O Grande Auditório do Fórum Maia recebeu a cerimónia da Associação de Futebol do Porto, relativa à entrega das placas e diplomas relativos ao processo de certificação dos clubes. Marcaram presença António Silva Tiago, presidente da CM Maia, José Manuel Neves, presidente da AFP, Vítor Dias, diretor Regional do Norte do IPDJ, Júlio Vieira, diretor da FPF, e Fernando Gomes, presidente da FPF. A Associação entregou a distinção a 137 entidades formadoras, que representavam 120 clubes do Norte.

 

 

No dia 19 de fevereiro, a Associação de Futebol do Porto (AFP) realizou, no Grande Auditório do Fórum Maia, a entrega das placas e diplomas relativos ao processo de certificação dos clubes. A abertura da cerimónia contou com um momento musical protagonizado por um Ensemble Instrumental da Banda Marcial de Gueifães.

O processo de certificação da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) teve início em janeiro de 2015 e tem como objetivo avaliar, conhecer e certificar a atividade de todas as entidades que disponibilizam formação nas modalidades de futebol e futsal a jovens praticantes até aos 19 anos e, dessa forma, contribuir para a elevação dos padrões de qualidade do processo de formação dos praticantes em Portugal. No dia 19 de fevereiro, a Associação de Futebol do Porto entregou os diplomas e as placas a 137 entidades desportivas, que correspondiam a 120 clubes.

Presentes na cerimónia estiveram António Silva Tiago, presidente da Câmara Municipal da Maia, José Manuel Neves, presidente da Associação de Futebol do Porto, Vítor Dias, diretor Regional do Norte do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), Júlio Vieira, diretor da Federação Portuguesa de Futebol e Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Além disso, marcaram ainda presença dezenas de dirigentes de clubes e representantes dos municípios que compõem o distrito do Porto.

José Manuel Neves, presidente da Associação de Futebol do Porto, foi o primeiro a dirigir-se à enorme plateia. Após a felicitação ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol pelo título de bicampeão europeu de futsal, e das habituais saudações e cumprimentos, José Manuel Neves afirmou que “somos hoje uma potência no futebol e no futsal”. O líder da Associação de Futebol do Porto garantiu que a prova do eco desportivo que o país, cada vez mais, tem é “a qualidade de trabalho que é desenvolvido por técnicos, cada vez mais qualificados, bem como o investimento de clubes no processo de certificação das entidades formadoras”.

Os maiores agradecimentos foram para as Câmaras Municipais. José Manuel Neves agradeceu o esforço, a dedicação e o apoio aos filiados. “Sem vós, não existe desporto. Sem vós, devido a esta pandemia, muitos dos nossos clubes estariam mortos nesta altura”, disse. Também Vítor Dias salientou a importância dos municípios na formação desportiva dos jovens. “Sem municípios, dificilmente haveria desporto, sobretudo desporto de base em Portugal. Eu quero aqui, em nome do Instituto Português do Desporto e da Juventude, agradecer muito o vosso trabalho, empenho e apoio para que o desporto, em particular nos últimos dois anos, se tenha conseguido manter e que se tenha conseguido não descurar a formação dos atletas”, afirmou o diretor o IPDJ. O presidente da Federação, Fernando Gomes, seguiu a mesma linha de pensamento: “sem o trabalho das autarquias e o apoio que estas dão ao disponibilizarem as instalações desportivas, ao comparticiparem nas inscrições dos atletas, ao promover e facilitar os transportes dos atletas para as competições, sem esse apoio, dificilmente teríamos o desenvolvimento desportivo que temos em Portugal”.

A certificação é importante para os clubes. Segundo o presidente da AFP, “certificação significa conhecimento, segurança, confiança, credibilidade, mas sobretudo, qualidade”. Mais do que isso, José Manuel Neves acredita que é um trabalho para o futuro e que só assim se constrói o sucesso. “Quem não cuidar do futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier”, foram as palavras usadas pelo responsável da Associação.

