Prometendo contribuir para a mudança com novas ideias e projetos, Bruno Pereira é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Matosinhos. Com a forte convicção de que o concelho tem potencial para ser mais forte, o candidato revelou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, as suas ideias para resolver problemas estruturais como a crise habitacional, a estagnação dos transportes e a falta de infraestruturas nas mais diversas áreas. Traçando um retrato crítico dos últimos oito anos de governação socialista em Matosinhos, o também vereador sem pelouros da autarquia matosinhense afirmou que “Luísa Salgueira acabou por trazer mau nome para Matosinhos”, acusando a atual edil de ser “uma má política”, uma vez que “não sabe executar, não é uma boa autarca”. Num apelo claro à mudança, Bruno Pereira defende uma nova forma de fazer política, mais próxima das pessoas, mais eficaz e livre do comodismo partidário que, diz que, hoje domina Matosinhos, um concelho que, segundo o qual, está refém de um poder instalado há 50 anos
Como se descreve enquanto cidadão?
Sou um cidadão comum, igual a tantos outros. Considero-me um homem de família, um pai, muito presente na vida dos meus filhos. Profissionalmente, sou advogado e, acima de tudo, sou alguém muito interessado, desde muito cedo, na vida cívica, não tanto na vida política ou partidária, mas acima de tudo na intervenção cívica. Tenho em mim uma forte componente de apoio de questões sociais, questões ambientais e, acima de tudo, na área da educação. Defendo muito projetos e processos novos na área da educação, mas acima de tudo sou um cidadão comum, não sou nada diferente dos restantes cidadãos. Sou alguém que se interessa por política local, acima de tudo, e por fazer a sua intervenção cívica.
Como e quando é que ingressou no mundo da política?
Eu ingressei no mundo da política muito jovem. Eu tinha cerca de 16 anos quando percebi que era social-democrata. Não tinha ninguém na política. A minha família nunca esteve filiada, nunca tive ligações político-partidárias, pelo que filiei-me sozinho a encher uma ficha de militante, que enviei para o partido. Depois, aos 18 anos, recebi um cartão a dizer que já era militante em Matosinhos e, como eu digo, não conhecia ninguém, mas acabei por começar a ter uma intervenção política e ir aparecendo. Eu creio que ainda estava na faculdade quando comecei a ter uma intervenção mais presente, ou seja, dentro do partido. Eu nunca tive uma intervenção nas juventudes partidárias, porque não sou um aficionado das juventudes partidárias, muito pelo contrário, até sou bastante contestatário das mesmas, mas sei que aos 22 ou 23 anos, já estava a presidir às comissões políticas do PSD nas freguesias. Logo, fiz esse trabalho nas freguesias e depois também entrei muito cedo para o PSD de Matosinhos, ou seja, para os cargos, uma vez que com cerca de 27 anos já era vice-presidente do PSD e na mesma altura já estava na distrital do PSD, ou seja, eu tenho uma intervenção um bocado fora da caixa. Eu entro sozinho, sem conhecer ninguém e acabo muito jovem por ter uma afirmação dentro da estrutura do PSD de Matosinhos e também na estrutura do PSD distrital. Eu fui autarca também, de freguesia e na Assembleia Municipal e aos 27 ou 28 anos já era líder de bancada. Em 2017, já fui número dois à Câmara, ou seja, desde 2017 que já sou vereador, sem pelouros, na verdade, na autarquia e entrei a primeira vez como autarca em 2009. Como tal, estive sempre dentro do partido e fiz o meu percurso todo dentro do partido.
Mencionou, anteriormente, que aos 16 anos percebeu que era social-democrata. Como chegou a essa conclusão?
Eu acho que tem a ver, sinceramente, com a leitura de alguns livros de política, porque eu gosto bastante de ler. Então, percebi que não era extremamente conservador, percebi que não era de esquerda, percebi que me situava ali no centro, tendencialmente no centro-direita, por isso é que eu digo que é a social-democracia à portuguesa, pois eu sou um social-democrata à portuguesa. Também tenho, em mim, uma forte compreensão do apoio social e das questões ambientais, mas também defendo que a economia deve ser mais de direita do que de esquerda, ou seja, o Estado deverá ter uma intervenção sempre mais reduzida. Portanto, acho que teve a ver com a leitura, pois percebi que aqui, em Portugal, eu, naquilo que idealizava, seria um social-democrata, ou seja, o partido onde eu me revia à data e estamos a falar há 24 anos, era o PSD. Ainda hoje acho que estou no partido correto.
