Um destes dias estava a ver na TVI, o Jornal Nacional com a Sandra Felgueiras, quando me ocorreu o nome da deputada socialista, Dália Miranda…Só passados alguns dias percebi que estava perante alguém que só uma ínfima percentagem dos eleitores gaienses conhece e nem sempre pelas melhores razões. Como sei que é uma devotada apreciadora dos meus textos e por imperativo de sobejas razões do momento político que vivemos vou abordar a sua relevante importância no terramoto partidário que o Partido Socialista em Gaia vive. A sua democrática escolha (há quem afirme ter-se tratado de uma imposição pela forma como o seu nome foi apresentado) por João Paulo Correia para o substituir na Assembleia da República foi a gota de água que fez transbordar o copo da insatisfação entre os militantes em Gaia.
Hoje, o PS Gaia é um deserto de ideias credíveis, onde se trava uma luta terrível de sobrevivência política. João Paulo Correia é um homem só que atrai, apenas, aqueles que em via de naufrágio se tentam agarrar a uma boia de salvação pessoal. A constituição da sua lista para o ato eleitoral interno, que ocorre brevemente, tem sido um pesadelo. Quem ele quer não o querem, quem ele não quer…amam-no! Dizem que está a pagar pelos erros de estratégia que seguiu antes das últimas autárquicas, onde achou ser o único conhecedor da poção mágica que lhe daria a vitória. Dizia ele e muito se deve ter arrependido. Quem lhe podia valer colocou-se à margem e aqueles que nada têm para oferecer e querem salvar a pele, procurando um tacho qualquer, nem que seja na estrutura remunerada do próprio partido, cercam-no.
Perdido e em desespero absoluto mendiga, repito mendiga, por ajuda de quem desprezou ou não deu, sequer, a mínima atenção na elaboração de um projeto coerente para Vila Nova de Gaia.
Dália Miranda é o exemplo das escolhas de que é capaz de concretizar. Seu braço direito tem sobre si uma nuvem escura, só comparável a um dia negro de uma fortíssima intempérie. Talvez sem culpa própria, mas que está arrastada pela lama ninguém duvida. Talvez duvide João Paulo Correia que a não convidou, pelo menos, a suspender os seus atuais mandatos no PS e na Assembleia da República quando, praticamente todos que assistiram ao “exclusivo”, no mínimo têm várias interrogações sobre a sua transparência.
É verdade que tudo o que há de pior acontece ao PS em Gaia. São rumores, detenções, suspeições e a notória estratégia de fuga, em desespero e apegado a medidas populistas, a lembrarem o André Ventura, na sua pior versão, desmoralizam todos aqueles que querem um PS forte e mobilizador. Dizem-me, até, que o pior ainda não chegou. Todos esperam o regresso das autoridades, em força, para desmantelarem o que resta do polvo que se estendeu às diferentes áreas do município. As medidas que o PS tem apresentado não são genuínas, mas areia para os olhos dos gaienses, tentando precaver o que aí poderá vir e mitigar o que já se conhece. São medidas irrealistas e lidas de “cátedra”, sem objetividade, mas tentando enganar para salvar a sua casa em escombros.
Vamos a um caso concreto, dos muitos que poderia citar, e recente: os artesãos no Cais de Gaia.
Uma simples reunião entre o Município e os artesãos e tudo ficou resolvido. Ótimo nada a apontar se não tivesse sido emitido um comunicado por parte dos artesãos em que se agradece o espírito empenhado de Luís Filipe Menezes e da Câmara Municipal no encontrar de uma solução e pasme-se ao ADN (Alternativa Democrática Nacional) e a Rui Sequeira seu Secretário Geral pelo relevante desempenho para obtenção de tão importante solução. Estou perplexo, ou talvez não, o PS e João Paulo Correia, vereador da Câmara Municipal, rasgou as vestes por este assunto e vai a ver-se, na prática, que apenas encenou para a comunicação e redes sociais e nada fez para solucionar o eventual problema entre as partes. Esta demonstração é chocante. Alguém que lidera a oposição, se senta regularmente no mesmo local e espaço da maioria que lidera o município, tem canais privilegiados de contacto, não teve arte e engenho para resolver algo que afinal era fácil de solucionar. O ADN deu uma enormíssima bofetada de luva bem branca em quem parece ou está mesmo fora de contexto. João Paulo Correia não só se faz rodear de quem pouco soma e ainda consegue demonstrar que Gaia é um simples capricho, onde precisa de demonstrar e aparecer, todos os dias, na esperança que José Luís Carneiro ou outro líder nacional que apareça não se esqueça dele.
O “melhor secretário de estado do desporto”, segundo o próprio, não pode correr o risco de passar a cidadão comum e esquecido no meio de mais de trezentos mil ou a trabalhar para a comunidade, em vez de ver os seus vídeos ou fotos nos escaparates.
Eduardo Vítor Rodrigues poderia ser um exemplo, em termos de estratégia, a seguir, mas isso vai contra os seus princípios e por isso, foge dele como o diabo da cruz. Lembro que foi essa estratégia que levou o PS de volta ao poder municipal após 16 anos de revolução e implantação de uma visão diferente que emancipou Gaia e a elevou a um patamar de referência. Parece-me que o mais importante é elevar o pessoal em detrimento do coletivo no pensamento do líder gaiense socialista e isso não agrada, nem de perto, nem de longe, aos que se reveem no PS de Mário Soares o expoente máximo dos socialistas, pós 25 de abril de 1974, em Portugal.
Um ótimo poder municipal constrói-se com uma excelente oposição. Gaia merece isso. Está na hora do PS se concentrar no essencial e ser parte importante do sucesso que os gaienses desejam.


