«Os congressos clandestinos tinham uma certa exigência, a começar pelas questões sanitárias, evitar o vírus da PIDE era uma coisa de alto risco», assim nos recorda Domingos Abrantes histórico dirigente do Partido Comunista Português.

Nos tempos de hoje e sempre que o PCP se disponibiliza para demonstrar que Portugal quer continuar a estar vivo, uma parte do País irritada insurge-se, exigindo que o Partido se confine, deixe de existir e se submeta a outras vontades.

«Ironicamente  e desta vez, nunca tantos portugueses se preocuparam tanto com a saúde dos comunistas», o que pensando bem não é de somenos importância se nos lembrarmos que o PCP foi o único Partido a lutar organizadamente contra o fascismo, que contribuiu decisivamente para o 25 de Abril, que no pós Revolução desmascarou as políticas de direita levadas a cabo por gente auto intitulada de esquerda e que hoje em dia continua a lutar por uma sociedade mais justa, fraterna, solidária  e um País economicamente desenvolvido.

Esquecendo ou fazendo-se esquecidos, alguns vociferaram contra a organização do XXI Congresso e da Festa do Ávante, as comemorações do 25 de Abril e 1º de Maio, mas não se pronunciaram ou pronunciam sobre iniciativas de carácter religioso e lúdico em que sobressaiem clamorosas falhas de medidas sanitárias preconizadas pela DGS.

Sendo o PCP um Partido fundador da democracia portuguesa, é forçoso ouvir os dirigentes comunistas explicarem aos portugueses por que é que viabilizaram o Orçamento de Estado para 2021, qual a razão pela qual continuam a lutar por uma Política Patriótica e de Esquerda indispensável para suprir as falhas socialmente injustas da nossa sociedade e da nossa economia, da necessidade de mais apoio ao Serviço Nacional de Saúde, à Escola Pública, à Segurança Social, aos Transportes e à Habitação condigna para todos, tudo para bem do povo e do País numa demonstração inequívoca de funcionamento da democracia e de que é nos momentos difíceis presentes que não devemos recuar.

Os três dias do Congresso constituiram o  culminar de um processo de discussão interna que contou com 1700 reuniões e 18 mil participantes e na  abertura, o secretário-geral do PCP sublinhou que isto é «prova de responsabilidade» do Partido e demonstrará que «a realização de actividades é compatível com a prevenção da saúde».

Esta actividade, ao longo dos últimos meses, desenvolvida no cumprimento das exigências sanitárias, não é «uma questão menor» quando se assiste à tentativa de colocar ao mesmo nível «direitos políticos e cívicos fundamentais» com outros «momentaneamente limitados», por parte de «representantes das forças da regressão, do retrocesso e do autoritarismo direitistas», afirmou o líder comunista.

Ficou ainda o alerta de que «os precedentes pelo mundo fora são usados para dificultar o protesto e proibir a luta social e laboral, para limitar liberdades e direitos cívicos e minar a democracia, sabemos como tudo começa, mas não sabemos como acaba e muitas vezes acaba mal para direitos e interesses dos povos e tantas vezes para a democracia e a liberdade; o capitalismo não é o sistema terminal da história da Humanidade, a construção de uma nova sociedade liberta de todas as formas de exploração e opressão é uma exigência da actualidade e do futuro».

O líder comunista, agora reeleito, fez também críticas à União Europeia, que continua a determinar as suas políticas pelos «interesses do grande capital» e não pelos «direitos e anseios dos povos»; por outro lado, a saída do Reino Unido é um exemplo que «faz cair por terra as teorias da irreversibilidade» deste processo de integração.

Relativamente à situação nacional, o Secretário-Geral do PCP considerou que no plano social esta se «deteriora de forma alarmante» e que os grandes problemas «não encontraram a resposta que se impunha» nas opções políticas dos governos anteriores.

«As causas da crise cíclica desencadeada em 2007/2008 permaneceram e a epidemia de Covid-19 só veio revelar e tornar mais nítidos, neste ano de 2020, os nossos estrangulamentos, défices e dependências estruturais».

O aumento da «exploração e do empobrecimento», com a imposição e subsistência de um modelo de baixos salários, reformas e pensões  e uma crescente «precarização das relações laborais» e manutenção de elevados níveis de desemprego, traduz-se em «profundas injustiças sociais», em que «os lucros e privilégios de uns poucos» contrastam com o aumento da pobreza.

O líder comunista chamou ainda a atenção para a tentativa de aproveitamento do descontentamento quer pelo PSD e CDS-PP quer pelos seus «sucedâneos» da Iniciativa Liberal e do Chega, que, «cavalgando a situação de crise» e falta de resposta aos problemas por parte do Governo, visam relançar a sua política de «assalto aos direitos».

«O PCP enfrentou a ofensiva reaccionária e anticomunista mais forte desde o 25 de Abril» e Jerónimo de Sousa não tem dúvidas que o partido resistiu «como nenhum outro teria conseguido».

«Lidamos com uma conjuntura complexa e difícil, num quadro e num contexto político de incerteza e insegurança, de exercício do medo, em que as forças mais retrógradas não se limitam a espalhar o medo de morrer, mas a tentar transformá-lo em medo de viver, de trabalhar e lutar», alertou o Secretário-Geral, sublinhando que «os comunistas têm a tarefa de resgatar a esperança», num futuro melhor para os trabalhadores e o povo português.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com