Natural da freguesia da Ribeira Grande – Conceição e jovem dedicado à sua terra, seja nos cargos autárquicos ou associativos, Pedro Pavão é o candidato à presidência da Junta de Freguesia da Ribeira Grande – Conceição nas próximas eleições autárquicas de 12 de outubro. Com projetos ambiciosos no campo da infância, o candidato lembra o projeto, já entregue à autarquia, da Casa Mortuária, que continua “na gaveta” e que espera que o próximo, ou próxima, eleito na Câmara Municipal o possa ‘desengavetar’.
O que o leva a candidatar-se?
O que me leva a concorrer à Junta de Freguesia da Ribeira Grande – Conceição, é um projeto de continuidade, faço parte do atual executivo como secretário, liderado por Gisela Rodrigues Paz, ela que é uma das minhas professoras para que dissesse sim a este convite e este abraçar de projeto de candidatura à Junta de Freguesia da Conceição. É por um trabalho de continuidade, sabemos que fizemos muito mas muito ficou por fazer. E é por isto e por amor à nossa freguesia que me candidato.
Fale-nos um pouco do seu percurso de vida.
Tenho 28 anos, sou natural da freguesia da Conceição, onde nasci, cresci, estudei, e continuo a viver com muito orgulho nesta freguesia. Desde muito novo tenho estado envolvido em várias áreas da nossa comunidade, como já referi, sou secretário do executivo da Junta de Freguesia, sou presidente da direção da Associação Cultural e Recreativa da freguesia da Conceição, uma associação muito jovem, inaugurada em 2015. Estou também ligado a algumas instituições do concelho, como o Lar Augusto César Ferreira Cabido, sou tesoureiro da direção, e sou presidente da Assembleia Geral do Benfica Águia Sport. Já estive na filarmónica A Voz do Progresso, primeiro aprendi música na filarmónica Nossa Senhora das Vitórias, na altura não havia filarmónica cá na freguesia, e como tinha um gosto pela música fui atrás disso. Com a reabertura da nossa filarmónica A Voz do Progresso é claro que tive de vir ajudar a banda da minha terra. Em 2017, foi quando comecei a dar um passo para ajudar as instituições e é o ano em que um grupo de amigos tenta reabrir o Benfica Águia Sport, e vêm falar comigo, se estava disponível para abraçar o projeto. Era muito novo, tive algum receio, primeiro porque não conhecia a história do clube e depois era algo de novo e de muito compromisso para eu assumir. Mas a verdade é que assumi como secretário da direção, portanto, estou ligado ao Benfica Águia Sport desde que ele reabriu em 2017. Sou romeiro desde 2009 aqui na comunidade, sou catequista, e desde 2012 tenho também um projeto deixado nas minhas mãos de orientar o grupo pioneiro da ilha de S. Miguel do Grupo Coral dos Romeiros. Fiquei na frente deste grupo, uma vez que já tinha alguma conhecimento musical, tive o convite de vir orientar o grupo que abracei com todo o orgulho e ainda hoje faço parte do grupo e como regente também.
Como sabemos, as Juntas de Freguesia, por si só, pouco podem fazer, a não ser reivindicar. O que o Pedro Pavão e a sua candidatura vão reivindicar para a Ribeira Grande – Conceição?
Por acaso, isso faz parte do nosso manifesto eleitoral e algo que faz muita falta na nossa freguesia, e que queremos reivindicar junto da Câmara Municipal, é a conclusão do saneamento básico na freguesia, bem como a resolução ambiental dos esgotos do nosso Monte Verde. Outra coisa que nos faz muita falta, não só a nós como membros da Junta, mas a toda a freguesia, porque a Junta de Freguesia é sempre a primeira porta onde nos vêm bater, e faz falta a conclusão do nosso passeio atlântico, que passa muito por esta freguesia e dar outra entrada à nossa freguesia pela praia do Monte Verde. Assim como reivindicar junto da Câmara Municipal o início da tão esperada Casa Mortuária para esta freguesia, projeto esse que já vem do atual executivo, portanto, quase 12 anos. O projeto já está concluído e está entregue, há algum tempo, na Câmara Municipal.
E é para realizar em terrenos de propriedade de quem?
Da Câmara Municipal, que concordou. É junto à antiga esquadra da PSP, aproveitando o parque de estacionamento que ali se encontra, no terreno onde os agentes da PSP treinavam os cães. Já está tudo conversado com a Câmara mas ainda estamos a aguardar o início da sua construção.
