No âmbito da 4.ª edição do Festival de Sopas da Casa do Povo do Pico da Pedra, que aconteceu no passado dia 23 de novembro, e que contou com casa cheia, o presidente José Maria Jorge falou ao AUDIÊNCIA sobre o evento.

Em que consiste esta iniciativa da Casa do Povo do Pico da Pedra?
Isto é uma iniciativa que já vai na quarta edição e tem três objetivos fundamentais. O primeiro é a angariação de fundos para a instituição. Sendo uma instituição de solidariedade social, estamos constantemente a ser solicitados para intervir e sem verbas não o conseguimos fazer. Segundo, é uma forma de chamarmos a comunidade à própria instituição e, em terceiro, é o convívio que se proporciona aos pais das crianças que frequentam a nossa instituição – na Cresce temos 35 e no ATL 110 e também temos mais de 30 idosos. Nós pomos cartazes a convidar as pessoas a aderir. Há os que aderem oferecendo uma sopa e outros com a sua presença.

Mas a Casa do Povo do Pico da Pedra não acolhe só os locais.
Exato. Das freguesias limítrofes também temos utentes quer a nível de Cresce, do ATL e do Centro de Dia, onde temos também idosos fora do concelho, como por exemplo dos Fenais da Luz.

Tem casa cheia nesta iniciativa. Como é que é ver tanta gente?
É uma alegria porque é sinal que a Casa do Povo lhes diz alguma coisa, é sinal que a instituição está aberta à comunidade e é a forma de dar a conhecer os projetos futuros. Gostamos muito desta adesão. Os corpos diretivos estão aqui em regime voluntariado. Se não sentirmos o calor da própria comunidade acabamos por desanimar. Por vezes as dificuldades surgem e se não tivermos uma base de sustentação, que é a população, seria muito difícil estar à frente da instituição.

Conta com a ajuda de quem para esta noite, excetuando os patrocínios?
Temos uma adesão a 100% dos funcionários: cozinheiras, educadoras, coordenadoras, professoras, assistentes sociais e os restantes órgãos associativos. Parecendo que não, esta iniciativa também une a instituição porque no dia-a-dia as valências funcionam em blocos separados. É nestes eventos que todos têm oportunidade de conviver uns com os outros.

Há algum prémio para a melhor sopa?
Há um prémio para a melhor sopa. Foi um amigo nosso artesão que fez o prémio e faz todos os anos. Quem elege a melhor sopa é quem come a sopa. No próprio bilhete tem o canhoto para votar na sopa que mais agradou.

O que é que se avizinha para a Casa do Povo do Pico da Pedra?
Neste momento temos dois projetos entre mãos. Um é a aquisição de uma casa que confina com a instituição. Com a aquisição desta moradia que será depois demolida, pensamos fazer uma estrutura que não só tenha o espaço museológico, mas também gabinetes para artesanato, de modo a que os artesãos possam não só trabalhar mas também dar formação (de bordados, presépios de lapinha, registos de Santo Cristo). Portanto, haverá salas disponíveis para estes cursos de artesanato, como também haverá umas salas para uma grande lacuna (que felizmente o Governo Regional já está sensibilizado para isso): os ATL funcionam só até ao 4.º ano letivo. Quando os miúdos vão para outra escola frequentar o segundo ciclo, chegam à freguesia às 15h e não têm ninguém [com quem ficar]. Os pais de muitos deles estão a trabalhar, então o objetivo é criar um espaço para receber essas crianças para que quando cheguem à freguesia vindos das escolas preparatórias, possam ter um local onde se possam dirigir e os pais saibam que estão cá. Nos projetos futuros queremos também adquirir um terreno para se fazer uma estrutura polidesportiva. Na verdade, quando chove, o Clube Vitória do Pico do Pedra (clube do qual nos honramos de ter sido os fundadores) tem a necessidade de ter uma zona desportiva. Se arranjarmos o local, temos a promessa da ajuda da Câmara Municipal da Ribeira Grande e este é também um dos nossos sonhos.


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