Mário Silva Carvalho nasceu em 1948, na Mealhada. É licenciado em História pela Universidade de Coimbra e dedicou-se à escrita apenas depois de se reformar, apesar de que escrever era um sonho de juventude. As temáticas, no entanto, estão sempre ligadas à sua área de estudos. Mário Silva Carvalho inspira-se em acontecimentos reais e cria uma ficção envolvente. “O regresso a Quionga” conta a história de Antónia, que parte para a Guiné, em 1972, para cumprir o serviço militar. Com ele leva um conjunto de documentos que retrata a vida dos seus antecessores. O livro relata 150 anos da história do Império Português através das gerações anteriores a António: o seu trisavô viveu a Guerra Civil Portuguesa, o bisavô trabalhou na construção das primeiras linhas ferroviárias de Portugal, o avô partiu para Moçambique em busca de uma vida melhor e o seu pai cujo percurso ficou marcado pelo romance proibido com uma jovem alemã durante o período das guerras mundiais.

A obra chegou recentemente à editora Saída de Emergência, mas já ganhou o Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa 2018, atribuído pela Câmara Municipal de Sintra. Mário Silva Carvalho coleciona, no entanto, muitos outros prémios, mas o sonho é ter saúde para continuar a escrever. O autor está já com outra obra em mãos, que retrata a época da revolução republicana de 1910.

 

 

Em que momento da sua vida decidiu dedicar-se à escrita e porquê?

No momento da minha reforma. Tive uma carreira longa e muito intensa. O gosto de ler e escrever, um velho sonho que vem da juventude, encontrou na escrita o elixir certo para manter a imaginação a cavalgar.

 

É licenciado em História pela Universidade de Coimbra e escreve romances históricos. Como faz esta união entre realidade e ficção?

O curso de história ofereceu as ferramentas de abordagem cuidada dos acontecimentos tratados nos meus livros; respeitando factos, cenário político, figuras envolvidas, datas. A ficção livre, sempre que possível, serviu de elo de ligação da teia que ajudou a construir o caminho do enredo que os livros desenvolvem.

 

O seu livro “O Regresso a Quionga” chegou agora ao Grupo Saída de Emergência. O que podem os leitores esperar desta obra que faz parte da coleção “A História de Portugal em Romances”?

O livro é uma viagem de várias gerações, vidas longas e outras cerceadas quando a seiva da juventude ainda fervilhava. A grande andada tem início nos anos trinta do século XIX e termina, melhor, chega aos nossos dias. Cruzando mares e continentes, vidas, guerras. Testemunha, entre outas encruzilhadas, os derradeiros cento e cinquenta anos do Império Português.

 

Tem várias obras premiadas. A obra “O Regresso a Quionga” recebeu o Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa 2018, atribuído pela Câmara Municipal de Sintra. Como se sente de cada vez que recebe uma distinção? Orgulhoso, com sentimento de dever cumprido, com maior sentido de responsabilidade, ou um pouco de tudo?

Escrever, ter o prazer de transferir para o teclado e depois para o papel o que, durantes meses, me cercou a imaginação; fruto de leituras, buscas em bibliotecas, consultas de documentos é um bem que me bastava. O prazer da escrita é a maior dádiva! Os prémios, o reconhecimento da obra, o orgulho pela sua publicação, servem de “suplemento gostoso”.  Cada livro é uma semente germinada a partir de mim com muito trabalho.

 

Quais são as suas maiores fontes de inspiração para as personagens dos seus livros?

A História de Portugal! Grandezas, traições, tudo começa quase por acaso; um acontecimento, uma personagem que me desperta a atenção. Depois é um desbravar de vidas e feitos, construir um cenário mantendo o respeito pela verdade possível que se consiga apurar. O papel da ficção é fundamental para dar corpo ao romance.

 

Que sonhos ainda lhe faltam concretizar no mundo da literatura?

O maior sonho é continuar a ter saúde e vontade de escrever, em agosto cheguei aos setenta e três anos, quantos companheiros já caíram por terra! Tenho algumas ideias em carteira a que gostava de dar vida.

 

Quais os projetos para o futuro? Tem algum livro em carteira para sair brevemente? Sobre que temas ainda gostava de escrever?

Sim, claro! Vários temas assaltam a minha curiosidade. Neste momento estou a rondar as cento e cinquenta páginas de um novo livro que cruza a revolução republicana de 1910. Tema que já abordei no DIÁRIO DE UM CARBONÁRIO, Prémio João Gaspar Simões 2012, publicado na Saída de Emergência em 2019. As grandezas, misérias, traições, penúria, mesmo fome, da primeira metade do nosso século XX. Por estes dias um outro meu livro: “ROBIM DE CAMPANHÃ Um Patife Sedutor”, também está nas livrarias, ganhou o Prémio Luís Miguel Rocha 2019.

 

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