Milhares de pessoas assistiram e participaram nas solenidades do Senhor Santo Cristo dos Terceiros que se realizaram no dia 10 de março, com a celebração de uma eucaristia seguida de procissão pelas principais artérias da cidade da Ribeira Grande.

A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande promoveu a celebração dos Terceiros, que se realiza tradicionalmente no I Domingo da Quaresma, no atual Museu Vivo do Franciscanismo.

Na sequência do pedido de concessão para ocupação do antigo convento onde se localiza atualmente o Centro de Saúde da Ribeira Grande, em 1839, a Santa Casa ficou como proprietária do mesmo, havendo uma troca com a Igreja da Misericórdia. Atualmente é o Museu Vivo do Franciscanismo, gerido pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, através de um protocolo temporal assinado com a Mesa Administrativa da Santa Casa.

De acordo com o vice-provedor da instituição, desde o início do século XX, dando continuidade à tradição, que “a Misericórdia da Ribeira Grande ficou encarregue de promover esta festividade que tinha uma tradição muito forte”. António Pedro Costa explica que “estas procissões penitenciais são promovidas desde tempos imemoriais, desde que os franciscanos vieram para a ilha de São Miguel”.

O antigo presidente do município esclarece que “Madre Teresa da Anunciada vinha aqui rezar perante a imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros. Foi daqui que ela levou esta devoção e por isso mesmo é uma das tradições mais antigas”, perdurando no tempo.

Esta procissão, que abre a época Quaresmal na Ribeira Grande, é marcada por uma “grande mobilização de várias pessoas que se reúnem para a promover”. O vice-provedor lamenta que “cada vez mais a tradição se extinga”, admitindo a “dificuldade para arranjar pessoas para os andores”, tendo em conta que saem 12 para a rua. No entanto, dois não saíram por não estarem “devidamente restaurados”. Segundo António Pedro Costa, a solução deste ano foi “convidar os romeiros da nossa ouvidoria para se poder transportar os andores”. No entanto, adverso a todas as dificuldades encontradas, “felizmente tudo isto se conjuga para que esta procissão tenha o esplendor que tem hoje”.

Por sua vez, Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, mostra-se feliz por ver que a tradição continua, chamando a atenção “quer dos locais, quer das pessoas que estão cá de visita” não só por ser “uma das mais antigas do país”, mas também “pelo tema em si, os santos de vestir”. Ainda que seja uma organização da Santa Casa, “a autarquia também colabora logisticamente”, sendo esta procissão “uma forma de mostrar aquilo que fazemos de diferente na Ribeira Grande em relação aos outros”.

Gisela Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia da Conceição, freguesia onde se localiza o Museu Vivo da Franciscanismo, afirma que é “uma grande honra receber as pessoas nesta freguesia para assistir a esta bonita festa”, elogiando a união dos habitantes da Conceição, que vivem esta época “de uma forma muito intensa”, fazendo também parte da procissão, sendo esta a afirmação “da forma como vivem este dia e esta procissão”.

Da mesma forma, António Pedro Costa reconhece o trabalho daqueles que se disponibilizam “para vestir as imagens”, mostrando-se satisfeito com aqueles que, “graças a Deus”, ainda “têm fé no Senhor Santo Cristo dos Terceiros e vêm cá ajudar”.

Desta feita, a eucaristia contou com a presença do Vigário Geral da Diocese de Angra, o Pe. Hélder Mendes, o Pe. Vítor Medeiros, Ouvidor da Ribeira Grande, o Pe. Roberto Cabral e o Pe. Manuel Galvão, sendo que o coro litúrgico foi constituído pelo grupo coral da ouvidoria.

Este ano a procissão incorporou a Banda Triunfo, bem como a Filarmónica Voz do Progresso, ambas da Ribeira Grande. As solenidades contaram também com a presença de Rui Bettencourt, Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas, Andreia Cardoso, Secretária Regional da Solidariedade Social e João Bosco Mota Amaral, antigo presidente do Governo Regional. Na procissão participaram ainda representantes da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Ribeira Grande, escuteiros, confrarias, romeiros, estudantes da Universidade dos Açores e da Escola Secundária Gaspar Frutuoso.

Neste ano, “os encapuzados” integraram o cortejo pela primeira vez em mais de 50 anos, sendo esta uma recriação histórica de um ritual que terminou nos finais do século XIX, uma prática que se manteve em atividade nas procissões de penitência franciscana em São Miguel.

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