Exerce, como já mencionou, desde 2017, funções como vereador sem pelouro na Câmara Municipal de Matosinhos. De que forma contribuiu para a melhoria da qualidade de vida dos matosinhenses?
Isso é interessante, porque tudo isto é um processo de aprendizagem, mas optei sempre por fazer uma política em que denunciei situações e contestei várias situações, que são mais ou menos públicas, desde a questão da contratação pública às más opções políticas e aí, inclusive, apresentei várias denúncias no Ministério Público, porém na parte positiva, que é aquela que mais me agrada, porque a supervisão do trabalho dos outros, esta gestão e fiscalização tem que ser feita e tem que ser bem feita e muito bem escalpelizada, mas contudo nós se saíssemos ou se terminássemos o mandato só com as questões da fiscalização eu nunca me iria sentir bem comigo mesmo e quem me conhece sabe que nós apresentamos uma panóplia de propostas em todas as áreas. Eu apresentei a redução de impostos, apresentei uma derrama escalonada, apresentei o IMI familiar, apresentei a redução de impostos em determinadas áreas, sem afetar o equilíbrio económico-financeiro da autarquia. Apresentei propostas na área da educação. Apresentei propostas para crianças com necessidades educativas especiais, para crianças com autismo, para crianças com imperatividade, para crianças surdas-mudas, para crianças que necessitam de terapia da fala, ou seja, eu fui verificando onde havia lacunas não só em Matosinhos, como noutros concelhos e fui dando seguimento e criando propostas para as colmatar. Apresentei propostas na área do ambiente. Apresentei propostas para a orla costeira, apresentei propostas na área da economia e da atração de investimento para Matosinhos. Apresentei propostas na área da mobilidade, na abertura de novas estradas. Também fiz um projeto para a expansão do metro para o norte de Matosinhos para Leça da Palmeira e para a abertura de novas ruas, para retirar o trânsito da A28, ou seja, vias municipais impactantes e eixos estruturais municipais que não existem. Apresentei ainda propostas para pequenos túneis subterrâneos, onde o metro está em conflito com a rodovia, acima de tudo nas três grandes rotundas de Matosinhos, especificamente, onde há um conflito rodoviário grande, para retirar a sobrecarga do trânsito que existe. Também, apresentei propostas na área do desporto, como a criação de skateparks de alta competição, para as modalidades deslizantes, seja o BTT, o BMX, o skate, os patins em linha. Apresentei, igualmente, uma panóplia de propostas que contemplam o apoio a cidadãos idosos, desde a comparticipação de medicamentos, a reparação ou requalificação das suas habitações, nomeadamente cozinhas e casas de banho. Por outro lado, também propus a abertura de creches, lares, de centros de dia e de lares para apoio pós-bloco operatório, ou seja, tudo aquilo que eu verifiquei que era possível fazer mais, apresentei, ou seja, tentei elevar a fasquia da oposição, o que não é muito normal porque, de um momento para o outro, estou a contemplar quem está no poder com uma série de ideias muito positivas, ideias muito boas, que depois eles próprios até as podem aproveitar. Mas, era isso que eu queria, eu queria sair de consciência tranquila e dizer que, eu tenho boas ideias e apresentei-as, dentro dos mais diversos temas, nomeadamente, sociais, educativos, de apoio a crianças com necessidades educativas especiais e fiscais. Por exemplo, apresentei uma medida assim um bocado fora da caixa, que era o prolongamento do Campus Universitário da Asprela para Matosinhos. Nós temos hectares disponíveis para isso e apresentei uma proposta nesse sentido, com residências universitárias, serviços académicos, serviços científicos e, numa segunda fase, uma zona letiva, ou seja, fomos apresentando uma panóplia de situações, como na orla costeira e a criação de melhores espaços para a proteção civil, para os nadadores-salvadores e zonas que permitam a entrada para pessoas com mobilidade reduzida para as praias. Neste contexto, também, apresentei um Plano Diretor Municipal para Mobilidade, para pessoas com mobilidade reduzida, assim como propus, e eles aproveitaram, um Plano Diretor Municipal para Iluminação Pública. Ou seja, fui apresentando ideias com