O ano de 2018 será para Teatro de Marionetas do Porto, o ano de revisitar a sua história, a partir da sede, agora alargada, da Rua do Belomonte, onde tudo começou – em Setembro de 1988 – e agora convergem museu e espaço de experimentação. Junto ao pequenino Teatro de Belmonte, surgiu, desde há pouco mais de um ano, o novo lugar do Museu das Marionetas do Porto.

Cabe-me a mim a honra de começar com a minha versão do FAUSTO de Marlowe iniciar o ano de revisitação da história do TMP, que contará com a reposição de 13 criações, num calendário de 77 apresentações e que começa já a 25 de Janeiro.

Fausto (2015), a partir de Christopher Marlowe, foi possível através do lançamento de uma campanha de Crowdfunding (ou financiamento colaborativo é uma forma simples e transparente de angariação de fundos para um projeto através de uma comunidade online que partilha os mesmos interesses) Foi este o ponto de partida para a viagem iniciática de Fausto e das suas aventuras na mágica e nigromancia.

“Alemanha, século XVI. Doutor Fausto, doutor em Teologia, reconhecido acadêmico de Wittenberg (cidade da Alemanha, localizada no estado de Saxônia-Anhalt.), demonstra um sentimento que parece ser uma mescla de frustração, irritação e tédio. Já desvendou tudo que queria sobre religião; agora, passa a lhe interessar o ocultismo. Pede a dois amigos seus, entendidos de artes ocultas, para auxiliá-lo a fazer um pacto com o diabo. Que seja! Seus acertos são com Mefistófeles, enviado de Lúcifer, e o pacto é assinado com seu próprio sangue. Eis o contrato: Fausto cede sua alma ao diabo em troca de riqueza e poder durante 24 anos.”

 

 

Relativamente ao nosso espetáculo: concebido como ponto de partida para uma homenagem ao João Paulo Seara Cardoso, texto que, quase com certeza ele alguma vez ele também ambicionaria realizar, serve de pretexto para falar da condição humana convocando no teatro de Belmonte uma das maiores figuras da literatura universal. Difícil seria resumir 24 anos de vida licenciosa doadas ao sábio Fausto em troca da sua alma…mais próxima de uma dança da morte (género teatral medieval), esta versão de Marlowe abre a porta às inúmeras versões e adaptações para opera, teatro que se seguiram no futuro. Particularmente aqui uma referência ao cinema, por ter sido essa (a versão de F.W. Murnau de 1926) a primeira que me ficou na memória.

Para João Paulo Seara Cardoso (1956-2010, tudo começou na rua de Belmonte, em setembro de 1988, com uma das primeiras criações do Teatro Dom Roberto. (designação popular dada no norte do país aos fantoches/bonecos/títeres/bonifrates). Já passaram três décadas e o TMP estreou perto de meia centena de produções, marcando de uma forma indelével o panorama da arte do Teatro de Formas Animadas (designação contemporânea para todas as formas de representação que incluem máscaras, fantoches, marionetas ou teatro de sombras) no país e “fazendo-o através da estética inconfundível daquele encenador.

Seara Cardoso conciliava, de um modo muito original, a tradição com a inovação formal e a contemporaneidade. O seu trabalho fez escola e tem continuado através da gestão e da direção artística de Isabel Barros, responsável por várias encenações, na última meia dúzia de anos de atividade da companhia.”…

“Achámos que, à imagem do que o João Paulo fez aquando da comemoração dos 20 anos, seria interessante repor vários espetáculos”, explicou ao jornal Público. É uma forma de proporcionar aos públicos mais jovens a fruição de produções que em muitos casos foram vistas pelos pais. “Quem, por exemplo, viu o Óscar em 1993 agora poderá trazer os filhos: é uma situação muito curiosa, que verificamos aqui muitas vezes, esta transmissão de gerações”.

Alguns dos espetáculos serão repostos mantendo a encenação original de Seara Cardoso – como o já referido Óscar, Os 3 Porquinhos, Wonderland e também Frágil, que se encontrava ainda em preparação na altura da morte precoce do encenador, em outubro de 2010. Uma única em 2018 estreia será Quem Sou Eu?, integrando o programa do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP’18), que decorrerá durante esse mês.

Trata-se de uma criação com encenação e figurinos de Isabel Barros, que “vai contar com uma composição de intérpretes de formação mista, associando profissionais do TMP e pessoas sem formação nesse domínio, com mais de 65 anos, o grupo será selecionado junto da população sénior que frequenta os serviços sociais da autarquia na Quinta de Bonjóia, Campanhã, onde o TMP conta com um pólo, espaço de exposições e animação, promovendo visitas guiadas, leituras encenadas, oficinas, etc.

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