CTT NA MADEIRA: UM SERVIÇO QUE FALHA, UMA RESPONSABILIDADE QUE NINGUÉM ASSUME, CLIENTES QUE DESESPERAM MAIS DE UM MÊS

“Em que estás a pensar?” Pergunta o Facebook.

          Hoje, a resposta é simples e directa: estou a pensar no estado vergonhoso do serviço dos CTT na Madeira.

          Não se trata de um desabafo isolado nem de um caso pontual. Trata-se de uma realidade que muitos utentes conhecem bem e sofrem em silêncio: atrasos constantes, distribuição irregular e um serviço que, pura e simplesmente, não cumpre aquilo que promete, nem aquilo que cobra.

          Uma carta enviada do continente no final de Fevereiro chegar apenas a 23 de Março, não é um atraso aceitável. É uma falha grave. Mais grave ainda quando se torna rotina. Quando os jornais chegam de 30 em 30 dias, se chegarem e quando uma simples carta enviada dentro do próprio Funchal demora semanas a percorrer poucos quilómetros, percebemos que o problema não é ocasional. É estrutural.

          Convém deixar algo claro: a culpa não é dos carteiros. Esses, muitas vezes, fazem o que podem com os meios escassos que têm. São o rosto visível de um sistema que falha por cima, não por baixo. O problema está na gestão, nas decisões, na falta de investimento e, acima de tudo, na ausência de responsabilidade muitos doutores e engenheiro, pouco obreiros.

          Fala-se frequentemente em falta de pessoal. Será esse o único problema? Ou será também falta de vontade em contratar, organizar e garantir um serviço minimamente eficiente? A verdade é que, enquanto os utentes continuam a pagar por um serviço que não recebem, há uma estrutura administrativa que parece alheada da realidade, confortável nos seus cargos e nos seus salários.

          A ironia é inevitável: no tempo do Faroeste, a mala-posta seguia a cavalo e, ainda assim, havia uma expectativa de cumprimento. Hoje, com toda a tecnologia disponível, com aviões, sistemas logísticos e meios modernos, o correio parece andar para trás. Em alguns casos, apetece dizer que a pé ou a nado, seria mais rápido.

          Este não é apenas um problema de eficiência. É uma questão de respeito. Respeito pelos cidadãos, pelas empresas, pelos idosos que esperam correspondência importante, pelos leitores que dependem dos seus jornais, por todos aqueles que confiam, ou tentam confiar num serviço que deveria ser básico e garantido.

          Os CTT têm uma responsabilidade pública que não pode ser ignorada. Não basta existir; é preciso funcionar. E, neste momento, na Madeira, está longe disso, quantos, quando recebem facturas para pagar, o prazo já terminou, quem paga as coimas?

          É tempo de exigir respostas. É tempo de exigir mudanças. Porque o que está em causa não é apenas o atraso de cartas  é a credibilidade de um serviço essencial que está, aos olhos de muitos, completamente desacreditado mas acima de tudo o honradez de milhares de cidadãos, que não vêem a sua credibilidade posta em causa por não honrarem a tempo os seus compromissos.

          No meio disto tudo, onde andam os políticos, sim aqueles que nós elegemos, confiando neles para resolverem problemas estruturais e não o fazem. Onde estão os funcionários dos Correios do Centro de distribuição do Funchal para atenderem as chamadas telefónicas.

          Onde andam todos aqueles que nos batem á porta durante algumas semanas em tempo de eleições, mas depois ao longo do mandato assobiam para o ar?

José Maria Ramada

Carteira de Colaborador jornalista Nº CO – 1297