A FACTURA HUMANA DA RESTAURAÇÃO: QUANDO O PRATO SERVIDO É A EXPLORAÇÃO

A restauração é uma das áreas mais dinâmicas e exigentes do mercado de trabalho. Atrás de cada refeição servida com um sorriso, escondem-se horas extenuantes, pausas inexistentes e salários que mal chegam para pagar a conta da própria sobrevivência. Há muito que esta realidade deixou de ser pontual para se tornar estrutural. E isso exige reflexão e mudança.

Quem já trabalhou num restaurante sabe que o relógio parece girar ao contrário. Jornadas de 10, 12 ou até mais horas não são raridade, são rotina, são o dia-a-dia dos trabalhadores da restauração e hotelaria que encontram patrões sem escrúpulos.

Em muitos casos, os horários ultrapassam os limites legais sem que haja pagamento de horas extra, e as pausas para descanso ou refeição, quando existem, são curtas, apressadas, muitas vezes feitas de pé, no corredor ou atrás de um balcão. Descansar passa a ser um luxo e não um direito.

A justificação? “É assim que funciona a restauração”, dizem muitos patrões, normalizando práticas abusivas como se fossem parte inerente da profissão. Mas não são. E não devem ser. Este tipo de exploração não só compromete a saúde física e mental dos trabalhadores, como destrói qualquer perspectiva de futuro na área. Jovens talentos desistem, profissionais experientes abandonam, e o sector afunda-se numa rotatividade sem fim.

Os salários, regra geral, permanecem baixos. Muitos recebem o ordenado mínimo nacional, apesar de terem funções de elevada responsabilidade e experiência acumulada. E mesmo aqueles que têm contratos, muitas vezes vêem os seus direitos desrespeitados. As gorjetas, que deveriam ser um extra, tornam-se muitas vezes parte essencial do rendimento mensal, quando até não são açambarcados para entidade empregadora

Vivemos num país que valoriza a gastronomia, que promove a hospitalidade como bandeira turística, mas que fecha os olhos à exploração daqueles que a tornam possível. O paradoxo é gritante: exige-se excelência no serviço, mas oferece-se precariedade em troca.

É urgente um novo olhar sobre o sector. Fiscalizações mais eficazes, cumprimento rigoroso do contrato colectivo de trabalho e, sobretudo, uma mudança de mentalidade por parte de quem emprega. Ainda bem recentemente, presenciei uma cena e conversa que nunca pensei enquanto tomava a bica num bem frequentada casa com loja no centro do Funchal e outras nos arredores, com grande surpresa escutei uma conversa sobre a forma  de trabalho (exploração dos funcionários).

O CCT da restauração e hotelaria diz muito claramente que todos os funcionários que trabalhem mais  de 6 horas diárias têm direito no mínimo a 1 hora de pausa.

Todos os funcionários tem o direito a pausa de almoço e não os 5 minutos que lhes são dados para engolirem, sim disse engolir porque 5 minutos é para o que dá. O empresário Sr. Joaquim de senhor  e de empresário a serem verdade estas afirmações que revoltaram alguns clientes presentes não tem nada, é tão simplesmente um explorador e os gerentes de loja que impõem estas ordem, dadas pelo patrão, são a mesma coisa que o dito senhor.

Se desejam ter serviço de qualidade, tem de ter funcionários felizes e remunerados, tratados como seres humanos e não como escravos. Não  vale tudo na restauração e hotelaria,  um empregado de mesa deve ser tratado com respeito, porque para os destratar e até serem mal educados já chegam os clientes.

Trate e dê ordem justas aos seus gerentes.   Permita que tenham tempo para se alimentaram condignamente e espero que a ARAE esteja atenta  também a estas situações.

É urgente repensar o modelo de funcionamento do sector da restauração. As entidades patronais devem cumprir o contrato colectivo de trabalho e adoptar práticas laborais justas e dignas. Ao mesmo tempo, é fundamental reforçar as acções de fiscalização e garantir que os direitos dos trabalhadores são efectivamente respeitados.

Valorizar os profissionais da restauração não é apenas uma questão de justiça social, mas também de sustentabilidade económica. Porque nenhum prato bem servido deve ter como custo a dignidade de quem o serve, seja o empregado madeirense e estrangeiro, é acima de tudo um ser humano.