muito valor, com muito conteúdo, que se fosse presidente de autarquia, eu implementava e acho que é importante este complemento, porque nem tudo o que é feito em Matosinhos é mau, mas nem tudo o que é feito em Matosinhos é bom e eu defendo muito na política que, aquilo que está bem feito e puder ser melhorado, melhoramos, aquilo que está bem feito deve ser continuado e aquilo que está mal feito tem de ser corrigido. Portanto, se tivermos de ter uma abordagem diferente, teremos. Por exemplo, há muitos anos atrás, com o encerramento da refinaria da Petrogal, propus a criação de uma central de salinização nos terrenos da Petrogal, porque os terrenos foram altamente contaminados e durante este tempo todo em que temos de aguardar este hiato temporal, faz todo sentido aproveitar aqueles terrenos. Também, apresentei uma série de planos na área do ambiente, criação de miniflorestas, parques florestais, parques urbanos, de minijardins espalhados pelo concelho, nas diversas freguesias e, inclusive, um Plano Municipal para a Arborização. Acho que faz todo sentido parar para pensar um bocadinho. A política não pode ser só feita de “tricas e dricas”. A política tem de ser feita de forma construtiva e eu acho que é mais difícil este caminho, mas acho que o eleitor, no final, vai perceber e vai fazer a destrinça entre os diversos candidatos e vai perceber que as ideias e os projetos de uns são melhores do que dos outros e acho que é por este patamar de exigência que eu me quero apresentar, eu quero sempre defender isto.
Quais são as suas maiores motivações?
Eu se tivesse juízo não estava na política. Eu tenho a minha profissão, não dependo da política e não quero fazer vida política em Lisboa. Idealizo fazer vida política local. Tenho dois filhos muito pequenos para criar e o que me traz para a política é fazer algo bem, é fazer algo pela vizinhança, pela minha proximidade, pelo meu concelho, pelo meu país. Embora não tenha o fim de ir para Lisboa ou fazer política de âmbito nacional, tenho a vontade de fazer algo pela comunidade onde eu circulo e gostava, sinceramente, de deixar uma cidade, um concelho, um país melhor para os meus filhos do que aquele que eu estou agora, ou seja, gostava de fazer algo melhor para o futuro, construir uma melhor sociedade. Acima de tudo é isso, o que me move é fazer algo pela comunidade que me rodeia.
O que o motivou a voltar a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos?
Acima de tudo, a vontade de deixar um ambiente político e um concelho e uma interação melhor para as gerações futuras. Ou seja, eu refleti bastante sobre ser recandidato ou não e pensei que os melhores devem estar na política. Nós hoje temos muita gente a ingressar na política e já não são os melhores. Os melhores quadros das diversas áreas profissionais portuguesas ou académicas não estão na política. A política é uma atividade de desgaste, hoje, em que a nossa vida pessoal e privada é completamente analisada de cima a baixo. Mas, eu acho que nós não temos de ter medo. Acho que se formos corretos, se formos honestos, se formos íntegros e quanto mais pessoas, como eu me considero, integrarem a política e participarem na política, acho que podemos voltar a mudar padrões e evitar que os populismos e os extremos de esquerda e os extremos de direita continuem a ganhar força. Acho que é preciso gente íntegra, gente com vontade de fazer, gente com vontade de ajudar, gente que queira deixar um país melhor, um concelho melhor para as gerações futuras e acho que é preciso que os melhores percebam isso, que tenham uma intervenção na política mais longa ou mais curta, mas é importante que as pessoas que têm razão, que são honestas, participem na política para evitar que os populismos ganhem mais força ainda, porque depois os populismos não atraem os melhores, muito pelo contrário, afastam ainda mais a qualidade no candidato a político ou no decisor político e, hoje, verifico que em vários quadrantes, em vários partidos, não temos os melhores quadros. Verifico que quem está na política não é, sem sombra de dúvida, os melhores da sociedade portuguesa, muito pelo contrário. Na política, hoje, atualmente, não estão os nossos melhores quadros e isto é um erro, porque vai implicar uma perda no futuro de Portugal.
