O Auditório de Gulpilhares acolheu, no passado dia 14 de outubro, o ato de instalação dos novos órgãos da Junta e Assembleia da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, para o quadriénio 2021-2025. Há 42 anos no mundo autárquico, Alcino Lopes, conhecido como presidente de Junta mais antigo em Vila Nova de Gaia, voltou a receber a confiança da população e iniciou, assim, aquele que será o terceiro e último mandato à frente dos destinos das freguesias. Na cerimónia, que ficou marcada pela intervenção atacante de Pedro Guilherme-Moreira, representante da Aliança Democrática, o autarca reconheceu ter ficado incomodado com o discurso do deputado, admitindo não ser o dia para responder em conformidade e convidando a plateia a marcar presença numa próxima Assembleia, “para perceberem melhor a nossa vida autárquica”.

 

 

Alcino Lopes, foi reeleito presidente da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, pelo Partido Socialista (PS), e, durante aquele que será o terceiro e o seu último mandato, vai liderar os destinos dos gulpilharenses e valadarenses, juntamente com os vogais Manuel Alves, Sofia Ramos, José Eduardo Sousa e Inês Lourenço, que foram nomeados com 8 votos a favor, quatro em branco e um voto contra.

Na cerimónia de instalação dos novos órgãos autárquicos foi, ainda, eleita a Mesa da Assembleia da União de Freguesias, para o quadriénio 2021-2025. Neste âmbito, Joaquim Rocha foi eleito presidente, pelo PS, somando-se a ele Luís Pinta e Manuela Leite, nas funções de primeiro e segundo secretários, respetivamente. Esta foi a única lista apresentada e foi aprovada com sete votos a favor, cinco contra e um em branco.

Concluídos os pontos da ordem de trabalhos, chegou o momento das intervenções, que foi inaugurado por Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, que começou por afirmar que “nos une o propósito de fazer crescer a democracia, o poder local, a nossa União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares e o nosso concelho de Vila Nova de Gaia e isso faz-se com todos, de uma forma empenhada”.

Garantindo que o município é um parceiro inestimável das freguesias, o edil salientou que a sua presença “serve ao mesmo tempo para dizer que nós não vos abandonaremos”, lançando um repto, ao declarar que “eu faço a minha parte, eu assumo o compromisso de ajudar em tudo aquilo que forem os projetos que a freguesia tem, hoje com a leveza de estarmos financeiramente mais tranquilos do que o fiz há 4 anos e muito mais do que o fiz há 8 anos, e vocês assumem o compromisso de darem as mãos, de participarem todos neste processo desenvolvimentista e de, durante uma grande parte deste mandato, lutarem todos juntos pelo bem de todos, pelo bem da comunidade e, depois, cada um ficará com a consciência tranquila de que pode, também, de forma tranquila, pedir a confiança dos cidadãos, não por aquilo que diz, mas por aquilo que fez”.

Seguidamente, foi a vez de Margarida Moreira, representante do Bloco de Esquerda (BE), que referiu a importância da existência de “autarquias ativas, exercendo uma política de proximidade e resolvendo os problemas concretos da população. Essa é que é a boa receita de uma medicina preventiva, para garantir a saúde da democracia. E esse, caras e caros colegas eleitos, esse é o nosso papel. Saibamos, nós, estar à altura dessa enorme responsabilidade e a democracia portuguesa terá uma vida longa e saudável”.

Por outro lado, a representante da Coligação Democrática Unitária (CDU), Beatriz Russo e Silva, aproveitou a ocasião para destacar que “tudo o que nós procuraremos fazer promoverá em seu princípio, meio e fim uma participação política, verdadeiramente, inclusiva, porque, para nós, não pode ser de outra forma”, asseverando que “com objetivos honestos, sólidos no tempo e no espaço e com vontade de trabalharmos com competência, chegaremos, seguramente, a bons resultados e os bons resultados são aqueles que trarão às nossas freguesias, valores e práticas cada vez mais democráticos”.

O representante da bancada da Aliança Democrática, Pedro Guilherme-Moreira, usufruiu do momento para deixar uma nota de protesto, mencionando “antes de começar, denotar que o senhor presidente, nem no seu estádio, 6-2, entre o executivo e a Assembleia e a Mesa da Assembleia. Parece-me um resultado que pôs os valadarenses e os gulpilharenses a pensar. Nem sequer é uma questão de acordo de cavalheiros, é uma questão de equilíbrio e bom-senso”.

