O inspetor Garrett, personagem criada pela dupla Búfalos Associados, regressa com mais um enigma de dedução lógica. Será que os nossos “detetives” estão à altura do desafio? Veremos…

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        

Prova nº. 5           

“… E Também não é uma Cebola”, de Búfalos Associados

 (Dedicado ao Amigo que nos deixou Pedro Paulo Faria, NOVE / VERBATIM)

O inspetor Garrett não perdia uma oportunidade de conversar com os seus dois amiguinhos Cesário e Eugénio sobre os enigmas de lógica que tanto os entusiasmavam. Os dois jovens, sempre que chegavam da escola e depois de terem resolvido os respetivos trabalhos para casa, corriam a casa do vizinho Garrett para trocar impressões sobre algum tema interessante. E até já tinham conseguido alargar a paixão pelos desafios à inteligência e ao raciocínio, junto do professor de matemática que, na escola, nas aulas e nos intervalos, agora também os acompanhava no entusiasmo. – “Se há coisa que tem de fazer parte de uma completa aprendizagem é a capacidade de pensar.” – dizia com frequência o professor.

Um dia os dois miúdos chegaram radiantes a casa do inspetor Garrett com dois novos desafios que o professor lhes tinha ensinado. Segundo ele eram dois problemas clássicos, já bastante conhecidos dos amantes destas coisas, mas que constituíam um excelente treino para principiantes.

– “Inspetor – principiou o Eugénio – trouxemos uma caixa de fósforos da cozinha. Eu vou colocar 31 fósforos em cima da mesa. Cada um de nós dois vai ter de retirar, alternadamente, fósforos da mesa. Atenção que, de cada vez, só podemos tirar um, dois ou três fósforos. Ganha aquele que tirar o último fósforo (ou dois, ou três, claro). Combinado? Começo eu, inspetor.”

O jogo começou. As regras foram rigorosamente respeitadas e a verdade é que o Eugénio ganhou com toda a facilidade.

– “Muito bem, – disse Garrett – parabéns ao vencedor. Mas desconfio que vocês devem conhecer um truque que faz com que o primeiro a jogar ganhe sempre, não será assim?”

– “Bom, inspetor, então comece agora o senhor. Mas para tornar o jogo ainda mais difícil, vamos usar desta vez 32 fósforos.”

E pela segunda vez o inspetor voltou a perder.

– “Pois, meus amigos, acho que já percebi qual é o truque! Sim senhor, é muito bem visto.”

– “Agora é a vez do meu problema – atacou o Cesário. Em tempos remotos, numa ilha distante lá no Pacífico, viviam três tribos de indígenas muito especiais. Uma delas, era a dos VERK que diziam sempre a verdade, outra a dos FALK que mentiam sempre, e ainda a dos ALTERN que depois de dizerem uma frase verdadeira, a seguinte era sempre falsa e vice-versa.

Uma vez, um estrangeiro deparou-se com três desses indígenas reunidos e, sabendo que era um de cada uma das tribos, perguntou-lhes de que tribo eram. O primeiro respondeu: “Eu sou FALK”. O segundo disse: “Eu sou ALTERN”. O terceiro nem falou, porque o estrangeiro nem precisou de o ouvir porque já os tinha identificado a todos.

E vendo ainda outro grupo de três indígenas com as mesmas características do anterior, ou seja, um de cada tribo, fez a mesma pergunta, tendo obtido como respostas: o quarto disse “Eu sou ALTERN”. O mesmo disse o quinto: “Eu sou ALTERN”. E o sexto: “O quarto, que falou antes do anterior, é ALTERN”. Pergunta-se: como é que o estrangeiro conseguiu apenas por estas respostas identificar qual a tribo de cada um dos seis indígenas?”

– “Meus amigos, vou ter que pensar um pouco, mas estou certo de que vou encontrar a solução.” – respondeu Garrett. – “Mas hoje ainda vou deixar-vos outro tipo de enigma. Trata-se de descobrir quais são os pontos que estão errados, ou que serão de todo impossíveis numa determinada afirmação ou relato. Por vezes é necessária uma investigação que pode incluir consultas na internet. Muitos problemas policiais precisam disto para se encontrar a solução, mas não são aqueles que eu mais aprecio. Chamo a estes problemas “de caça à mentira”. E vou dar-vos um exemplo aparentemente simples. O vosso professor de História já vos falou da viagem de circum-navegação ocorrida no século XVI e que tornou célebre o navegador português Fernão de Magalhães?”

– “Sim, inspetor. Acabámos mesmo de abordar o assunto nas aulas e até se falou da atual celeuma entre Portugal e Espanha sobre qual teria sido o país com importância mais determinante nessa espantosa viagem.”

– “Ora ainda bem. Desculpem a piada, mas quem sabe se não foi um navegador português do século XVI que, nas suas viagens, encontrou essa estranha ilha do Oceano Pacífico dos VERK e dos FALK de que fala o vosso enigma? Mas imaginem agora que encontravam num jornal a seguinte frase:

“No dia 6 de Outubro de 1582, regressava ao porto de Lisboa, comandada por Fernão de Magalhães, a frota de cinco embarcações que daí partira alguns anos antes para a maravilhosa viagem de circum-navegação que honrou o nome de Portugal, e que tinha tido como principal objetivo provar que a terra era redonda.”

Ora esta pequena afirmação contém, na sua aparente simplicidade várias mentiras. Os meus amigos agora vão para vossa casa e dou-vos 24 horas para descobrir quantas e quais são as falsidades. Amanhã todos nós temos de apresentar as nossas soluções para os problemas que hoje aqui levantámos, vocês e eu. De acordo? Então até amanhã, meus amigos. Bom trabalho e bom descanso.”

DESAFIO AO LEITOR

Quer o leitor juntar-se a esta tertúlia do inspetor Garrett e resolver os desafios aqui propostos e provar mais uma vez que a lógica não é uma batata… E TAMBÉM NÃO É UMA CEBOLA?… Para o efeito, deve enviar a sua proposta de solução até ao próximo dia 30 de outubro, juntamente com a pontuação atribuída à prova nº. 4, de A. Raposo, através dos seguintes meios:

– por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;

– por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.

E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado).

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