Se for eleito, que visão tem para o concelho nos próximos anos?
Se for eleito, os próximos quatro anos são sempre curtos, pois uma visão tem de ser a longo prazo. O que eu idealizo para o concelho de Matosinhos, que é uma terra fantástica, que tem tudo, nomeadamente a proximidade ao Porto, tem um porto de mar, tem um aeroporto, tem uma orla costeira fantástica, tem atividade industrial, tem atividade comercial com bastante dimensão e tem uma população acima de 200 mil. O que eu acho é que dificilmente nós conseguimos fazer projetos a quatro anos, por isso eu tenho rebatido muito esta questão de a minha concorrente é presidente de Câmara há oito anos. Nos primeiros quatro anos nós percebemos que é uma questão de adaptação, de iniciar uma série de procedimentos, sendo certo que já há aqui uma linha de continuidade, porque o Partido Socialista domina Matosinhos já há 50 anos, mas quatro anos é sempre um tempo curto, uma vez que para aplicar determinados projetos estamos a falar de oito ou mais anos. Portanto, eu aqui acho que Matosinhos tem tudo para crescer a nível de qualidade de vida para as famílias, proteção aos cidadãos seniores, que não existe. Temos que também criar condições para que as jovens famílias se integrem em Matosinhos, consigam viver em Matosinhos e que os nossos jovens não saiam do concelho e isto passa por todas as áreas, desde alterações urbanísticas, desde alterar as questões de recolha de resíduos sólidos, desde criar soluções realísticas para os problemas de mobilidade de Matosinhos e, como eu disse, nós temos soluções específicas para retirar trânsito da rotunda AEP, com saídas da A28 para zonas residenciais de Matosinhos, nomeadamente defendo a criação de uma estrada municipal, de um eixo estruturante municipal paralelo ao Hospital Pedro Hispano, defendo a criação de um eixo estruturante municipal para o norte do concelho, ou seja, de Leça da Palmeira até Vila do Conde, até Lavra, que seja paralela à Via Marítima e à A28, assim como defendo a alteração das portagens, porque as que existem, hoje, na A4 em Matosinhos estão ilegais, porque devem estar na fronteira de cada município e não dentro do próprio concelho, pelo que isto era uma forma de aliviar trânsito depois do centro de Matosinhos e melhorar a qualidade de vida. Defendo a expansão de transportes públicos, o aumento da linha ferroviária até ao Porto de Leixões, intercalando-a depois num sistema intermodal com transporte público, inclusive autocarros de longo curso, aliviando um pouco a zona de Campanhã e, depois, defendo a atração de investimento, tal como as alterações nas políticas habitacionais. Matosinhos já teve muito sucesso no que toca às cooperativas, porém não creio que seja possível o mesmo sistema legal de há 30 anos, mas é possível novas formas legais de apostar na habitação a custos controlados e na habitação cooperativa, pois Matosinhos já foi um concelho de sucesso e de créditos firmados a nível nacional e hoje entrou em total descrédito. Nós temos 1850 pedidos de habitação e, até ao momento, em oito anos, como eu lhe dizia, porque em quatro anos nós não podemos cobrar isto, mas eu em oito anos já posso cobrar isto a Luísa Salgueiro. Luísa Salgueiro, até ao presente momento é presidente de Câmara há oito anos e, em 8 anos, ela entregou zero habitações, quer a custos controlados, quer habitações sociais. Isto é importante que seja dito, porque é impensável um privado demorar oito anos a construir uma habitação, mas aqui em Matosinhos aconteceu e isto aconteceu numa altura em que tínhamos um forte apoio do PRR e há aqui uma falha. Como, em oito anos, não é normal que não haja novas políticas de mobilidade. Luísa não criou nenhuma via estruturante nova. O que é que fez? Criou um viaduto sobre a A28, sendo certo que por baixo já existia um túnel. Com isto, fez a requalificação urbanística, é verdade, da área envolvente, mas não diluiu o trânsito, porque já existia um túnel, agora simplesmente passou a ser um viaduto. Nos