Posteriormente o deputado deu continuidade ao seu discurso fervoroso, baseando-o no significado de mudança e indicando, nomeadamente, que “a mudança é que fazemos um novo velho partido desta Assembleia, que é o CDS, um dos fundadores da democracia portuguesa”, acrescentando que “a mudança em que a freguesia deixa de encolher os ombros e de ser refém de terceiros, fingir que não é soberana”.

Pedro Guilherme-Moreira aludiu, ainda, “a mudança em que Gulpilhares deixa de ser uma confusão de centros descentrados e se une em volta de uma ideia comum, o grande monumento mundial do Senhor da Pedra, a terra das raposas e a aldeia do século XXI” e “a mudança em que Valadares recupera a centralidade”, assim como “a mudança em que o cozinhado cínico e medíocre da agregação é desfeito”.

Neste contexto, o representante da Aliança Democrática continuou a incendiar o Auditório e a dirigir-se a Alcino Lopes, presidente reeleito da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, dizendo que “a mudança em que deixamos os almoços, os telefonemas e as composições políticas com os amigos e as instituições fora da política, onde deve reger a parceria, sim, mas com seriedade e transparência, porque, realmente, não há almoços grátis” e ressaltando que “a nossa democracia ainda continua de gatas, quase 50 anos depois. (…) De nós podem esperar o mesmo trabalho, que percebemos cedo, que se faz independentemente do poder. Aliás, infelizmente o poder local é refém, não é livre. Aqui, na minha terra, se esse pequeno poder, que é refém, se quiser vingar com honra e dignidade terá o valor da equipa, que alargarei a toda a sociedade civil, para que nos tornemos um exemplo nacional, depois europeu, depois mundial, em menos de duas gerações, e isso faz-se, modéstia a parte, com pessoas como nós e como todos os que têm esperança, por causa dessa abnegação da liberdade, contra tudo e contra todos. (…) Usaremos de elevação e de bom senso, mas se o poder insistir na pequenez (…) não facilitaremos, como é nosso dever, não nos venderemos nunca. Há um mundo para mudar”.

Também Pedro Carvalho, presidente cessante da Mesa Assembleia da União de Freguesias e representante do Partido Socialista (PS), dirigiu a palavra aos presentes, deixando um agradecimento “ao excelentíssimo presidente da Junta de Gulpilhares e Valadares. A forma como foi feita, até aqui, a revolução nestas duas freguesias, tem sido evidente. Não é por acaso que se instalou um poder, que tem alternado consequentemente nas outras freguesias, mas nesta se mantém. É óbvio que teríamos muito, aqui, para poder acrescentar e concluir, mas quando falo numa circunstância, em que devemos aumentar a capacidade, para podermos tornar a nossa freguesia mais evolutiva, nós poderíamos chamar que é uma questão de justiça e é isso que falta. Falta ser justo para estas duas freguesias e essa justiça tem sido acompanhada pelo nosso presidente”.

O discurso de Alcino Lopes, presidente reeleito da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, foi inflamado, no seguimento da intervenção do representante da Aliança Democrática, Pedro Guilherme-Moreira, tendo o autarca reconhecido que a exposição o incomodou, enaltecendo que “hoje não é o dia para responder em conformidade. Numa próxima Assembleia, convido todos aqueles que aqui estão presentes, para perceberem melhor a nossa vida autárquica. A única coisa que eu percebi é que já se falam em almoços e outras coisas mais e, que eu saiba, o único almoço em que o senhor Pedro esteve comigo, fui eu que o paguei, tirando da minha casa. Portanto, vamos ter de explicar muitas coisas e, hoje, não é o dia certo para, mas vai valer a pena que os nossos fregueses de Gulpilhares e Valadares assistam às nossas assembleias, porque as pessoas que aqui estão têm nobreza e que ninguém pense que chega aqui e fala como fala, como se fosse um absolutista. Vamos aguardar por melhores momentos”.

Ulteriormente, o presidente de Junta mais antigo de Vila Nova de Gaia direcionou as suas palavras para uma visão do território ao longo dos últimos 42 anos, de forma a salientar tudo o que foi feito e, ainda, o que almeja ver concretizado, mais especificamente, “o projeto que o António Silva, presidente dos Bombeiros, tem para Valadares”, a “renovação deste Auditório, que não foi feito com palavras soltas, foi feito com dinheiros da autarquia local”, “no pavilhão do Miramar Império de Vila Chã, na Escola Básica da Capela, na nova bancada do Complexo Desportivo de Valadares, no Centro Cívico do Largo da Igreja de Valadares e na recuperação de muitos pavimentos. É por estes investimentos, que estão pensados pelo município, que eu aqui estou”.