Mas há também problemas comuns a todas as freguesias, nomeadamente, habitação, tentativa de acabar com a pobreza, incentivos aos jovens, apoio aos seniores… nessas áreas, o que reivindicará para a freguesia?
Nós temos feito um levantamento de casas degradadas e devolutas aqui na freguesia, como diz o ditado, casas vazias e famílias sem casas. Este é um problema grave que temos na nossa freguesia, batem-nos muitas vezes à porta jovens que precisam do seu cantinho e é um problema que temos em cima da mesa e que iremos levar à Câmara Municipal para nos ajudar a esse nível. Só aqui na rua principal da freguesia, a Rua S. Sebastião, temos muitas casas vazias e não habitadas.
E não teme que essas casas vazias venham a ser adquiridas e transformadas em alojamento local e não sirvam a população da freguesia?
Esse é o nosso grande medo. Antigamente dizíamos que cada buraco servia uma loja dos chineses, atualmente, cada cantinho que se encontra é um alojamento local. E isto mata a procura dos jovens da primeira casa.
O projeto que está em curso do Governo Regional no Trás dos Mosteiros, trará algum benefício para a freguesia?
Em relação a esse projeto, nós, aqui na Junta de Freguesia, temos feito o que podemos. Muita gente vem cá saber como se podem candidatar a esses apartamentos, mas o certo é que aqui fazemos o que podemos. Ajudamos, encaminhamos todas as pessoas para os sítios indicados, mas, apesar de ser na freguesia aqui ao lado, na Matriz, vai-nos ajudar a colmatar um pouco esta falta de habitação. Mas não será a resolução total porque ainda vai haver muita gente a precisar de casa.
A segurança é um dos problemas com que o concelho se debate, nomeadamente não por pobreza das pessoas, mas pela implementação do tráfico e consumo de estupefacientes. O que prevê reivindicar nessa área?
Primeiro, queremos reforçar a segurança junto também da PSP. Sabemos que os recursos também não são os que pretendíamos e só por aí acho que já faz falta no concelho da Ribeira Grande a tal polícia municipal, que já se ouve falar por vários partidos. Espero é que após as eleições possa aparecer essa bendita polícia municipal. Nós estamos muito inseguros na Ribeira Grande. Esta é a verdade. E o que pretendemos, como já existe noutras freguesias do concelho, é a colocação de câmaras de vigilância em todos os parques de estacionamento que é um dos pontos que mais nos assusta, porque de vez em quando aparece alguém a quem o carro foi roubado, ou partiram o vidro, ou levaram algo e tem sido um problema na freguesia. Por isso, pretendemos reforçar essa segurança, juntamente com a Câmara Municipal e a PSP, com as câmaras de vigilância.
Que tipo de relação pretende ter com o associativismo da freguesia?
A Junta de Freguesia recebe todos os pedidos de ajuda das associações da freguesia, que ainda são algumas, e nenhuma fica para trás. Ajudamos sempre no que podemos e no que é pedido. E claro que, se for eleito como presidente da Junta de Freguesia, iremos manter os apoios a todas as modalidades desportivas que temos na freguesia, temos o Benfica Águia, o Caldeiras, e também ajudamos a Patinagem da Ribeira Grande. Temos também a nossa filarmónica, A Voz do Progresso, que ainda atravessa problemas gravíssimos, mas essa situação acho que é transversal a quase todas as filarmónicas do concelho e até mesmo dos Açores. Está complicado arranjar músicos para compor uma filarmónica. Eu sou músico, já fiz parte de três filarmónicas, e sei o quanto é difícil gerir.
Uma das queixas de quem já viveu nas filarmónicas dizem que o grande problema está em que os músicos passaram a ser remunerados, embora por debaixo da mesa.
Isto foi um problema que apareceu após a Covid-19. Os jovens acomodaram-se em casa, aos telemóveis e aos computadores, às novas tecnologias, e muitos deixaram o futebol, as filarmónicas, tudo a que pertenciam antes da Covid. E a verdade é que ninguém gosta de fechar portas de uma associação, independentemente daquilo que aconteça. É complicado dizer ‘tem que fechar a porta’. Acredito que a direção da filarmónica Voz do Progresso, como outras, estão a dar o seu melhor.
Mas pagar é uma solução?
Não é a solução ideal, mas é o que todas as direções têm encontrado para que possam manter o nome da filarmónica na rua. Já não se vê filarmónicas de 30 ou 40 elementos, porque não há. Aqui a nossa filarmónica tem saído com 20, ou menos, até mesmo a pagar para vir representar uma filarmónica está escasso.