últimos 20 anos, também não foi construído um único centímetro de metro em Matosinhos e isto representa a perda de peso político de Matosinhos, na Área Metropolitana do Porto, porque a linha expandiu para a Trofa, para a Maia, várias vezes em Gondomar, no Porto e em Gaia e em Matosinhos não e estamos a falar, de grosso modo, de um dos concelhos mais importantes da Área Metropolitana do Porto e do Norte de Portugal. Depois, para a questão da Petrogal, ainda ninguém sabe o que é que vai ser construído naqueles terrenos, ou seja, verifico que não existe um projeto sequer idealizado pelos intervenientes para a Petrogal e isto significa que os decisores políticos, hoje, de Matosinhos são curtos e escalpelizando o seu trabalho dos oito anos, mesmo nas questões de apoio social, nas questões da educação, onde falham redondamente. A única política para a educação de Matosinhos foi requalificar escolas, mas todos os projetos para melhorar o dia a dia dos alunos, para melhorar o dia a dia das famílias, para potenciar aqueles alunos para o futuro, enquanto cidadãos ou enquanto melhores profissionais, não ocorreram. Mesmo criar valências para a formação ou melhorar a qualidade, no âmbito profissional, para os professores ou para o próprio corpo não docente, não aconteceu, ou seja, Matosinhos vive muito do show-off da sua presidente, mas no dia a dia estamos a notar que são falhas graves, mesmo na questão do urbanismo. Em 2019, fizemos a revisão do PDM e eu alertei que é o PDM que era proposto estava errado e partia de premissas erradas, porque o mesmo diminuía o índice de construção em 10 por cento, numa altura em que já temos problemas de falta de habitação. Verifica-se uma redução de 10 por cento, no índice de construção, na capacidade construtiva, em relação ao passado e um aumento exponencial das taxas. O que é que aconteceu? A diminuição da capacidade de construção e o aumento das taxas criou, em Matosinhos, uma especulação imobiliária, ou seja, a própria autarquia ajudou a aumentar o preço final dos imóveis em Matosinhos, porque menos metros quadrados, encarecidos por um aumento das taxas urbanísticas a pagar, aumentam o preço final dos imóveis. Ainda agora tentaram reduzir as taxas, ou apagá-las, porque perdemos competitividade notória para os concelhos vizinhos, Maia, Vila de Conte, Porto e Gaia, pois tornaram-se mais atrativos para os investidores imobiliários, sendo certo que estes ónus são imputados quer ao cidadão particular, quer ao investidor imobiliário, mas a verdade é que o investidor acaba por optar por outros concelhos, o que faz com que os preços em Matosinhos estejam mais altos, por erro de decisão política. Portanto, eu acho que este projeto que eu encabeço não é um projeto a quatro nem a oito anos. Eu não lhe sei dizer se for eleito se faço quatro anos, se sou recandidato ou se faço 12 anos. Faria facilmente dois mandatos, mas não terminaria o terceiro. Contudo, não tenho vontade de fazer 12 anos, enquanto presidente de Câmara, hoje posso lhe afirmar isso, mas tenho vontade de idealizar uma cidade a 20 ou 30 anos, ou seja, tenho vontade de preparar urbanisticamente uma cidade para as próximas décadas, acima de tudo isso. Acho que quatro anos serão sempre curtos. Acho que nos próximos quatro anos, se for eleito, preparo uma cidade para os próximos 10, 15 ou 20 anos e acho que é isto que falta na política em Portugal, que é ter a capacidade de apresentar uma visão política ou de preparar as estruturas políticas, através de decisões e de projetos, para as próximas décadas, porque o que eu vejo hoje é ação-reação. Eu vejo os políticos a darem respostas e a reagirem, consoantes problemas do momento, mas não vejo políticos a pensar a longo prazo, porque a longo prazo não rende votos, pelo que eu acho que nós temos de voltar a essa lógica de preparar Portugal, de preparar os nossos concelhos, numa visão a longo prazo.
Quais diria que são as reais necessidades da população? De que forma pretende colmatá-las?
