Em 2017, mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo pertence a um por cento da população mundial, assim nos informa o relatório da Oxfam, uma instituição não-governamental a operar em mais de 100 países.

Segundo o documento, este nível de riqueza acumulada dava para acabar com a pobreza extrema no mundo, mais de sete vezes, apresentando como um exemplo flagrante o caso do Brasil, onde as cinco pessoas mais ricas possuem um património equivalente a metade da população brasileira.

A Oxfam International é uma confederação de 17 organizações e mais de três mil parceiros, que actua em mais de 100 países na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça, através de campanhas, programas de desenvolvimento e acções de emergência.

Uma pergunta lógica poderá ser colocada, face a esta demonstração de desigualdade extrema e injustiça no mundo: será que a referida organização, a par de outras congéneres por esse mundo fora, algum dia solucionarão o problema da pobreza no mundo ou apenas conseguirão minimizá-lo? E os grandes líderes eleitos pelos povos e que se reúnem periodicamente nos areópagos internacionais, desconhecem esta situação?

A realidade, nua e crua, é que vemos o capitalismo a dominar parte substancial do mundo, apesar das injustiças daí decorrentes, enquanto relações socialistas subsistem com bons resultados práticos em alguns países, como consequência da primeira tentativa de construção do socialismo que começou em 1917 num País onde «o gelo se quebrou» e «se mostrou o caminho» para a construção duma nova sociedade, conforme afirmou Lenine.

Os comunistas portugueses, seja na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, nas Autarquias, nos Sindicatos, nos Movimentos Unitários, ao lado da população que se tem manifestado muitas vezes a favor dos direitos dos trabalhadores e do povo em geral, pela saída da NATO e, na União Europeia, pela renegociação da dívida soberana que nos limita a independência e soberania, têm uma posição coerente e lutam contra as guerras imperialistas e a participação de Portugal nessas guerras, contra a transformação do nosso país numa rampa de lançamento dos planos dos EUA, da NATO e da UE no Médio Oriente, em África, na Ucrânia e no Mar Negro.

As consequências da contra-revolução e do derrubamento do socialismo na URSS não conseguiram perturbar a visão, a mente e os ideais dos comunistas portugueses, porque sabem muito bem que a Revolução de Outubro não foi um mero «acidente da história» ou um «golpe desastroso» dos bolcheviques, como dizem e escrevem os serventuários do grande capital, os oportunistas e os aventureiristas.

A Revolução de Outubro foi um acontecimento histórico cimeiro a nível mundial, que assinalou o início de uma nova era, em que a classe operária e todos os trabalhadores se tornam protagonistas dos acontecimentos e, tomando o poder e organizando as novas relações de produção socialistas, modificam toda a sociedade, socializando os meios de produção e planeando cientificamente a economia sob o seu controlo.

Hoje, os antagonismos do capitalismo agudizaram-se fortemente e as principais contradições verificam-se na partilha dos mercados, no controlo das reservas naturais, nas vias de circulação da energia e das mercadorias e no controlo geopolítico, estando em formação novos blocos de forças, aumentando globalmente o perigo de graves conflitos militares.

No quadro destes conflitos, o movimento comunista internacional e cada partido devem determinar a sua própria linha de combate, uma linha para o derrubamento da barbárie imperialista que traz consigo as crises económicas, a pobreza, o desemprego e guerras, pois, apesar de tudo, o socialismo continua tão actual como necessário na história da humanidade e esta realidade, tal como a natureza socialista da revolução na nossa época, não depende somente da relação de forças no momento, antes decorre dos impasses do capitalismo, do facto de estarem maduras as condições materiais para a passagem a uma nova sociedade.

Tiramos conclusões, tornamo-nos mais fortes e existe esperança na luta dos povos por uma sociedade sem exploradores, mais justa e solidária.

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