Não será necessária uma revolução de mentalidades?
Também, sim. Nós aqui na Junta estamos para ajudar, e apesar de não fazer parte da direção da filarmónica, porque já o fiz, a atual direção tem um projeto muito interessante que é aproveitar o inicio da escola, com o inicio das catequeses, onde tem muitas crianças, para então podermos criar uma escola de música. Para uma filarmónica funcionar tem de ter uma escola de música. Sem isso, tem de ser tudo pago, e isso não leva uma filarmónica a lado nenhum.
Nestas alturas de campanha, há sempre um apoio às filarmónicas. Não seria melhor o apoio às filarmónicas que demonstrassem ter uma escola de música ao serviço da população? E ser, por exemplo, o munício e a Junta de Freguesia a suportar os custos dessa escola em vez de estarmos a criar maus vícios?
O município ajuda nas inscrições para o futebol, por isso, acho que sim, deveria ajudar. Atualmente não acontece, mas, há uns anos, quando eu andava na filarmónica como músico, nós tínhamos várias crianças no Conservatório de Ponta Delgada. Ao excelente trabalho do senhor Duarte Santana que era presidente na altura, ele é que fazia esse transporte para baixo e para cima com as crianças. Hoje em dia, sabemos que nem toda a gente tem a mesma disponibilidade que esses senhores reformados tinham que andavam nas associações. Primeiro, já é complicado arranjar alguém para compor uma direção…
Mas se a Câmara pagasse os professores…
Poderia até pensar-se num projeto muito interessante em que se jogasse com todas as filarmónicas aqui do centro, temos um Teatro Ribeiragrandense com várias salas que podia até ajudar, como já funcionou a Academia Musical da Ribeira Grande, porque não ter lá professores para apoiar as filarmónicas? Porque nós sabemos todos que a filarmónica não tem como estar a pagar professores para dar aulas. Muito é feito do trabalho do próprio maestro que já está num custo que não é o devido merecimento que tem pelo trabalho, e faz de maestro, professor até psicólogo para muitas crianças.
E na área social, que planos tem?
Na área social queremos identificar e apoiar as famílias com mais dificuldades na freguesia, e ainda temos algumas, e, em parceria com as instituições, com o Governo Regional e a Câmara Municipal também pretendemos proporcionar momentos de convívio e lazer para a terceira idade. Quero criar um grupo de idosos que possam ter a porta da Junta de Freguesia aberta para passar tardes, fazer atividades e estarem à sua vontade. Poderem fazer o que fazem em casa, mas estando aqui, não estando sozinhos assim. Não querendo substituir os centros de dia que há da Santa Casa, mas criar um ponto que possam ter na freguesia quando lhes apetecesse. E queremos também desenvolver, como já temos feito, campanhas de apoio e sensibilização para o combate às dependências que, infelizmente, no nosso concelho, já se vê muito daquilo que não queremos. Pensávamos sempre que era só no concelho vizinho, a verdade é que já aterrou aqui na Ribeira Grande.
Em termos de economia, temos Rabo de Peixe com um grande polo industrial, mas a Conceição tem um centro empresarial, também é muito forte nessa área, e até tem um hotel de 5 estrelas.
É verdade, e por aquilo que se ouve, através dos jornais e da comunicação social, é que está a caminho mais um para ficar ao lado do que já temos. Na parte da economia, pretendemos promover as empresas e os produtos da nossa freguesia, orgulha-me dizer que temos os melhores licores dos Açores na nossa freguesia, a fábrica do Eduardo Ferreira, A Mulher do Capote, temos os biscoitos e as famosas queijadas de feijão da nossa pastelaria do Roveredo, e muito mais. Pretendemos também divulgar os apoios disponíveis para as empresas e empreendedores locais, e passando para a parte do emprego, também pretendemos facilitar o primeiro contacto dos jovens com o trabalho, via estágios, e criar emprego através das candidaturas de programas existentes por parte do Governo Regional.
E em relação às parcerias, o que prevê?
Claro que vamos continuar com as parcerias que temos, com a Igreja Paroquial, seja em apoio monetário, com os colaboradores, as festas, pretendemos também manter a nossa ligação com a Santa Casa da Misericórdia. A Casa do Povo está partirizada, o que não é nada bom. Se eu for eleito presidente de Junta, será uma das instituições que tentarei me encontrar com a atual direção para fazermos uma ponte. Porque não é a Casa do Povo da Matriz, mas da Ribeira Grande, que deve servir principalmente as cinco freguesias do centro.