Matosinhos tem alguns problemas. O primeiro que eu abordo será sempre as questões de mobilidade. Matosinhos não teve novas valências de transportes públicos. O concelho cresceu com as mesmas vias estruturais de há 40 anos, ou seja, as mesmas estradas que alimentavam a indústria conserveira ou alimentavam a população de Matosinhos, passaram a alimentar a grande expansão de Matosinhos e as estradas são as mesmas, ou seja, foi um erro total. As estradas com mais impacto em Matosinhos são a Via Norte, a estrada da Circunvalação, a A28 e a A4, ou seja, são estradas que não são municipais. O que eu defendo é, por exemplo, que a Circunvalação tem de ser requalificada conjuntamente com os outros municípios, para ser uma via, uma boulevard no mesmo estilo que a Avenida da Boa Vista, porque estamos a falar que a Circunvalação hoje tem, que eu saiba, três hospitais, é uma zona com grandes superfícies comerciais, tem zona empresarial e zona de escritórios, mas acima de tudo é uma zona com grande foco habitacional, em toda a linha, ou seja, faz sentido transformá-la já numa boulevard. Faz sentido retirar trânsito da rotunda AEP e para isso temos de fazer saídas de norte para sul, que retirem trânsito da AEP, porque há uma necessidade de ir à AEP para depois entrar em Matosinhos e o que eu defendo é que sejam criadas vias municipais que retirem trânsito da AEP. Depois, a alteração dos pórticos e a expansão do metro, pois faz todo o sentido, quer a linha de São Mamede Infesta, ou seja, a ligação da Senhora da Hora ao Hospital de São João é de todo importante e a ligação, depois, a norte do concelho, porque nós estamos a falar que vai haver, no futuro, uma expansão na zona da Petrogal, quer zona comercial, quer zona habitacional, zona de escritórios, mas também na zona envolvente ao MAR Shopping ou a Exponor, também temos um claro aumento da construção e é por isso que muitas vezes é preciso pensar a cidade a 10 anos. Nós, hoje, não estamos a preparar o concelho para a expansão que vai haver na zona da Exponor, que já está a ocorrer, na zona do MAR Shopping, que também vai ocorrer e não estamos a preparar a dar respostas adequadas para essa expansão, ou seja, quando a mesma estiver construída nós vamos a correr fazer a obra, mas se calhar fazia sentido nós estarmos já agora a idealizar a obra, já agora a preparar as obras para também controlar estes investimentos, ou seja, a mobilidade é um grande foco de problema e mesmo na zona da Via Norte, defendo um aumento de entradas e saídas, porque também é uma zona que vai ter uma expansão muito grande. É uma zona que ainda tem vários hectares industriais, casco histórico que está abandonado e que quando começar a ser requalificado, quer para habitação, quer para indústria, quer para comércio, vai ser uma zona em que vai haver um grande problema de mobilidade, ou seja, faz todo sentido investir na mobilidade, preparar o concelho para o futuro. Depois, temos a questão das políticas de segurança. Ando há cinco ou seis anos a defender a implementação de sistemas de videovigilância. Quando pouca gente no país falava disto, falava Porto e Lisboa, eu já defendia a implementação em Matosinhos. Nós não temos capacidade de dotar sempre de equipamentos ou meios humanos as Polícias Municipais ou a PSP e o sistema de videovigilância já era uma forma de diluir, de proteger e de criar um sentimento de proteção na população. Em Matosinhos ainda não conseguiram dar uma resposta e o sistema ainda não foi implementado. Só pretendem implementar na zona da orla costeira e na zona envolvente do NorteShopping, sendo certo que faz sentido estender a colocação do sistema de vigilância para zonas do centro das freguesias, onde existe comércio, para criar um sentimento de segurança. Faz sentido estender o sistema de videovigilância em toda a orla costeira, porque hoje temos um ajuntamento de carros tuning e descaracterizados na zona em frente à Petrogal, com tudo o que está associado a isso e se calhar ao implementar um sistema de videovigilância naquela zona do concelho, iríamos fazer com que os intervenientes naquele local deixassem de ir para lá e deixassem de incomodar e de fazer tudo aquilo que fazem, que incomoda a população e que volta e meia faz com que a polícia tenha a necessidade de ir lá atuar e, acima de tudo, criava um sentimento de segurança na população. Também acho que outras zonas onde haja comércio, como na zona da Exponor e do MAR Shopping devem ter sistemas de videovigilância, porque o concelho de Matosinhos está servido por diversas autoestradas e sempre que a criminalidade acontece, é por Matosinhos que eles circulam, porque têm várias ligações a autoestradas e a zona costeira, acima de tudo, tem de estar protegida, porque começa a ser notório que uma série de indigentes começam a vir do Porto para as praias de Matosinhos durante o dia, não durante a noite, porque Matosinhos não tem atividade noturna, para a prática de pequeno crime.
