Durante três dias, Vila Nova de Gaia tornou-se o epicentro do movimento lionístico nacional e internacional. As Convenções Lionísticas 2026, realizadas entre 17 e 19 de abril, no Hotel Hilton Porto Gaia, ficaram marcadas pela forte participação, pela inovação tecnológica, pelo reconhecimento institucional e por momentos de profunda emoção, numa edição que muitos classificaram como “histórica” e “a melhor de sempre”.
Vila Nova de Gaia recebeu, entre os dias 17 e 19 de abril, a 57ª Convenção Nacional de Lions Clubes, a 37ª Convenção do Distrito 115 Centro-Norte e do Distrito 115 Centro-Sul, num encontro que elevou o nome do concelho e do movimento lionístico a um novo patamar de reconhecimento nacional e internacional.
Organizadas pelo Lions Clube de Vila Nova de Gaia, as Convenções reuniram dirigentes, associados, LEOs e representantes institucionais de várias regiões do país, incluindo os Açores, num ambiente marcado pela partilha, pela reflexão, pela modernização e pelo reforço dos laços de fraternidade.
Ao longo dos três dias, multiplicaram-se os elogios à organização liderada por Raquel Mota Pinto, presidente do Lions Clube de Vila Nova de Gaia, que não escondeu, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, a emoção perante o impacto alcançado. “O balanço é extremamente positivo e, sem exagero, histórico. Estas Convenções não foram apenas bem organizadas — foram vividas com intensidade, propósito e sentido de pertença”, afirmou.
A dirigente destacou ainda que “houve uma conjugação rara de fatores: uma organização altamente estruturada, uma equipa coesa e comprometida, uma experiência cuidada ao detalhe e, sobretudo, uma energia coletiva que se sentiu desde o primeiro momento”.
Segundo Raquel Mota Pinto, os testemunhos recolhidos ao longo do evento foram particularmente significativos. “Quando companheiros que já participaram em dezenas de convenções, em Portugal e no mundo, afirmam que esta foi a melhor de sempre, isso não é apenas um elogio — é um indicador claro de que foi atingido um novo patamar, ao nível dos melhores eventos internacionais”, sublinhou.
Receção institucional marcou arranque das convenções
O programa iniciou-se, no dia 17 de abril, com a receção oficial da comitiva lionística nos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, pelo presidente da Câmara Municipal gaiense, Luís Filipe Menezes, e pelos vereadores da autarquia, num gesto simbólico que reforçou a ligação entre o movimento Lions e o município. Seguiu-se o Jantar da Amizade, que promoveu o reencontro entre companheiros de diferentes regiões, num ambiente de proximidade e fraternidade.
O dia 18 de abril ficou marcado pela sessão solene de abertura das convenções, que contou com a presença de diversas personalidades do movimento lionístico e representantes institucionais, entre os quais Paulo Ferreira do Amaral, em representação do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Paulo Santos, em representação da Assembleia Municipal, a vereadora Elizabete Silva, representantes da Junta de Freguesia de Santa Marinha, da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia e da ULS Gaia/Espinho.
Na cerimónia, Raquel Mota Pinto, presidente do Lions Clube de Vila Nova de Gaia, destacou o simbolismo do momento vivido em Gaia. “Há encontros que são mais do que momentos. São caminhos que se cruzam com propósito. Hoje, em Vila Nova de Gaia, cidade de pontes, azulejos, de história e de identidade, reunimo-nos num ano especialmente simbólico, em que o Lions Clube de Vila Nova de Gaia completa 50 anos de serviço”, salientou.
A presidente do clube anfitrião reforçou ainda que “não nos reunimos apenas para uma convenção, reunimo-nos porque acreditamos. Acreditamos num serviço que transforma, na união que fortalece e na vontade silenciosa de fazer a diferença na vida dos outros”.
Um dos aspetos mais elogiados das convenções foi a forte aposta na modernização e na participação das novas gerações, através do envolvimento do LEO Clube de Vila Nova de Gaia. A criação de um site dedicado, de uma aplicação móvel e de um sistema de comunicação permanente por SMS permitiu centralizar informação e facilitar toda a logística do evento, numa dimensão tecnológica inédita em Convenções Lionísticas nacionais.
