abrir o futsal já no decorrer da próxima época desportiva.

 

Além da ambição de criar novas modalidades, proporcionando aos jovens e aos menos jovens a possibilidade da prática desportiva, qual é o seu maior sonho?
Neste momento, o nosso maior sonho, uma vez que já temos o pavilhão, é ter uma sede própria. Uma sede própria para o clube, neste momento da fase do clube, faz todo o sentido.

 

 

DAVID MENDONÇA, COORDENADOR TÉCNICO E VOGAL DA DIREÇÃO DO CLUBE UNIÃO DESPORTIVA DE PORTO FORMOSO
“Agora já podemos dizer que Porto Formoso tem condições para começar a evoluir”

Como coordenador técnico vai ser aquele que, diretamente, vai beneficiar das novas condições.
Sim, exatamente. Agora sim já podemos dizer que Porto Formoso tem condições para começar a evoluir nessa questão, no que oriento, que é o ténis de mesa, e como já foi dito, para possivelmente abrir outras modalidades. Agora temos condições de espaço para desenvolver outras modalidades desportivas.

 

Quantos jovens, ou menos jovens, tem a trabalhar consigo?
Neste momento, temos 30, todos de Porto Formoso.

 

Este pavilhão vem criar novas perspetivas.
Vem criar novos objetivos, evidentemente, objetivos esses que agora, por termos melhores condições de trabalho, iremos começar a pensar noutros voos. São objetivos traçados para a próxima época.

 

Neste momento, o Clube União Desportiva de Porto Formoso está em que escalões e em que campeonatos?
Tem vários escalões, desde os iniciados que é até aos 9 anos de idade, os infantis com crianças entre os 10 e 11 anos, os cadetes entre os 12 e os 14 anos, os juniores entre os 15 e os 17, e os seniores, a partir dos 18 anos. Temos, neste momento, presente todos os escalões e todos eles estão federados e inscritos na Associação de Ténis de Mesa da ilha de São Miguel. Competem a nível dos quadros oficiais da Associação que, por sua vez, tem angariado vários títulos a nível local, o que têm dado a possibilidade de disputar também os regionais e têm mesmo conseguido lugares no pódio. A nível nacional também têm tido participações, em provas abertas e em alguns campeonatos nacionais. Recentemente tivemos cinco atletas que participaram no campeonato nacional de seniores. Obviamente que a experiência no Continente é completamente diferente da que temos cá, tem uma rodagem diferente, são muitos clubes, e o facto de residirmos numa ilha dificulta melhorar a nossa experiência a nível nacional. Para estarmos no nacional implica muito dinheiro e a parte financeira pesa. Somos uma associação sem fins lucrativos e só com subsídios das entidades públicas é que conseguimos ir mais além.

 

Estamos no final da época, perspetiva-se já a próxima, irá continuar a coordenar?
Sim, mas envolve uma equipa técnica vasta, além da minha parte. Ajudo na coordenação mas há mais treinadores associados, temos mais quatro treinadores, dois monitores e ainda este ano vamos formar mais três treinadores de nível 1. Vão frequentar o curso que implica dois meses de formação, uma época de estágio que será no próprio clube, e, se concluírem o curso, então, ficamos com mais três treinadores formados.

 

Dado que em Porto Formoso realiza-se, por exemplo, o grande festival de folclore internacional, agora que têm condições técnicas de infraestruturas, não vai sugerir, a quem de direito, a realização de um torneio anual nacional ou internacional para que possam vir até Porto Formoso atletas de outro nível, para desenvolver mais a modalidade?
Seria uma coisa boa conseguir realizar isso na freguesia. Mas, no entanto, a organização desse tipo de eventos compete à Associação de Ténis de Mesa da ilha de São Miguel. Eles é que reúnem as condições para que esse tipo de eventos aconteça. É aliciante, mas o pavilhão, para um evento desse calibre, não tem as medidas necessárias para organizar um evento dessa dimensão.

 

É, então, um pavilhão que fica aquém?
É um pavilhão que consegue servir a freguesia, para desenvolvermos modalidades na freguesia mas para eventos desse calibre não tem condições. Mas espero que no futuro traga muitos frutos para a freguesia e que a malta jovem, agora com infraestruturas à mão de semear, que se interessem cada vez mais pela modalidade, neste caso, o ténis de mesa, e outras modalidades, o desporto em geral. E que os próprios adultos da freguesia que também tenham consciência que é necessário dar o seu contributo voluntário aqui na freguesia para que se consiga orientar jovens. Sem o contributo de todos não se consegue evoluir uma freguesia.

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