Para que se entenda, é uma instituição tomada de assalto pelos políticos da Matriz.
Não posso dizer que sim. É bom sabermos que há gente que ficou e apresentou lista para a Casa do Povo nas eleições que decorreram há pouco tempo. Não acredito que seja assim, acredito é que ainda está na mentalidade das pessoas que a Casa do Povo é da Matriz e o que pretendemos é desligar isso da cabeça das pessoas. Nós nunca estamos de costas viradas a ninguém, só para ter ideia, há uns anos tínhamos um ATL na freguesia e era instalado na Junta de Freguesia e que foi criado para dar resposta à falta do ATL e, principalmente, às crianças da nossa freguesia. Contudo, o ATL funcionava bem era com os ditos programas de emprego por parte do Governo Regional, porque uma Junta de Freguesia não consegue suportar o pagamento de uma educadora e de funcionários para que pudéssemos ter o ATL a funcionar. No início deste último mandato tivemos de chegar a um acordo dado que, uma vez que acabaram com os programas, não teríamos condições para manter o ATL aberto. E depois de várias análises reparamos que aquele ATL era para servir as crianças da nossa freguesia e tinha mais gente de fora do que da própria freguesia. E como é que resolvemos este problema? Primeiro temos de dar conhecimento a todos os pais e depois temos de falar com a Casa do Povo da Ribeira Grande que tem várias salas de ATL. Por isso, não estamos de costas viradas com a Casa do Povo da Ribeira Grande e graças ao bom trabalho da antiga direção, ainda liderada pelo senhor Albano Garcia, conseguiu ficar com a maioria das crianças que tínhamos. Portanto, quando fechamos o ATL não foi porque quisemos, foi mesmo porque a Junta de Freguesia não consegue suportar um ATL. Ainda dentro desta questão, um dos meus projetos que também está no meu programa eleitoral, é, sem dúvida, organizar um campo de férias. Claro que não conseguimos ter um ATL durante o ano todo, mas acredito que vamos conseguir, em tempo de férias, podermos criar um campo de férias para as crianças da freguesia, fazendo com que os pais possam ir trabalhar descansados sabendo que as crianças estão em boas mãos.
Isso não existe muito na Ribeira Grande, pois não?
Por acaso na Junta de Freguesia da Matriz já fazem isso há alguns anos. E por isso é que muitos pais da Conceição vão lá fazer a sua inscrição e levam com a porta na cara com o argumento de que primeiro são as crianças da Matriz e só depois, se houver vagas, é que entram as crianças das outras freguesias. E para que isto não aconteça, é um dos meus projetos do meu programa eleitoral criar este tal campo de férias, que podemos começar com as férias de verão e, se correr bem, porque não nas férias da Páscoa e do Natal.
Que mensagem gostaria de deixar ao próximo, ou próxima, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande?
A mensagem que deixo ao próximo, ou próxima, presidente é que olhe por todas as freguesias da mesma forma, há muito a fazer. E, principalmente, falando da freguesia da Conceição, que tenha aquela habilidade de abrir a gaveta a ver se encontra o nosso bendito projeto da Casa Mortuária. É algo que as pessoas estão à espera, não é só uma ambição nossa, é de toda a freguesia. Espero que quem ganhe, essa seja a primeira coisa que faz, a ver se ainda está lá o nosso projeto. E também, sendo uma capital do surf, que recebe muitos turistas, envergonha-me passar na rua principal da cidade, desde o Centro de Saúde até à Praça Municipal, por causa do problema que temos com os pombos. Mas dou um voto de coragem e de força e, seja quem for, que faça tudo pela Ribeira Grande.
E que mensagem gostaria de deixar aos eleitores e habitantes da freguesia da Conceição?
Dizer a todos que estamos em momento de conhecimento, para depois passarmos a um momento de reflexão. Peço que todos vão no próximo dia 12 de outubro votar, porque, às vezes, dizemos que não vale a pena, é tudo igual, mas não. Precisamos que toda a gente vá às urnas para depois podermos conversar e agir com o que temos preparado para a freguesia.
E porque devem votar em si?
Porque já venho com alguma bagagem da parte da Junta de Freguesia, sou jovem e trago ideias jovens, e porque acho que tenho dado muito de mim a esta freguesia e acho que a própria freguesia reconhece este valor para com quem seja o próximo presidente da Junta de Freguesia.