Neste seguimento, Ana Rita Campos, presidente do Distrito Múltiplo LEO, destacou precisamente a importância da ligação entre Leos e Lions. “Falar de LEOs é inevitavelmente falar de Lions. Não somos realidades separadas, mas somos um só”, asseverou, salientando que “os LEOs trazem energia, novas perspetivas e vontade de inovar. Os Lions trazem experiência, estabilidade e visão a longo prazo e é neste equilíbrio entre gerações que este movimento se fortalece”.
Num apelo direto à união do movimento, a presidente do Distrito Múltiplo LEO afiançou que “o futuro do movimento depende da forma como hoje fortalecemos esta relação. O Distrito Múltiplo somos nós, todos. Juntos, servimos por algo maior”.
Ao longo das intervenções, a mensagem dominante foi que o voluntariado precisa de ser cada vez mais estruturado, estratégico e próximo das comunidades.
O Governador do Distrito 115 Centro-Norte, António Fernando Ferreira, destacou que a Convenção representa “um espaço de encontro, de partilha e celebração do trabalho que os clubes desenvolvem em prol das comunidades que servem”, acrescentando que “esta Convenção é também o momento em que escolhemos e elegemos os novos timoneiros do próximo ano lionístico”, acrescentou.
Já Clara Guterres, Governadora do Distrito 115 Centro-Sul, defendeu que “esta convenção será um espaço de reflexão sobre o impacto real que tivemos e de inovação para que os Lions continuem a ser relevantes e atrativos para as novas gerações”.
Por outro lado, Pedro Crisóstomo, candidato empossado diretor internacional, salientou que “somos continuamente desafiados a crescer, a servir com maior impacto e a reforçar a imagem dos Lions como referência de serviço e solidariedade”, frisando que “devemos sempre recordar que o nosso objetivo primordial é servir a comunidade”.
Por sua vez, Joaquim Borralho, past-diretor internacional, deixou uma mensagem profundamente humanista, referindo que “no lionismo predomina o altruísmo. Se todos estivermos ligados com bons pensamentos e ações, alastraremos uma verdadeira epidemia do bem. (…) Os Lions e os LEOs projetam o futuro a pensar nas pessoas”.
Presente na ocasião, Paulo Ferreira do Amaral, representante da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, destacou o papel do Lions Clube de Vila Nova de Gaia e o impacto do movimento na sociedade. “Sob o lema ‘Nós Servimos’, os Lions têm sabido afirmar uma ação consistente, generosa e profundamente comprometida com o bem-estar das comunidades”, revelou, enaltecendo ainda que “as Convenções Lionísticas representam muito mais do que um encontro formal. São um espaço privilegiado de reflexão, de partilha de experiências e de definição de estratégias para o futuro”.
Uma das intervenções mais marcantes foi protagonizada por Lucinda Fonseca, presidente do Conselho Nacional de Governadores, que deixou um forte apelo à modernização do movimento. “O mundo mudou e continuará a mudar e nós, que escolhemos servir, não podemos ser guardiões do imobilismo”, afirmou, defendendo que os Lions devem assumir-se como “construtores de pontes”, apostando “na visão, na inovação e na coragem serena de transformar”.
Lucinda Fonseca apelou ainda à abertura às novas gerações, alertando que “se queremos fortalecer o nosso movimento, então modernizemos com inteligência, com respeito e com propósito”.
Após os momentos protocolares e intervenções, decorreu um dos momentos mais emblemáticos deste evento, o Desfile de Bandeiras pelo Cais de Gaia, símbolo da união e diversidade do movimento.
Durante a tarde, decorreram em simultâneo as Convenções Distritais do Centro-Norte e Centro-Sul, onde foram apresentados, discutidos e votados relatórios, propostas e candidaturas, culminando com a eleição dos novos órgãos e encerramento dos trabalhos distritais. O dia terminou com um Jantar de Gala, na Torre Bella, reforçando o espírito de celebração e fraternidade, que contou com as atuações dos Opera Intermezzo e da ACMA.
Açores marcaram presença ativa
A participação açoriana foi um dos elementos que deu ainda maior dimensão nacional às Convenções Lionísticas 2026 realizadas em Vila Nova de Gaia. Representantes de clubes das ilhas marcaram presença no encontro, reforçando a ligação entre diferentes regiões do país, através do espírito de serviço e solidariedade que caracteriza o movimento Lions.