Quais são os principais desafios que conta enfrentar?
Primeiro, há umas eleições para ganhar. Tive coragem de fazer face a 50 anos do Partido Socialista. Respeitei sempre os intervenientes, respeitei sempre as ideias dos outros e tentei sempre perceber onde havia erros ou onde podiam ser melhoradas as políticas adotadas em Matosinhos e há muito para melhorar. Matosinhos é um concelho com um potencial imenso e que não está a ser bem explorado, ou seja, existe uma pequenez no pensamento político em Matosinhos, quando Matosinhos devia estar a pensar já em grande, a uma grande escala. Por isso, Matosinhos pode evoluir no apoio às famílias, no apoio às jovens famílias e, acima de tudo, na proteção dos seus cidadãos. Como eu disse que Luísa Salgueiro não construiu uma única estrada em Matosinhos, Luísa Salgueiro também não construiu um único lar, uma única creche, um único jardim de infância e não é normal que, em oito anos, não haja este tipo de construção de infraestruturas e não se verifica em lado nenhum. Mesmo nas políticas desportivas, o que o Matosinhos faz é subsidiar tudo à volta, ou seja, o executivo não trouxe novas práticas para Matosinhos, não ajudou com novas infraestruturas, a única coisa que fez foi distribuir subsídios. Isto é uma forma errada de se estar, ou seja, o subsídio funciona no imediato, é para dar conta da despesa imediata, mas depois esquecem-se do resto e para o futuro? Foram construídos novos edifícios ou novas infraestruturas que permitam uma prática de mais modalidades, que melhorem a vida dos nossos atletas, que melhorem a vida das nossas coletividades? Não e acho que o pensamento político socialista em Matosinhos é curto, é uma visão muito tacanha e fica muito aquém. Conhecendo Luísa Salgueiro politicamente, tinha expectativas muito maiores para o seu mandato e já tive a oportunidade de dizer isto mais do que uma vez. Tinha expectativas que ela tivesse feito mais do que aquilo que tem vindo a fazer. Hoje, faz anúncios por tudo e por nada, mas a verdade é que são coisas muito pequenas, ou seja, não há substância. Matosinhos perdeu quatro anos. Estes quatro anos foram de perda para Matozinhos.
Como vê a evolução e o trabalho desenvolvido pelo atual executivo ao longo dos últimos oito anos?
Tinham todas as condições para fazer mais do que o que fizeram. Acho curto. Acima de tudo, eu tinha expectativas pois tiveram maioria, tiveram uma oposição que fez a fiscalização, que afrontou quando tinha que afrontar, mas também tiveram em mim e noutras forças políticas, não em todas mas em algumas, colaboração no sentido de apresentarem uma série de propostas sobre temas que consideravam que estavam errados ou em falta em Matosinhos. Ou seja, nós apresentámos propostas para suprir os problemas dos matosinhenses, algumas foram adotadas ou não, mas acima de tudo eu fiquei desiludido com o mandato de Luísa, porque o Partido Socialista tinha uma maioria consolidada e não se conseguiram consolidar nem fazer políticas boas para a população. Foram quatro anos perdidos, zero casas atribuídas, temos 1.850 pedidos de habitação social, sobre a habitação a custos controlados não houve um único projeto. Os nossos jovens têm dificuldades em comprar casas em Matosinhos, ou seja, os matosinhenses acabam por sair de Matosinhos. Não houve grandes inovações no que toca a políticas ambientais e continua a haver poluição nos afluentes à costa. A Ribeira da Riguinha continua a poluir a Praia de Matosinhos. A Praia de Matosinhos continua a estar interdita e não há solução para a Praia de Matosinhos. Temos condutas de águas pluviais a ficarem desgastadas pelo passar das décadas e tivemos fortes inundações, inclusive habitações em risco de queda e algumas já em queda, quer aqui em Matosinhos, quer em Leça do Balio e Matosinhos demora a conseguir dar uma resposta. Matosinhos não fez as dúvidas de requalificações, não foram construídas infraestruturas desportivas novas, não foram construídas vias municipais, eixos rodoviários novos e os transportes públicos mantiveram-se os mesmos. Portanto, Matosinhos foram quatro anos de casos e