O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) foi o primeiro hospital em Portugal a implantar um dispositivo médico, que promete revolucionar a personalização da terapia de estimulação cerebral profunda (DBS) nas doenças do movimento, como o Parkinson e a epilepsia. A primeira intervenção realizou-se no passado dia 6 de abril, na semana em que se assinalou o Dia Mundial da Doença de Parkinson, que foi comemorado no dia 11 do corrente mês.

 

 

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) é, assim, o terceiro hospital no mundo a implantar este dispositivo. Até ao momento, foi apenas implantado no Hospital Universitário de Würzburg, na Alemanha, e no Hospital Universitário Grenoble Alpes, em França. A tecnologia está ainda a ser avaliada pela Food and Drug Administration (FDA), para ser lançada nos EUA, o que significa que a Europa foi pioneira na utilização deste mecanismo inovador.

Rui Vaz, neurocirurgião responsável por este procedimento, explicou que “este novo sistema de elétrodo direcional, que surge para dar resposta às necessidades dos médicos e doentes, permite melhorar a deteção de potenciais campos locais, enquanto oferece uma estimulação direcional, fornecendo dados individualizados e específicos sobre o doente. Desta forma, e juntamente com as funcionalidades de programação adicionais de que o dispositivo dispõe, é possível realizar um tratamento personalizado e mais centrado no doente”.

O desafio da estimulação cerebral profunda prende-se com o fornecimento de estimulação numa região muito pequena do cérebro, apenas nos momentos, nos quais, os sintomas variáveis requerem tratamento. O uso deste dispositivo, compatível com determinados neuroestimuladores, resultará em melhorias significativas na administração precisa de estimulação, na simplificação do procedimento cirúrgico e na recolha de dados para uma programação mais eficiente e informada.

Depois da doença de Alzheimer, o Parkinson é a doença neurodegenerativa mais comum, afetando cerca de 20 mil portugueses, e resulta da redução dos níveis de dopamina, uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos, sendo quatro os sintomas que se destacam: lentidão de movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura.

“É com grande expectativa que o CHSJ introduz, em Portugal, uma inovação tecnológica que vai acrescentar qualidade de vida a muitas pessoas, que vivem com doenças do movimento e epilepsia, sobretudo num ano como este, tão desafiante para os hospitais portugueses, devido à sobrecarga que pandemia da Covid-19 acabou por trazer a todos os serviços”, reforçou Rui Vaz.

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