Os novos patrões da União Europeia não eleitos, irão dar continuidade ao descalabro actual, apesar de tudo o que de negativo aconteceu nos últimos cinco anos, pois «o colégio» resolveu seleccionar cinco políticos apoiantes incondicionais das mesmas políticas postas em prática até aos dias de hoje, com os resultados bem conhecidos.

Nenhum dos recentes acontecimentos conseguiu convencer o «bloco» a alterar o seu caminho, nem o ascenso de partidos ideologicamente ligados ao nazi fascismo na Finlândia, Alemanha, França e Itália, nem a ascensão de forças auto proclamadas de patrióticas, mas do mesmo cariz político, na Polónia e na Hungria.

Mesmo o Brexit, em que o poder económico da Grã-Bretanha causará perturbações ao nível das intenções orçamentais da União, conseguiu proporcionar qualquer mudança com as escolhas agora efectuadas.

E senão vejamos: as dificuldades encontradas para as nomeações, acabaram por ocasionar uma selecção apressada de pessoas apostadas na criação dos «Estados Unidos da Europa» eufemismo a pensar no outro lado do Atlântico e tão do agrado da nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von de Leyen, ministra alemã da defesa, para assim proseguir a integração europeia, contestada fortemente em muitos estados membros e respectivas instituições sem resultados práticos, pois é a Comissão a mandar em todo o processo legislativo e executivo nas instituições da União e sempre fez e fará ouvidos moucos às legítimas pretensões dos países, exceptuando a Alemanha que continuará na linha da frente, aliás, Ursula von der Leyen como seguidora de Angela Merkel e também defensora do exército da União Europeia, já anunciou intenção de investir nesta área 130 mil milhões de euros, o que seguramente agravará o clima de mal estar, nomeadamente com a Rússia, mas agradando ao aliado estado unidense.

Christine Lagarde assumirá a presidência do Banco Central Europeu, sucedendo a Mario Draghi e tendo em conta o seu curriculo, parece provável que irá dar seguimento às políticas do seu antecessor, ou seja, manterá o mesmo rumo tão do agrado dos mercados financeiros, aliás,  a influência na economia, nas sociedades e até na própria integração da zona euro é enorme e as decisões do BCE acabam por ser decisivas.

Para líder da Política Externa foi escolhido Josep Borrell, também favorável à «defesa europeia compatível com a NATO» e que há dias considerou a Rússia como «um velho inimigo», levando este País a convocar o embaixador espanhol em Moscovo para protestar perante esta insólita afirmação.

O novo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel o segundo belga a ter ocupado este posto, é um atento, venerador e obrigado elemento sempre seguidor das políticas seguidas na União Europeia e sem rasgo para as contrariar.

Para presidente do Parlamento Europeu, curiosamente a instituição com menos poder apesar dos seus elementos serem os únicos escolhidos em sufrágio directo nos respectivos países, foi nomeado David-Maria Sassoli representante de uma velha força política italiana, o Partido Democrático, anterior vice-presidente do Parlamento e adepto da chamada evolução na continuidade, dele não se esperando alteração de pensamento.

Em resumo, a Alemanha domina a Comissão Europeia como instituição chave, a Política Externa, o BCE e o Conselho Europeu pelos aliados políticos que os constituem e o Parlamento Europeu, pois quatro dos sete grupos  parlamentares são liderados por alemães, ou seja, o legado de Angela Merkel aumentará em Bruxelas e Estrasburgo e a União Europeia seguirá a anterior visão de apoio ao domínio do grande capital e das multinacionais, deixando novamente para trás a tão proclamada coesão social e o desenvolvimento harmonioso dos respectivos estados membros, apostando ainda mais no poderio militar e na aliança com o hegemonismo estado unidense, em vez de seguir novos caminhos para enfrentar os desafios do século XXI, nomeadamente a procura da Paz mundial e a defesa dos direitos e interesses das populações.

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