Neste âmbito, o autarca revelou, ainda, que “julgo que alguns pretendem qualquer coisa da vida autárquica, mas eu nunca fui presidente a tempo inteiro, eu nunca recebi ordenado desde que estou aqui. Se calhar outros querem vir para cá, para receberem dinheiro. Eu nunca recebi vencimento de estar na Junta de Freguesia”, assegurando que “se tiver saúde e energia completarei cerca de 46 anos de autarca. 40 anos como presidente e 6 como secretário e tesoureiro”.

“Eu, enquanto presidente de Junta sempre pensei que era um dever antecipar-me ao planeamento municipal e vou entregar a todos um livro com projetos idealizados, por mim, na década de 90, para perceberem o que era o pensamento naquela época em e qual era o projeto de uma autarquia simples, como era a Freguesia de Gulpilhares e tudo o que ali está, com a exceção de uma coisa, foi concluído, com dinheiros da autarquia local”, explicou Alcino Lopes, esclarecendo, designadamente, que “quando aqui cheguei, em 1979, a primeira coisa que eu fiz foi começar a desenhar o que é hoje a Unidade de Saúde de Gulpilhares. Fui eu que continuei a ampliar o projeto para a Unidade de Saúde Familiar em Gulpilhares” e acrescentando que “esta autarquia, que pensa sempre à frente, vai comprar um terreno para uma nova unidade de saúde e não é nossa obrigação fazê-lo, compete ao Estado, ao Ministério da Saúde”.

O autarca recordou, ainda, que “quando cheguei a Valadares, em 2013, e fui convidado a visitar o Orfeão, encontrei-o desajustado à realidade, com espaços mal dimensionados, contrariamente ao que a lei determina e, na altura, tomei a decisão, juntamente com os meus pares, de que aquele edifício iria ser alterado. A Junta, sem que alguém pedisse, aprovou o projeto, pagou o projeto e estava disponível, também, para entrar no investimento do edifício. Não foi preciso, o senhor presidente da Câmara, sensibilizado por mim, disse que sim, que ia resolver o problema e o Orfeão de Valadares lá está”, sublinhando que “ninguém teve a ousadia de fazer aquilo que nós fizemos”.

Durante a intervenção, que foi pautada pela ironia, o presidente da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares enalteceu que “também porque nós somos frágeis e bacocos, eu consegui gratuitamente da Misericórdia do Porto, 6500 metros de terreno gratuitos”, ressaltando que “é património que nós temos”.

Também o Instituto Piaget foi referido por Alcino Lopes, que elucidou que “na altura, nós tivemos o arrojo de comprar um terreno por 89 mil contos, para se edificar uma escola superior de saúde, o nosso propósito não foi atingido (…), mas não é menos verdade que a nossa cedência ao Instituto Piaget, em direitos benefício, no caso do estabelecimento colapsar, tudo o que lá está edificado é nosso, um património incalculável, também, obviamente, estratégias de gente que não sabe o que está aqui a fazer, de certeza”.

Por fim, foi Joaquim Rocha, presidente eleito da Mesa da Assembleia da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, quem encerrou os discursos, afiançando que “estava convencido de que não iria ouvir aquilo que ouvi hoje, num ato de posse” e reforçando o compromisso do trabalho em conjunto.

“Eu, como presidente da Assembleia de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, serei o presidente de todos os membros eleitos”, declarou o eleito, revelando que “a Assembleia de Freguesia é o órgão representativo do povo e, como tal, tem um papel relevante no acompanhamento e desempenho, sobre o procedimento da sua Junta de Freguesia”.

Considerando que será um mandato exigente, o presidente da Mesa da Assembleia da União de Freguesias, aludiu “a desagregação das freguesias, os investimentos que o município irá fazer (…), o apoio social que se irá manter aos demais desprotegidos e carenciados, assim como a defesa do ambiente e meio ambiente, com a construção de corredores pedonais, junto às linhas de água e as novas transferências de competências nas áreas da educação e da saúde, são motivos mais do que suficientes para acreditarmos que este mandato será benéfico para as populações da nossa União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares e acreditem que nós continuamos dedicados às pessoas. Esta vai ser a nossa missão, neste mandato, fazer com que as pessoas acreditem nos políticos”.

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