casinhos. Luísa Salgueira acabou por trazer um mau nome para Matosinhos e a verdade é que Matosinhos podia ser muito mais e melhor do que aquilo que aquilo é hoje, nas mais diversas vertentes, mesmo nas questões de recolha de resíduos, pois não houve uma única novidade, que podia ter havido já com a revisão do PDM e a requalificação dos pontos de recolha, continua em falha. Temos o normal, o papel, o vidro e o plástico. Tentou-se fazer a recolha de resíduos orgânicos, mas depois esqueceram-se que é preciso fazer a limpeza regular, muitas vezes diária, dos resíduos orgânicos e não o fazendo, aconteceu uma situação de calamidade de saúde pública, em que começou a haver pragas de insetos e de ratos. Falhou em todas a áreas, mesmo na requalificação de espaços para crianças e de jardins foi tudo muito curto. Agora, no último mês, à pressa está a tentar requalificar ruas, inclusive algumas ruas que estavam em boa situação estão a ser alvo de colocação de novo piso, passeios que estavam em boa situação estão a ser alvo de intervenção, mas depois há zonas periféricas onde há mau estado de vias, mau estado de passeios e não há a devida de requalificação, ou seja, foram 4 anos perdidos e digo eu, que pese embora tenha feito uma política muito de fiscalização, de alertas, mas acima de tudo fiz uma política também construtiva, porque nós apresentámos ideias, ou seja, nós colaboramos na melhoria da vida das pessoas com ideias, que algumas até foram aplicadas por eles. Mas, na verdade acho que foram 4 anos muito curtos e, acima de tudo, foi uma desilusão. Acho que o Luísa Salgueira é de facto uma política consagrada a nível nacional e como política consagrada aqui a nível nacional, não é uma técnica, não sabe executar, não é uma boa autarca. Seria seguramente uma boa parlamentar na Assembleia da República, mas no dia-a-dia é uma má política e eu defendo que os políticos, acima de tudo, hoje, que são necessários para estar na política ativa portuguesa, têm de ser pessoas com ideias, que saibam executar, que saibam fazer.
Qual é a mensagem que gostaria de deixar à população?
A população tem de olhar para os projetos e para as propostas sem medo. A população tem de olhar para o carácter e para a integridade e honestidade das pessoas e tem de perceber que há novas formas de fazer política, que há novas ideias e que há soluções para os seus problemas do dia a dia. As pessoas só têm de acreditar. Demorei até que os funcionários da autarquia me fossem conhecendo e, hoje, muitas das vezes dizem que achavam que nós seríamos um bicho-papão, porque estamos a falar de 50 anos do Partido Socialista, isto não é normal e, hoje, os próprios funcionários autárquicos, que nós temos quadros de excelência em Matosinhos, que não são devidamente aproveitados, já percebem que nós não somos iguais a eles, que nós estamos dispostos a trabalhar com eles, que nós estamos dispostos a ouvi-los, dispostos a aproveitar as suas ideias. Todavia, acima de tudo, acho que a população tem de perceber que existe uma nova forma de fazer política, que existe gente com ideias, gente desprendida de um passado de 50 anos e que faz sentido renovar os quadros políticos, porque a renovação regular dos quadros político-partidários faz com que os concelhos andem para a frente. Neste momento, Matosinhos está estagnado, porque já estamos a falar de 50 anos do Partido Socialista, ou seja, o Partido Socialista hoje esfumou-se de ideias e esgotou ao máximo a sua capacidade de ideias, de propostas, de decisões, de soluções para os problemas do dia a dia dos matosinhenses e estão somente a ocupar os lugares numa perspetiva de comodismo, sem querer saber do dia a dia dos matosinhenses e sem perceber, acima de tudo, a realidade da população, pois estão dentro de uma bolha política e mesmo quando andam na rua estão dentro dessa bolha, ou seja, não percebem a realidade do concelho, nem as dificuldades e os problemas que, de mais diversas áreas que os matosinhenses. Portanto, apelo nitidamente à mudança e que é possível fazer mais e melhor do que aquilo que tem vindo a ser feito nas últimas décadas.


