Filho de José, um carpinteiro, e de Maria, que segundo o dogma cristão foi concebida pelo Espirito Santo, Jesus nasceu no final do reinado de Herodes Antipas, reinado que acabou no ano 4 a.C. quando Roma dominava a Palestina.

A data do nascimento de Jesus é uma incógnita, embora 25 de Dezembro seja plausível, pois era a data em que os romanos celebravam sua festa de solstício de Inverno, a noite mais longa do ano e quase todos os povos comemoravam esse acontecimento, desde o início da civilização. Porém, o dia em que Jesus nasceu não consta na Bíblia, tendo sido uma escolha da Igreja seis séculos depois, permitindo assim coincidir a data com as festas de fim de ano, a semana entre o Natal e o Ano Novo.

Com 13 anos, Jesus celebrou o barmitzvah, ritual que marca a maioridade religiosa dos judeus e no Evangelho de Marcos, o mais antigo, Jesus é chamado de Tekton, que no grego do século 1 se referia a um pedreiro. Os evangelhos de Marcos e Mateus citam que Jesus tinha 4 irmãos: Thiago, José, Simão e Judas, além de 2 irmãs, não nomeadas.

Há um consenso entre os pesquisadores, considerando que aos 20 anos Jesus seguia a seita dos essênios, uma entre tantas outras em que os judeus se dividiram para confrontarem os romanos, uma vez que Pôncio Pilatos, ao assumir o governo da Judeia, desdenhava da fé dos judeus por acreditarem em um Deus único. Existe semelhança entre a seita dos essênios e a que Jesus fundaria, pois ambas viviam sem bens privados, em regime de pobreza voluntária e chamavam Deus de «pai». Essa hipótese foi reforçada com a descoberta dos manuscritos do Mar Morto em 1947, dado que eles continham detalhes de uma comunidade ligada aos essênios.

Numa das suas caminhadas, Jesus rumou com seus discípulos ao Templo de Jerusalém, para celebrar a Páscoa e ao entrar foi aclamado como filho de Deus. Logo que chegou causou grande tumulto ao destruir barracas que estavam na frente do Templo, usadas para trocar moedas estrangeiras dos romeiros por dinheiro local, cobrando a respectiva comissão com elevados  ganhos. Era uma ofensa praticar comércio em pleno Templo.

Os soldados levaram Jesus para o encontro de Caifás, tendo sido acusado de desordem no Templo e quando «confirmado que era o Filho de Deus e rei dos Judeus», foi acusado de blasfémia e como tal foi levado à presença de Pôncio Pilatos, governador da Judeia; depois e por ser da Galileia, foi conduzido a Herodes que a governava. Herodes zombou de Jesus e devolveu-o a Pilatos. Condenado, foi submetido ao castigo, carregou a cruz, foi crucificado, morto e colocado num túmulo, fechado com uma grande pedra.

Os Evangelhos contam que em visita ao túmulo, Maria encontrou a pedra aberta e o sepulcro vazio e que depois Jesus lhe teria aparecido confirmando a sua ressurreição.

Em contraposição à narrativa dos Evangelhos dos Apóstolos, que deixaram um cunho pessoal na escrita de cada um, existem visões laicas e históricas dos acontecimentos que resumidamente nos informam que «o Império Romano, um estado policial, ordenara a realização de um censo e assim sendo, José e sua esposa grávida Maria, viajaram para a pequena cidade de Belém para que pudessem ser contados. Não havendo espaço para o casal em nenhuma das pousadas, eles ficaram num estábulo ou celeiro, onde Maria deu à luz um menino. Avisada de que o governo planejava matar o bebé, a família  fugiu com ele para o Egito até que fosse seguro retornar à sua terra natal».

«O bebé nascido em Belém, tornou-se pregador itinerante e ativista revolucionário, que não apenas morreu desafiando o estado policial vigente naquele tempo, o Império Romano, mas passou a vida adulta confrontando o poder, desafiando o status quo existente, ou seja, os abusos do Império Romano.

Assim, quando nos aproximamos do Natal com suas celebrações e presentes, faríamos bem em lembrar o que aconteceu naquela noite estrelada em Belém como apenas uma parte da história. Aquele bebé na manjedoura cresceu para ser um homem que não se afastou do mal, mas falou contra ele, dando-nos um exemplo que não devemos esquecer.

Esta também não é uma área cinzenta no campo teológico, pois Jesus não foi inequívoco nas suas opiniões sobre muito aspectos da vida, das quais não menos importantes eram a caridade, a compaixão, a guerra, a tirania e o amor.

Afinal, Jesus o reverenciado pregador, professor, radical e profeta, nasceu num estado policial não muito diferente da crescente ameaça do estado policial existente nos nossos dias. Naqueles tempos, ele tinha críticas poderosas e profundas a fazer, aspectos que mudariam a maneira como eram vistas as pessoas, as políticas do governo e o mundo».

A Igreja moderna tem evitado aplicar os ensinamentos de Jesus a problemas actuais, como guerra, pobreza, imigração, limitando-se a constatar e diagnosticar, mas não devia interrogar-se sobre qual seria a atitude dele se vivesse nos nossos dias?

Quando foi confrontado por quem tinha autoridade, Jesus não se absteve de falar a verdade ao poder e de facto os seus ensinamentos minaram a situação política e religiosa da sua época. Custou-lhe a vida e Ele acabou sendo crucificado como um aviso a outros para não desafiarem os futuros poderes.

A nossa era também foi e continua a ser berço de figuras políticas, filosóficas ou militantes pela transformação do mundo e não querendo substimar qualquer uma delas deixo alguns exemplos, tais como, Karl Marx, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Lenin, Guevara, Dietrich Bonhoeffer, Luther King, Ahed Tamimi a palestiniana, Malala Yousafzai a paquistanesa, Dandara a brasileira e tantos outros militantes anónimos que deram a sua vida para libertar o mundo dos opressores, exploradores e candidatos à hegemonia geoestratégica, invadindo países soberanos, roubando recursos naturais, maltratando o meio ambiente, matando e destruindo património mundial, quais vândalos do século XXI.

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