Em comunicado enviado às redações o Partido Popular Monárquico (PPM), afirma que o cartaz do CHEGA sobre o Bangladesh representa, “um risco potencial para o futuro da comunidade de lusodescendentes e de católicos que vivem nesse país”.
“O PPM considera que o cartaz do CHEGA contra os imigrantes oriundos do Bangladesh é inaceitavelmente xenófobo e representa um risco potencial para a comunidade de lusodescendentes e de católicos no Bangladesh, que tem 5 séculos de existência e integra cerca de 20 mil pessoas”.
O PPM explica ainda que há uma grande presença lusa em Bengala, região histórica que corresponde aos atuais Bangladesh e ao Estado Indiano de Bengala Ocidental e onde vivem cerca de 20 mil bengaleses descendentes de portugueses que fazem parte da pequena comunidade católica do país e que “gozam de liberdade de culto num Estado de maioria muçulmana”.
“Na verdade, o legado português em Bengala vai muito além da religião. Muitas dezenas de palavras de origem lusa permanecem vivas na língua bengali e a gastronomia bengalesa conserva técnicas e receitas herdadas dos portugueses — o uso do vinagre, os doces à base de ovos, os pratos de peixe seco, o gosto pelo pão e pelos bolos, etc”, acrescentam.
Por tudo isto, o PPM afirma que “as declarações e campanhas políticas promovidas pelo CHEGA referem-se ao “Bangladesh” e aos seus habitantes deforma depreciativa”. “Neste contexto, o PPM considera essencial lembrar que a comunidade luso-bengalesa não pode — nem deve — tornar-se vítima colateral de discursos populistas ou xenófobos. Que uma comunidade de origem portuguesa tenha sobrevivido mais de 500 anos num país de esmagadora maioria muçulmana, é algo que deve inspirar respeito e orgulho e não hostilidade. Esse facto mostra que o diálogo entre civilizações é possível — e que a diversidade não é ameaça, mas sim uma riqueza”.
“Só um partido desconhecedor da História nacional e do legado de Portugal no mundo, pode achar que este tipo de ações políticas não representam um risco potencial para a tranquilidade e a integração, no corpo social e político do Bangladesh, de uma velha comunidade de orgulhosos descendentes de portugueses. ‘Quem semeia ventos colhe tempestades’, é um velho provérbio que o CHEGA não deve esquecer”, referem ainda.


