A Medieval de Rio Tinto regressou entre os passados dias 18 e 21 de setembro à Quinta das Freiras. Organizada pela Junta de Freguesia, com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar e de inúmeros patrocinadores, a 14ª edição deste evento proporcionou uma viagem no tempo, com recriações históricas, espetáculos, tabernas e mercados, que deliciaram, ao longo de quatro dias, dezenas de milhares de pessoas.
A Quinta das Freiras voltou a acolher, entre os passados dias 18 e 21 de setembro, mais uma edição da Medieval de Rio Tinto. Promovido pela Junta de Freguesia, com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar e de inúmeros patrocinadores, o certame teve como tema a lenda da freguesia e permitiu uma viagem através da história e da identidade desta localidade, segundo a qual, no longínquo ano de 920 terá ocorrido, neste território, uma batalha entre o Rei Cristão Ordonho II e o Califa Mouro Abd al Rahamn III que, segundo a memória do povo, foi travada nas margens de um límpido ribeiro, mas, de tão sangrenta que terá sido, tingiu de sangue as cristalinas águas, o que terá levado o povoado a denominar-se Rio Tinto.
Por conseguinte, aquando da abertura deste evento, os visitantes tiveram a oportunidade de assistir à investidura real, mais concretamente à coração de D. Jorge de Gonçalves e D. Ania dos Santos, que venceram o casting lançado pela Junta de Freguesia de Rio Tinto e assumiram o papel de monarcas da 14ª edição do certame. “Ao voltarmos a escolher, pelo quarto ano consecutivo, dois reis entre os riotintenses foi uma aposta ganha e demonstra a dinâmica da medieval. Os reis dizem que é uma das melhores experiências da vida deles e que é fantástico”, ressaltou Nuno Fonseca, presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA.
Deste modo, durante quatro dias, os visitantes recuaram no tempo até à Idade Média, por altura da batalha que deu o nome a esta localidade, através de recriações, do cortejo real, arraiais, rondas militares e rixas, assim como de mais de cem espetáculos, protagonizados por Alanos, Os Fredos, Al Raqs, Tosta Mista – o Malabarista, Malatitsch, Homens de Armas, Bailias do Tempo, Academia em Movimento, Zukra, demonstrações equestres, fazenda dos animais, fantoches, espetáculos de fogo, charneca, fantoches, whorkshops, festividades para petizes, torneios a cavalo e História Viva, com a interpretação de “Mafalda, Princesa de Portugal, Rainha de Castela, Rainha Santa em Rio Tinto”, que traduziram a lenda desta localidade, em vários momentos históricos. “Nós apostamos muito na animação, porque não queremos uma feira grande em dimensão, mas em qualidade. Este ano tivemos muitas novidades ao nível da organização, principalmente daquelas coisas que os convidados e os participantes não veem, mas que para nós, que trabalhamos na organização, acreditem que quando tudo está bem e as pessoas não veem nada, significa que está muita gente por trás e muita coisa a funcionar, para que as pessoas que nos visitam se sintam bem aqui”, destacou o edil riotintense.
Paralelamente, os participantes também se deliciaram no mercado, onde estiveram presentes cerca de cem tabernas de comes e bebes e de artesanato. “Nós tentamos ter aqui alguma diversidade e um equilíbrio entre os bens que estão a ser vendidos, para também criar aqui algum tipo de negócio importante para os comerciantes. É de ressaltar a qualidade das pessoas que estiveram aqui a vender, porque nós aceitamos pessoas que tragam alguma mais-valia para o evento, quer nos produtos que vendem, quer nas tendas que trazem ou na forma como se apresentam”, evidenciou o autarca, sublinhando que “esta festa é um evento para nós nos divertirmos, comermos e vermos grandes espetáculos, muita animação e artesanato”.
Admitindo estar com um sentimento de nostalgia por ser a sua última Medieval, Nuno Fonseca afirmou que “será sempre uma Medieval para recordar. Para mim, tem a particularidade de ser a minha última, enquanto presidente de Junta, mas espero que continuem a gostar de Rio Tinto, continuem a gostar da Medieval e que nos visitem”.
Neste seguimento, também Luís Filipe Araújo, presidente da Câmara Municipal de Gondomar, fez questão de salientar, em exclusivo ao AUDIÊNCIA, que “esta iniciativa cresceu muito, mas, sobretudo, cresceu bem. É uma iniciativa que foi aumentando a sua dimensão, mas foi aumentando de forma sustentada e sempre subindo a qualidade. Com efeito, a Câmara Municipal de Gondomar não pode ficar alheia a esta realidade. Esta iniciativa merece ser ainda mais acarinhada pela autarquia, porque é uma marca, sobretudo, de Rio Tinto, mas também é uma marca do concelho de Gondomar, para que ela possa crescer e manter esta qualidade excecional que tem tido”.
Assegurando que a Medieval “ultrapassa as fronteiras da cidade de Rio Tinto”, o edil ressaltou que “neste momento, o desafio é ter oferta suficiente para a procura, que é enorme. Esta iniciativa tem também um papel fundamental no que diz respeito ao nosso sentimento identitário, à nossa ligação a esta terra, que é Rio Tinto, e isso sobretudo nos dias que vivemos é cada vez mais importante, que consigamos estabelecer laços com a nossa comunidade local”.


