Da paixão de um homem pelos aviões nasceu um grande festival. Do outro lado, encontrou em Luís Filipe Menezes um aliado entusiasta desde a primeira hora, reconhece Luís Castro.
“A paixão pelos aviões é de sempre”, revelou ao Audiência Luís Castro, organizador do Festival Air Invictus 2026, que decorre este mês em Gaia, Porto, Matosinhos, Maia, mas também em Espinho.
Essa paixão levou-o à Força Aérea e ganhou uma nova dimensão quando Luís Castro, jornalista da RTP e fundador e administrador da empresa ‘Bravimaginação’, que organiza, nos próximos dias 19 a 22 de junho, o ‘Air Invictus 2026’, foi colocado na Base das Lajes. Esta ligação, simultaneamente pessoal e profissional, remonta aos finais dos anos 80 do século passado, quando o futuro jornalista cumpria o serviço militar e passou também a trabalhar na Rádio Lajes, juntando, desta forma, as paixões que ainda hoje o acompanham: a comunicação, a informação e os aviões.
Naqueles anos, já no final da Guerra Fria, Luís Castro deve ter assistido a verdadeiros festivais aéreos nas Lajes. Pela sua localização estratégica, a base era conhecida como um gigantesco porta-aviões estacionado no Atlântico e constituía ponto de passagem obrigatório para alguns dos mais emblemáticos aviões norte-americanos. Por ali passavam gigantes da aviação militar, como o C-5 Galaxy, então o maior avião de transporte militar do mundo, e o C-141 Starlifter, um verdadeiro “autocarro” aéreo que cruzava o oceano diariamente, com escala obrigatória nos Açores.
Também os caças F-15 e F-16 marcavam presença regular. Foi precisamente num F-16 que Luís Castro voou, em 1995, já como jornalista, para realizar uma reportagem para a RTP aquando da entrega destes aviões a Portugal. Entre muitos outros aparelhos, passaram ainda pelas Lajes o bombardeiro invisível B-2 ‘Spirit’ e o caça F-117 ‘Nighthawk’, verdadeiras vedetas do secretismo militar, raramente vistas em público, mas visitantes frequentes da base açoriana.
Décadas depois, Luís Castro continua a alimentar essa mesma paixão e procura agora partilhá-la com as gentes do Norte do país através do Air Invictus 2026, onde Gaia será um dos principais palcos dos voos acrobáticos e exibicionais que irão decorrer ao longo daqueles dias.
Nesse âmbito, o jornalista reconheceu a “forma inexcedível” como a Câmara dirigida por Luís Filipe Menezes apoiou este evento.
Um evento que, segundo Luís Castro, corroborando uma afirmação do ministro da Economia, Castro Almeida, poderá gerar uma receita superior a 100 milhões de euros.
Para o responsável, um estudo solicitado à Faculdade de Economia da Universidade do Porto sustenta essa estimativa. Um valor que resulta da dinâmica da economia local e dos setores diretamente ligados ao turismo.
Luís Castro prevê que cerca de um milhão de espectadores assistam, nos diferentes locais, ao Air Invictus 2026, dos quais aproximadamente 300 mil serão turistas estrangeiros.
As datas do evento antecedem o São João e a previsão dos organizadores é que muitos turistas prolonguem a sua estadia para participarem nas noites mais longas de Gaia e do Porto.
LUZES A RASGAR O CÉU
O rio e as pontes que ligam o Porto a Gaia vão servir de cenário a corridas e acrobacias aéreas. O programa é vasto e inclui uma das suas maiores atrações: o maior show de drones da Europa. “São 3.500 drones numa frente de 250 metros”, revelou Luís Castro, descrevendo um espetáculo que promete iluminar os céus das duas margens.
Do vasto programa do festival fazem parte corridas e acrobacias aéreas, competições de alta performance com a participação de aviões civis e militares, incluindo os caças F-16, bem como espetáculos noturnos. Entre estes destacam-se as exibições dos aviões ‘Aerosparks’, uma combinação impressionante de manobras sincronizadas e efeitos pirotécnicos lançados a partir das asas, riscando o céu com luz e fogo.
Tudo o que é aviação e atividade aeroespacial assentará arraiais nas quatro cidades, com ações paralelas como exposições e sessões de literacia aeronáutica e aeroespacial dedicadas às escolas.
A pegada ecológica é também uma das preocupações dos organizadores. A estratégia de descarbonização está a cargo da empresa do ex-ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, e de Tiago Centeno, a ‘Shiftify’. Esta empresa fará o inventário das emissões, analisando as emissões diretas e indiretas. Feito esse cálculo, serão acionados mecanismos de compensação através de créditos de carbono, a cargo da Navigator, com vista ao financiamento de projetos de reflorestação e de transição energética.
A empresa de Luís Castro levou essa paixão muito a sério. Um dos aparelhos que surge no cartaz promocional do festival é, aliás, propriedade da própria empresa. Trata-se do biplano ‘Andreasson BA-4B’, um modelo clássico fabricado há 60 anos e considerado uma das grandes atrações da aviação vintage mundial. O aparelho serve à organização como suporte visual, mas também como ferramenta para ações de literacia aeronáutica.
A cooperação com a Câmara de Gaia foi sempre destacada por Luís Castro, que confidenciou que, durante a campanha eleitoral, contactou os diversos candidatos à presidência do município para divulgar o evento. Segundo revelou, Luís Filipe Menezes “mostrou-se entusiasmado desde a primeira hora”.


