ELIMINATÓRIAS COM FORTE PARTICIPAÇÃO DE TODA A ILHA

A edição 2026 do Jovens Talentos na Ribeira Grande concluiu as suas duas eliminatórias, que decorreram nos passados dias 14 e 21 de março, no Teatro Ribeiragrandense. Ao todo, as eliminatórias reuniram 39 dos concorrentes pré‑selecionados, distribuídos pelas categorias de crianças, jovens e adultos, representando vários pontos da ilha de São Miguel.

As tardes foram marcadas por atuações de grande qualidade, diversidade musical e um forte espírito de entrega por parte dos participantes, reforçando o papel do concurso como uma plataforma de valorização artística e de promoção do talento micaelense.

O júri, composto por Aníbal Raposo, Cármen Subica e José A. Garcia, acompanhou ambas as eliminatórias, avaliando cada atuação com profissionalismo, sensibilidade artística e dedicação. No final desta fase, 24 concorrentes foram selecionados para avançar para as semifinais, 12 por cada categoria.

Ao AUDIÊNCIA, Rui Correia, membro da Associação Novo Ser e promotor do evento, admitiu que este ano “foi muito positivo”, principalmente pela abertura a toda a ilha de S. Miguel. “Nos dois primeiros anos, o concurso foi só do concelho da Ribeira Grande, tendo em conta o sucesso que está a ser e algumas pessoas a pedirem para abrir a S. Miguel, felizmente, este ano tivemos Povoação, Furnas, e isso é positivo. E é bom saber que ao fim de três anos os Jovens Talentos é uma marca que apoia e divulga essa juventude. É a sorte de haver ainda pessoas que gostam de música”, afirma.

Embora nesta fase de eliminatórias os concorrentes apresentem as músicas ainda acompanhados por playback, “para ser uma orientação e segurança”, Rui Correia explica que “o objetivo não é o playback em si, mas a capacidade vocal”.

As semifinais estão agora agendadas para os dias 17 e 18 de abril, prometendo duas noites de grande intensidade e novas demonstrações de talento. No primeiro dia, acontece a semifinal dos infantojuvenis, dos 6 aos 15 anos, onde vão atuar 12, e na noite seguinte, aberta aos jovens adultos, vão atuar mais 12. Dessas duas semifinais, apenas passam 6 ou 5 de cada, “dependendo da capacidade deles”, explica o promotor.

“As semifinais já são abertas ao público e há uma preocupação maior com a produção, com ensaios, para que eles se sintam mais à vontade porque muitos deles nunca atuaram num palco e a final dos Jovens Talentos tem sido muito bonita, com muito profissionalismo, banda ao vivo, e é preciso preparar a parte deles. Não os queremos assustar, queremos que seja uma oportunidade para mostrar o que são. E para isso é preciso ter uma equipa por trás que ajude neste passo que é gigante para eles”, acrescenta Rui Correia.

O promotor está convencido que, este ano, a final “será competitiva”. “O ano passado já tivemos uma boa qualidade na final e posso dizer que não fui eu que escolhi, foi o júri, e tivemos dois bons vencedores, o Paulo Pavão e a Matilde, que são vozes magnificas que já estão a dar o passo na música sem ser no concurso. Este ano acredito que vai ser um ano muito competitivo, temos muitas boas vozes e o facto de abrir mais longe à ilha de S. Miguel há muita gente que vai surpreender. Se isso não acontecer tem a ver com os nervos, mas garantidamente que vai ser uma grande final e que vai marcar. Nós produzimos o concurso, mas tudo depende de quem concorre, o espetáculo são eles”.

Na final, a 30 de maio, no Teatro Ribeiragrandense, haverá uma banda ao vivo, como habitualmente, a cargo do diretor musical Pedro Silva, que tem sido presença desde a 1ª edição. Os prémios desta edição, incluem uma viagem à Madeira para duas pessoas, a promoção do single, e também um ano de aulas no conservatório de Ponta Delgada em regime livre. Além disso, haverá ainda alguns vouchers em lojas de roupa parceiros que “acabam por ser um miminho”.

A Associação Novo Ser, que promove o Concurso Jovens Talentos na Ribeira Grande conta com o apoio do parceiro habitual, a Câmara Municipal da Ribeira Grande. “Apesar de ser aberto a São Miguel, não deixam de apoiar porque continua a ser feito cá e mesmo com a nova equipa e o novo presidente foi muito bem aceite o facto de dar continuidade a isto”. Além da autarquia, o evento tem também alguns parceiros pontuais, algumas empresas que ajudam”, pois, para Rui Correia, “este é um evento que precisa destes parceiros”.  “O objetivo aqui não é financeiro, é apoiar a cultura e, neste caso, a música que se faz na ilha de S. Miguel”, acrescenta.

Sob o lema da saúde e bem-estar, a Associação Novo Ser tem, além deste evento, outro para realizar em breve, em parceria com uma associação de doenças raras. “Vamos também, este ano, receber uma associação de doenças raras que vem cá em parceria e estamos a organizar a parte logística. A minha filha tem uma doença rara, e, por isso, fazemos parte dessa associação como sócios, e através de contactos este ano vamos receber a associação para informar as escolas e o público em geral de que doenças são, o que se pode fazer. Neste evento haverá palestras com médicos do continente e de cá, com nutricionistas, e a saúde e bem-estar, que é o lema da nossa associação, estamos abertos a diversos projetos que possam acontecer. Há algum tempo também fizemos uma palestra com a Associação Portuguesa de Reiki Monte Kurama, um grande evento com palestras e workshops. E o objetivo é continuar a apoiar e ser parceiros de outras instituições no âmbito da saúde e bem-estar”, garante Rui Correia.

Além de promotor do concurso Jovens Talentos na Ribeira Grande, Rui Correia é também professor de música, e ao AUDIÊNCIA garante que sempre viveu para a música. “A minha maior ambição é continuar a fazer o que faço. Eu sempre vivi para a música e nunca me esqueço de um pequeno episódio, quando tinha 16/17 anos, e estava a ver um concurso que aconteceu há muitos anos aqui e onde fui concorrer com o meu grupo e um grande nome da música açoriana disse-me que me conhecia de algum lado e isso marcou-me porque sempre lutei pela música. E sei que custa querermos estar na música e não vermos oportunidades. Sou professor na escola e gosto muito do que faço na música e a minha ambição é essa, ensinar música aos jovens”.

Já a nível municipal, Rui Correia garante que, no concelho, “há bons projetos, mas é preciso oportunidades”. “E também sabemos que há projetos que se apresentam e são muito bons e não há público. É preciso educar musicalmente o público. Não sou político, mas acho que a Ribeira Grande, durante os quatro anos que passaram, tem sido uma política que aposta na cultura. No futuro, está a começar bem, felizmente, e esperamos que continue a apostar na cultura, no desporto, na saúde e no bem-estar. E fazer política também é isso, é dar o que faz falta”, conclui.