Entre as margens do Douro vai nascer uma nova ponte para pessoas. Porto e Gaia avançam para a construção de uma travessia exclusivamente pedonal e ciclável. Um investimento de 25 milhões de euros, pago a meias e que promete aproximar as duas cidades, reforçar a mobilidade sustentável e transformar a forma como residentes e visitantes vivem e desfrutam da frente ribeirinha
As margens de Gaia e do Porto vão ter mais um ponto de união. As duas cidades vão ganhar uma nova ponte pedonal e ciclável sobre o rio Douro, numa aposta conjunta na mobilidade suave, na sustentabilidade ambiental e na aproximação entre as duas margens. A futura travessia, destinada exclusivamente a peões e velocípedes, representará um investimento de cerca de 25 milhões de euros e deverá estar concluída até ao final de 2029.
O projeto, que pretende criar uma alternativ confortável, segura e sustentável para a circulação quotidiana entre os dois concelhos, será implantado entre a Ponte Luiz I e a Ponte da Arrábida, cerca de 350 metros a jusante da emblemática travessia desenhada por Théophile Seyrig. O vão livre da estrutura deverá atingir os 250 metros de extensão.
O avanço da obra ganhou forma esta terça-feira com a assinatura, na Casa do Infante, no Porto, de um memorando de entendimento entre as câmaras municipais de Gaia e do Porto, documento que permitirá lançar o concurso para a conceção e construção da nova infraestrutura.
Mais do que uma nova travessia sobre o Douro, o projeto simboliza uma visão comum das duas autarquias para o futuro da região, assente na cooperação institucional, na valorização do espaço público e na promoção de formas de mobilidade menos poluentes e mais compatíveis com os desafios ambientais das cidades contemporâneas.
O concurso público para a elaboração do projeto e posterior construção deverá ser lançado ainda antes do final de 2026. O procedimento decorrerá através de prévia qualificação, permitindo selecionar numa primeira fase os candidatos que demonstrem possuir capacidade técnica e financeira para executar a empreitada, sendo posteriormente convidados a apresentar propostas.
A apresentação contou com o apoio técnico da Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OERN), cujo presidente, Bento Aires, presidirá ao júri do concurso. O responsável explicou que o objetivo passa por garantir que a infraestrutura seja concebida e construída pelos mais qualificados, assegurando elevados padrões de qualidade técnica e arquitetónica.
Durante a cerimónia, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia, Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes, destacaram a importância estratégica da nova ponte para reforçar a ligação entre as duas cidades, melhorar a qualidade de vida dos habitantes e criar novas condições para a fruição das margens do Douro.
Além de facilitar a circulação diária entre os dois concelhos, a nova travessia deverá contribuir para reduzir a pressão pedonal atualmente sentida na Ponte Luiz I, sobretudo perante o crescente fluxo turístico que atravessa diariamente aquela infraestrutura.
PORTUGUESES
Pedro Duarte sublinhou que o projeto representa um benefício evidente para ambas as margens do rio, quer do ponto de vista da mobilidade, quer da dinamização económica, destacando o entendimento alcançado entre os dois municípios para transformar uma antiga ambição numa realidade concreta.
Já Luís Filipe Menezes salientou o enorme potencial resultante da estreita relação entre Porto e Gaia e manifestou a expectativa de que a futura ponte possa afirmar-se como uma obra de referência da engenharia e da arquitetura portuguesas.
Há muito defendida para a frente ribeirinha das duas cidades, a nova travessia procura responder aos desafios de uma mobilidade urbana mais sustentável, incentivando deslocações a pé e de bicicleta, reduzindo a dependência do automóvel e promovendo uma utilização mais equilibrada e humanizada do espaço público.
A assinatura do memorando representa, assim, um novo capítulo na cooperação entre Porto e Gaia, traduzido numa infraestrutura que pretende aproximar pessoas, reforçar a coesão entre as duas margens e contribuir para um desenvolvimento urbano mais sustentável e mais amigo do ambiente.


