È precisamente por ser um sistema de regras que nos orienta no uso correto da língua…que o autor, poeta e dramaturgo, Manuel António Pina/MAP, se foi libertando progressivamente na sua obra literária, dela, criando, novas palavras, jogos de palavras, alterações na utilização e trocando às vezes, muitas das vezes, a ordem das letras para originar novas palavras, novos conceitos num jogo sempre criativo e lúdico.
Era com muita expectativa que esperávamos por este espetáculo, Falsas Histór
E podemos dizer que valeu a pena a espera, o resultado é um belíssimo espectáculo
Num cenário no qual ao fundo se abre uma janela para o mundo, o escritor MAP, observa as suas palavras, as suas ideias , os seus jogos transformados em personagens, são as suas figuras literárias, uma espécie de coral em movimento vestido com coloridos fatos às listas, às riscas e de múltiplas cores, que no jogo cinético dos movimentos
Se a gramática não chega…também as palavras, é preciso muito mais, são necessários os silêncios, as pausas, a invisibilidade da respiração e da emoção, e é aí precisamente que entra o teatro, o palco, o público, a comunicação, a magia!
O actor Jorge Mota, com imensa sobriedade, interpreta a Manuel António Pina, e por força da aventura das suas palavras se vê como o Sábio Fechado na sua Biblioteca, obrigado a sair para o mundo, para a vida, sabendo de que: “A vida é estarmos sós/A gente diz que a vida dói, /a vida não dói-/quem dói somos nós”
Depois da aventura da saída belamente representada num caminho labiríntico construído
Um apontamento final sobre o caderno do espetáculo com belos textos que nos aproximam ao autor, todos eles de enorme interesse e valor começando pela nota de apertura de Vítor Hugo Pontes- O Caminho de Casa -, e os textos do encenador João Luís, director
Espetáculo para miúdos e graúd
Todos os atores que se apresentam como: “Nós somos os trampolineiros, falsos fingidores verdadeiros, atores, imitadores, tocadores, dançadores, cantadores, contadores…” são belos intérpretes na cancão, no relato, nos movimentos e interpretação.
Um Pouco de Céu
A Casa da Música no Porto é um dos belos projetos culturais da cidade do Porto, foi pensada para integrar em 2001 Porto Capital da Cultura e inaugurada em 2005. “A arquitetura do edifício foi aclamada internacionalmente. Nicolai Ouroussoff, crítico de arquitetura do New York Times, classificou-o como “o projecto mais atraente que o arquitecto Rem Koolhaas já alguma vez construiu” e como “um edifício cujo ardor intelectual está combinado com a sua beleza sensual”. (Wikipedia).
Consultando a internet no ano passado e por motivo dos 20 anos da sua inauguração, estavam programados 270 concertos de diferente natureza, música clássica,
Lembro, talvez, uma das poucas encenações do poeta e dramaturgo Boris Vian, em Portugal, foi nos anos 70, no TEP/Teatro Experimental do Porto, ainda era eu o director artístico , e foi convidado o actor João Guedes para encenar Os Construtores