Entre os participantes esteve Emanuel Cordeiro, natural de Ponta Delgada, da Ilha de São Miguel, e membro do Lions Clube de Vila Nova de Gaia, que destacou a importância da representação açoriana num evento desta dimensão. “Eu sou um vendedor da minha Região Autónoma dos Açores e não podia deixar de estar presente nesta convenção, porque o ano passado, quando foi na Lagoa, na Ilha de São Miguel, verifiquei, de facto, que os Açores também têm muito a dar ao lionismo. Penso que passei a mensagem e fiz com que os Açores estivessem presentes”, afirmou.
O pontadelgadense sublinhou ainda o papel humanista das comunidades insulares e o contributo que podem continuar a dar ao movimento. “A solidariedade entre todos nós, portugueses, torna-se igual, porque há um mundo à nossa espera lá fora que precisa muito do lionismo”, referiu, deixando um apelo à participação de novos membros no arquipélago. “Os açorianos são muito humanistas e são muito amigos do seu próximo. O pertencer, aqui, ao lionismo, é mais uma razão para que possam aderir. Às vezes existe a ideia de que a porta está fechada, mas não, a porta está aberta a todos aqueles que queiram também dar apoio a todos quantos precisam”, destacou.
Também João Silva, presidente do Lions Clube de Vila do Porto, da Ilha de Santa Maria, e nomeado segundo Vice-Governador para o próximo ano lionístico, fez um balanço muito positivo das Convenções realizadas em Gaia. “A Convenção decorreu bastante bem, num ambiente em que há sempre algumas questões que toda a gente gosta de ver esclarecidas e julgo que correu pelo melhor. Não houve grandes celeumas”, salientou.
Para o dirigente açoriano, encontros como este representam igualmente um importante momento de motivação e reforço interno do movimento. “As Convenções acabam por nos dar um novo alento para a continuação do lionismo”, referiu.
João Silva destacou ainda o espírito de união vivido ao longo dos três dias. “No fundo, acabamos por ser uma família de voluntários que presta, através deste movimento, o seu apoio a várias causas sociais”, concluiu.
Almoço Cruzeiro da Fraternidade encerrou as Convenções Lionísticas 2026
O encerramento oficial aconteceu no dia 19 de abril, com um simbólico Almoço Cruzeiro da Fraternidade no Douro, reforçando os laços humanos criados ao longo das convenções.
Foi precisamente nesse espírito de união que aconteceu, segundo Raquel Mota Pinto, um dos momentos mais emocionantes do encontro, o aplauso de pé prestado ao Lions Clube de Vila Nova de Gaia por todos os presentes, que “acabou por simbolizar o reconhecimento coletivo pela excelência organizativa e pela capacidade do clube anfitrião em elevar o nome do lionismo português”.
Para a presidente do Lions Clube de Vila Nova de Gaia, o maior legado destas convenções está na inspiração deixada para o futuro. “Estas convenções não terminaram no dia 19. Deixaram uma referência, criaram memória e elevaram a fasquia para o futuro”, sublinhou, defendendo que “o voluntariado não é um gesto isolado — é uma prática contínua, estruturada e cada vez mais relevante”.
Evidenciando a relevância da dimensão intergeracional, a dirigente do clube anfitrião assegurou que “a renovação do movimento ganha força quando a juventude dos LEO se une à sabedoria e experiência dos Lions mais experientes, criando algo verdadeiramente grandioso”.
Considerando que a escolha de Gaia para a realização do certame teve uma forte carga simbólica, Raquel Mota Pinto referiu que “Vila Nova de Gaia não foi apenas o palco das Convenções — foi parte integrante da identidade destas Convenções”, recordando ainda que este momento coincidiu com três marcos particularmente simbólicos, os 50 anos do Lions Clube de Vila Nova de Gaia, o facto de o governador do Distrito Centro-Norte pertencer ao clube gaiense e o reconhecimento da cidade como Capital Portuguesa do Voluntariado. “Esta tripla celebração criou um contexto único, emocionalmente muito forte, que reforçou o orgulho local e o posicionamento de Gaia como um verdadeiro território de serviço e liderança comunitária”, ressaltou a dirigente.
“Se há algo que estas convenções nos ensinaram, é que o impacto começa sempre numa decisão individual: a decisão de não ficar indiferente”, contou Raquel Mota Pinto, concluindo que “quando existe visão, união e compromisso, é possível não só fazer mais — mas fazer melhor e deixar uma marca no mundo”.


