112, NÚMERO DE EMERGÊNCIA; CINEMA

Foram 112 as salas de cinema que fecharam a sua atividade no ano passado, e há neste momento capitais de distrito sem uma única sala de exibição…. Nunca tantas pessoas viram cinema como hoje…, mas nunca tão poucos espectadores nas salas tradicionais, o fenómeno se deve às plataformas de exibição, as streamings/(transmissão contínua, digital feita por plataformas que oferecem serviços de exibição)

O cinema é uma potência económica, festivais, ciclos, espetáculos musicais com projeção simultânea, encontros de cinema, mostras de cinema outros eventos vinculados ao cinema, demonstram a sua vitalidade, sem falar das festas dos Óscar, Bafta e César na França nem dos festivais mais mediáticos de Veneza e Cannes.

O cinema como espetáculo assistido está em regressão, é um fenómeno mundial, ao qual parece difícil escapar. O governo português já está a tentar medidas ao respeito, através de subsídios e apoios comparticipados com as câmaras municipais, e outros.

No entanto o cinema resiste, duas notícias que vale a pena destacar;

1.- “Dois meses de trabalho de padre e filho: a odisseia de (re)instalar o primeiro projetor de 70 mm em Madrid. David Pereira (pai) e David Pereira (filho) são os responsáveis de trasladar e ajustar o aparelho nos Mk2, no cinema Paz/Madrid, que se inaugurou com a versão íntegra de ‘Kill Bill: the Whole Bloody Affair’ de Quentin Tarantino”. (*)

2.-‘Winnipeg, o navio da esperança’: a história real e animada do exílio espanhol realizado por Beñat Beitia e Elio Quiroga com a participação da RTVE, estreia nas salas a 5 de junho. Conta a história do cargueiro francês, fretado pelo poeta Pablo Neruda, que transportou mais de 2.200 pessoas para o Chile. Em 1939, o navio mercante francês Winnipeg, que mal tinha capacidade para 100 oficiais e tripulantes, acabou por transportar mais de 2.200 pessoas que procuravam refúgio no Chile. Uma viagem em busca da liberdade que é retratada em Winnipeg, o navio da esperança, o filme de animação, baseado na novela gráfica de Laura Martel, conta com a participação da RTVE na produção. (**)

(**) ‘Winnipeg, el barco de la esperanza’: la historia real y animada del exilio español

Enquanto houver cinema poderemos sempre revisitar e reinterpretar a nossa história!

(*) Dos meses de trabajo entre padre e hijo: la odisea de instalar el primer proyector de 70 mm en Madrid

Cinema e teatro

“O cinema representa o primeiro intento, desde o começo da nossa civilização individualista moderna, de produzir arte para um público de massas. Como é sabido, os câmbios na estrutura do público teatral e leitor, unidos ao início do século passado com a ascensão do teatro de bulevar e os romances/novelas de cordel, constituíram o verdadeiro começo da democratização da arte, que alcança o seu momento mais alto na assistência em massa aos cinemas.

“O socialista Jean Jaurès definiu o cinema, quando este ainda estava a dar os seus primeiros passos, como “o teatro do proletariado”. Com isso queria dizer que o cinematógrafo cumpriria a função de culturizar e socializar a classe operária do mesmo modo que o teatro o havia feito antes com a aristocracia e a burguesia. O cinema nasceu como uma forma mais de entretenimento popular: a influência nas primeiras películas do vaudeville, do circo, das figuras de cera ou da banda desenhada, formas de expressão consideradas vulgares e de feira” … (***)

(***)33 BERTOLT BRECHT EN EL MERCADO DONDE SE COMPRAN LAS MENTIRAS Àngel Ferrero Cine Y Teatro El Socialista Jean Jaurès Definió E – DocsLib

As ligações das primeiras fitas argumentais nutriram-se da sua relação com o teatro tanto nas temáticas como nas formas de expressão dos actores que transferiram para o cinema um estilo de representação carregado de gestos e atitudes desmesuráveis, aquilo que hoje poderíamos qualificar de over-acting (representação exagerada)

Teatro Nacional São João – Livro de Salvador Santos

Assistimos ao lançamento do II volume do livro de Salvador Santos, Os Meus Queridos Actores: no TNSJ. “Neste segundo tomo, reúne mais um conjunto de biografias amorosas de atores e atrizes que o marcaram, depositários das suas afinidades eletivas. Definindo-se como “fazedor de teatro”, Salvador Santos treinou a mão em quase todos os domínios da criação teatral, em mais de cinquenta anos de trabalho. De ator a contrarregra, de ponto a diretor de cena e gestor, o seu trajeto também se fez na produção de festivais (citem-se as três edições do PoNTI no TNSJ), espetáculos de ópera, televisão e exposições de artes plásticas. Deixou a sua marca em dois Teatros Nacionais e em diversas companhias e grupos de teatro, mantendo-se ativo na área da gestão e produção cultural”. (informação do TNSJ)

Este novo volume dedicado à memória da sua esposa Elisabete Leite, que foi costureira e mestra de guarda-roupa do Teatro Nacional D. Maria II e do TNSJ, é um acto de amor e fidelidade para todos àqueles que o acompanharam no exercício do teatro, e com aqueles que aprendeu a respirar o “sopro” do actor; o âmago da representação. Esperamos pelo Volumem III!