O presidente da Associação de Futebol do Porto chamou ainda a atenção para um fundo que a FPF acabou de criar, o “Crescer 24”. Este fundo visao aumento de participantes, a aposta no feminino, o melhoramento das infraestruturas, a qualificação de recursos e o digital”, explicou José Manuel Neves, que ainda aproveitou para lembrar que “é fulcral a aposta no futebol feminino. Apenas 6% dos atletas federados são mulheres, num país em que 52% da população é feminina”.

António Silva Tiago, presidente da Câmara Municipal da Maia, começou por dizer: “Sejam hoje e sempre muito bem-vindos à Maia, à cidade do Desporto”. O autarca salientou o carinho que a Maia tem pelo desporto, nomeadamente pelo futebol e o futsal, e assinalou-o como promotor de formação, saúde, bem-estar físico e emocional. “Há muito que investimos na promoção da prática desportiva como alavanca do desenvolvimento. Disponibilizamos infraestruturas de excelência, espalhadas por todo o nosso território, e apoiamos com substanciais recursos financeiros e humanos o meritório trabalho desenvolvido pelas nossas associações e clubes, com particular ênfase nos escalões de formação”, explicou António Silva Tiago.

O edil lembrou que foi, em tempos, atleta, e ainda hoje recorda esses dias e as pessoas que deles fizeram parte com muito carinho. Ao lembrar isto, aproveitou para felicitar os dirigentes pelo trabalho que têm e, principalmente, pelo que abdicam para se dedicarem aos outros. “Sei bem os desafios que representa, para cada um de vós, escolher dedicar o vosso tempo e a vossa energia em prol de uma causa social, quando o mais confortável seria fazê-lo apenas para cada um, ou no seio da vossa família. Valorizo muito aqueles cujo o empenho e dedicação a causas do bem comum proporcionam aos outros momentos de crescimento pessoal, de desenvolvimento desportivo, de desenvolvimento de competências comportamentais que permitem aprender os valores da competição”, explicou.

O presidente da Câmara Municipal da Maia também não esqueceu de enaltecer a conquista da FPF e dos seus atletas, no futsal. Mas foi para a Associação de Futebol do Porto que foram largos elogios ao seu trabalho e, principalmente, à proximidade da associação com os seus clubes. “Partilho dos quatro pilares que a AFP definiu como desígnio para o futuro: simplicidade, proximidade, dedicação e justiça. Comungo desses ideais e assumo o compromisso da CM Maia continuar ao lado da AFP na persecução desse caminho”, disse António Silva Tiago, em jeito de pacto.

Foi após a intervenção de António Silva Tiago que o mesmo deu uma lembrança a Fernando Gomes, presidente da FPF, e a José Manuel Neves, presidente da AFP. O autarca da Maia entregou-lhes uma peça, feita pelo arquiteto Siza Vieira, aquando dos 500 anos do Foral da Maia, que tem as quatro letras do nome da cidade.

No discurso de Vítor Dias, o diretor regional do IPDJ também salientou a importância da formação, no desporto e na vida. “O mundo do desporto em geral, e do futebol em particular, é um mundo de oportunidades, hoje, mas é também, seguramente, um mundo de responsabilidades, e tudo começa, de facto, aqui, na formação. É na formação, na base, onde se transmitem valores, princípios, que perdurarão para toda a vida”, concluiu. Mas de quem é esta responsabilidade? “Este é um ecossistema de responsabilidades partilhadas”, assumiu Vítor Dias, onde salientou a importância da Federação, da Associação, dos municípios, dos clubes e dos seus dirigentes e treinadores.

Quanto ao papel do Instituto Português do Desporto e da Juventude, Vítor Dias garantiu que pode parecer pouco, mas que todos os dias tentam ajudar, com melhoria nas instalações, com apoio financeiro, e, principalmente, dando oportunidade aos jovens de experimentarem diferentes modalidades. Ainda assim, e no sentido da partilha de responsabilidades que o próprio referiu, Vítor Dias dirigiu-se à Federação e à Associação de Futebol do Porto e disse: “estamos à vossa disposição para continuar este caminho, este trabalho, para que consigamos, todos, honrar o desporto português”.

Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, começou por dar nota da evolução que o processo de certificação teve nos últimos três anos, baseando-se no aumento do número de entidades a alcançar a conquista do mesmo. “Há cerca de três anos, a AFP certificou 31 entidades, no ano seguinte, 68, e hoje estamos aqui a celebrar a certificação de 137 entidades formadoras. Significa que na época 20/21 foram mais 69 entidades que viram coroado de êxito todo o seu trabalho e dedicação a este processo”, esclareceu. Além destes, o presidente da FPF deu ainda uma palavra às equipas que tentaram, mas não conseguiram alcançar a certificação. Tivemos cerca de 175 entidades que vieram ao processo de certificação, alguns não conseguiram, mas uma palavra de incentivo para que durante a época de 21/22 possam desenvolver tudo o que estiver ao vosso alcance”, disse Fernando Gomes.

O presidente da FPF lembrou que é graças ao trabalho feito na base desportiva, que é possível, hoje, contar com o talento que se tem visto a representar as nossas seleções. Os jovens de hoje, serão os talentos de amanhã.

Mas Fernando Gomes aproveitou o momento para deixar o repto no ar, dirigido, essencialmente, ao IPDJ, dividido em duas premissas. A primeira foi para que os clubes que alcancem o processo de certificação sejam, de alguma forma, compensados, uma vez que este processo “é fundamental na afirmação da qualidade, do desenvolvimento e da formação do futebol em Portugal, portanto, algum esquema de apoio, porque isto envolve alguns custos adicionais relativamente aquilo que os clubes têm”. A segunda premissa é relativa à qualidade e quantidade de equipamentos disponíveis para a prática das modalidades. “Era importante que houvesse um alargamento dos equipamentos desportivos disponíveis para os clubes desenvolverem a sua atividade, porque não é possível, de nenhuma forma aumentar a qualidade e quantidade de atletas, sem que efetivamente existam instalações desportivas adequadas.”, disse Fernando Gomes.

O presidente da Federação terminou em forma de agradecimento a todos os envolvidos neste processo: “O meu muito obrigada pelo vosso entusiasmo, pela vossa dedicação, porque sem isso não seria possível conseguimos os resultados que temos conseguido, que são a base fundamental para o que temos feito no futebol português e pela sua divulgação em todo o mundo”.

 

137 entidades certificadas

No final dos discursos, procedeu-se à entrega dos diplomas e placas de certificação. Foram 137 entidades a receberem a distinção, o que representou 120 clubes, uma vez que alguns deles receberam certificação em mais do que uma modalidade, ou até na mesma modalidade, mas em categorias ou géneros diferentes. A entrega procedeu-se por ordem alfabética do nome dos municípios. Amarante teve cinco entidades certificadas e Baião teve uma, a Associação Desportiva de Baião. Felgueiras recebeu seis certificados de certificação, Gondomar recebeu oito e o município de Lousada levou cinco certificados para casa. Maia, município anfitrião, conquistou 18 distinções, enquanto Marco de Canaveses teve duas. O concelho de Matosinhos arrecadou 19 certificações, Paços de Ferreira levou quatro, Paredes nove e Penafiel conquistou cinco distinções. O município do Porto teve 11 entidades distinguidas, Póvoa de Varzim levou dois certificados para casa e Santo Tirso arrecadou oito. O município da Trofa levou uma distinção para casa, mais propriamente para o Clube Desportivo Trofense, enquanto Valongo conquistou seis processos de certificação. Vila do Conde teve cinco entidades a conseguir a distinção, enquanto Vila Nova de Gaia levou 22 diplomas para casa.

De distinguir o Padroense Futebol Clube, na modalidade de futebol masculino, que foi o único clube distrital a conquistar cinco estrelas. Também com cinco estrelas, foi reconhecido o Futebol Clube do Porto, em futebol masculino, e o Rio Ave Futebol Clube, em futebol masculino e em futebol feminino.