MENEZES E DUARTE ENVIAM RECADO A MONTENEGRO

A partir de Gaia e do Porto surgiu um recado inequívoco para Lisboa. Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes uniram-se contra o tabuleiro rodoviário da ponte da alta velocidade e reclamam para as duas cidades os milhões associados à obra. “Aquele dinheirinho é nosso”, atirou Menezes, transformando uma divergência técnica numa exigência política dirigida ao Governo da AD

 

À margem da cerimónia de assinatura do protocolo para a nova ponte pedonal e ciclável entre Gaia e o Porto, os presidentes das duas câmaras deixaram um recado firme ao Governo da AD. A nova travessia da alta velocidade deve servir a ferrovia e não o automóvel.

Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes, autarcas eleitos pela mesma área política que sustenta o executivo de Luís Montenegro, mostraram total sintonia na rejeição do tabuleiro rodoviário previsto na futura ponte sobre o Douro. Ambos consideram a solução tecnicamente desajustada, financeiramente onerosa e incompatível com as prioridades de mobilidade das duas cidades.

 

O NOSSO DINHEIRINHO

A posição mais contundente foi assumida por Luís Filipe Menezes, que recordou o compromisso anteriormente assumido pelas Infraestruturas de Portugal e pelo consórcio construtor de canalizar para Porto e Gaia a verba que deixaria de ser gasta na componente rodoviária. “Aquele dinheirinho é nosso”, afirmou, defendendo que os recursos pertencem aos munícipes e devem financiar projetos considerados prioritários pelas duas autarquias.

Os dois presidentes sustentam a sua oposição com argumentos técnicos. Em Gaia, a ligação do tabuleiro rodoviário à cota alta exigiria investimentos adicionais na ordem dos 50 milhões de euros apenas para assegurar a conexão à VCI, enquanto no Porto obrigaria a intervenções significativas em infraestruturas viárias existentes, com elevados custos financeiros e impacto urbano. Para ambos os autarcas, trata-se de uma solução desproporcionada e sem justificação face às necessidades reais da região.

Com total convergência entre os presidentes das duas margens do Douro, Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes assumem-se como uma frente comum na defesa dos interesses dos seus concelhos, exigindo ao Governo que cumpra a palavra dada e coloque os recursos públicos ao serviço das verdadeiras prioridades da região.