BASTA JOSÉ PACHECO!

Sem procurar apareceu-me a página do CHEGA Açores numa rede social e fiquei sem palavras perante uma partilha, cuja a foto junto a este texto.

Inacreditável como um partido constitucionalmente aceite, embora com órgãos diretivos ilegais, faz apelos à violência, quando o tema não lhes agrada ou a conversa não lhes corre de feição. Não bastava as soluções macabras ditas em pleno parlamento, cobardemente calado, de encontrar soluções para os problemas no fuzilamento de humanos. Talvez, na altura, José Pacheco, já pensando na sua candidatura à Câmara Municipal de Ponta Delgada, estivesse a idealizar como seria bonito nas “Portas da Cidade” em vez da realização da “Noite branca” protagonizar algo onde o vermelho vivo pudesse escorrer pelas pedras e o asfalto que as rodeiam.

A página oficial do CHEGA Açores é da responsabilidade máxima de José Pacheco, cidadão que Diogo Pacheco Amorim, preocupado com a implantação do partido nos Açores, convidou num encontro, em “dia de namorados” onde, especialmente, militantes do PSD e CDS, descontentes por não serem primeiras figuras, se encontraram. Esqueceu todos os projetos anteriores, no CDS, onde não teve qualquer sucesso significativo, nem tido como figura relevante e deixou-se enamorar. Acabou por ficar como secretário geral, enquanto Carlos Furtado, vindo do PSD, saltou para a presidência. Como o CHEGA é o partido de um homem só, André Ventura, onde a autonomia é algo que nada significa, em 2021 este retirou a confiança política em Carlos Furtado que se demitiu, apesar de ser deputado regional e se ter mantido no cargo como independente. O secretário geral ficou com a gestão total do partido até que 60 votos elegeram José Pacheco líder do CHEGA Açores, em 23/04/2022. Seis dezenas foram os militantes que o elegeram pelo que não é de estranhar que o CHEGA Açores se tenha tornado num grupo restrito de amigos que vocifera e retransmite a voz do chefe. Aliás é o próprio José Pacheco que promete um deputado aos açorianos para a Assembleia da República e depois de eleito o substituiu porque faz falta, segundo ele, nos Açores. Não é por acaso que os deputados ao parlamento regional pelo CHEGA são candidatos às Câmaras Municipais é que durante 2021 e 2025, José Pacheco não conseguiu alicerçar o partido. Para quem promete organizar os Açores é um muito mau princípio.

Apesar de formulários disponibilizados nas redes sociais para quem estivesse disposto a candidatar-se pelo CHEGA, o partido não conseguiu corresponder. José Pacheco deita fora a possibilidade de fazer verdadeira mossa porque demonstrou verdadeira incapacidade. Preocupado com o que os outros fazem, não foi capaz de fazer o seu trabalho. Cito só o concelho da Ribeira Grande, como exemplo. Tendo ganho surpreendentemente nas freguesias de Rabo de Peixe, Ribeirinha, Maia, Lomba de São Pedro, Pico da Pedra e Calhetas e obtido extraordinários resultados nas restantes freguesias, não conseguiu ir junto dos seus eleitores e dar-lhes uma alternativa, apresentando listas às Assembleias de Freguesia, com exceção de Rabo de Peixe. José Pacheco teve mais de 4 anos e não o conseguiu. Desiludiu aqueles que confiavam puder mudar como o CHEGA defende e demonstrou que, também, ele promete muito, mas pouco faz.

José Pacheco, desde que é presidente do CHEGA Açores, tornou-se um leão à solta, ameaçando tudo e todos e afirmando ter soluções para tudo!

Designer gráfico de profissão, provavelmente começou a achar piada achincalhar através de cartazes pouco criativos, as instituições e os cidadãos e a transportar para os mesmos tudo o que lhe parece fazer ruído. Imune às consequências avança porque os partidos políticos responsáveis lhe abrem alas ou assobiam para o lado.

Ao nível que o CHEGA Açores chegou, um verdadeiro lamaçal, é necessário que os partidos responsáveis se assumam. José Manuel Bolieiro dependente do voto deste partido para manter o governo não pode permitir que o cutelo esteja, sempre, sobre o seu pescoço, porque ao consentir está colocá-lo, também, no dos açorianos. Francisco César ficou combalido com o desastre nas legislativas e com alguns imbróglios escusados nas autárquicas. Sónia Nicolau nunca deveria ter sido rejeitada porque já são poucos os disponíveis para trabalharem a sério pelas suas terras e região. Estas situações não podem impedir um PS ativo e consciente, sob pena de um tsunami se abater sobre a democracia e o bom senso açoriano.

José Manuel Bolieiro e Francisco César têm de se encontrar, colocar de lado vaidades e assumirem responsabilidades e consequências, perante todos nós e garantirem que somos capazes de “vivermos livres do que em paz sujeitos”. Este governo tem de cumprir a legislatura, não dependente do CHEGA, e os eleitores no fim saberão reconhecer os esforço realizado por aqueles que lutaram, verdadeiramente, pela evolução e bem estar da nossa região.

Os açorianos que votam em ou por protesto sabem, mas é sempre bom lembrar, que o político do CHEGA Açores de que todos falam não é José Pacheco, mas Miguel Arruda! Portugal inteiro conhece-o e até Filipe La Féria, o maior produtor teatral português, o achou tão interessante que o decidiu retratar num seu espetáculo!

Por isso, José Pacheco, o líder do CHEGA Açores é André Ventura e o Senhor não representa ninguém. Ninguém sabe quem o Senhor é. Convença-se disso e vai doer menos quando o retirarem da cena política para bem dos açorianos e dos portugueses.