As Festas em honra do Senhor da Pedra regressaram, depois de dois anos de interregno fruto da proliferação da Covid-19 em Portugal, e decorreram de 11 a 14 de junho, na Alameda. No dia 12, uma multidão assistiu às tradicionais rusgas, que foram organizadas pela União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, em parceria com a Confraria do Senhor da Pedra e o Rancho Regional de Gulpilhares, e contaram com a participação de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, Patrocínio Azevedo, vice-presidente da autarquia, coletividades e entidades civis.

 

 

As Festas em honra do Senhor da Pedra foram organizadas pela União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, com o apoio da Confraria do Senhor da Pedra e da Câmara Municipal de Gaia, e começaram no passado dia 11 de junho, na Alameda, com o humor de Óscar Branco, o Festival Nacional de Folclore, organizado pelo Rancho Regional de Gulpilhares, o concerto da Banda DNA e o espetáculo de fogo de artifício.

As rusgas ao Senhor da Pedra, que se assumem como sendo a epígrafe desta romaria, aconteceram no dia 12 de junho e contaram com a presença de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, Patrocínio Azevedo, vice-presidente da autarquia, Valentim Machado, presidente do Rancho Regional de Gulpilhares e Isabel Costa e Renato Ferreira, em representação da Confraria do Senhor da Pedra.

Assim, entre danças de roda e moda, cravos e camarinhas, o Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, o Rancho Regional de Gulpilhares, a Associação Recreativa de Francelos, o Orfeão Universitário do Porto e o Grupo Folclórico de Valadares participaram nesta tradição, que é secular e recriou, ao longo da manhã, um passado cheio de costumes.

Neste seguimento, Alcino Lopes, presidente da União de Freguesias de Gulpilhares e Valadares, fez questão de sublinhar, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que “as rusgas ao Senhor da Pedra são uma tradição secular, que a Junta de Freguesia faz questão de preservar, porque são uma forma de mantermos vivos os usos e costumes da época”.

Ressaltando o “forte investimento feito pela Confraria do Senhor da Pedra”, o autarca mencionou que “de facto, o Senhor da Pedra é uma festa que nos diz muito, assim como à comunidade, pelo que se não fosse realizado este ano, seria outra facada no sistema. Estes dois anos de interregno tiveram efeitos negativos, porque, se repararmos, muitos comerciantes que faziam aqui negócio deixaram de vir e foram para outras paragens e é importante termos aqui comércio, porque atrai, também, muitas pessoas. Portanto, esta festa foi uma forma de fazermos com que as pessoas tivessem vontade de regressar”.

Também o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, testemunhou esta romaria e cedeu à animação que se fez sentir, juntando-se aos mais diversos grupos que passaram pela Alameda do Senhor da Pedra, para vivenciar as danças, usos e costumes seculares. No final das rusgas, o edil salientou que esta é a primeira festividade “do ciclo de verão e tem sempre um lado simbólico e poético, pelo que representa para as pessoas, na sua dimensão mais original e histórica”, enaltecendo que “é um momento de partilha e nota-se o brilhozinho nos olhos das pessoas, porque não representa só o retorno deste evento e de outros tantos, é o retorno do convívio semanal dos ensaios, dos momentos de encontro, portanto não é a festa em si mesma, é tudo o que a ela está, previamente, associado e este ressurgir do movimento associativo, mais da área cultural do que desportiva, porque essa sempre se manteve muito ativa, é muito bom”.

Por conseguinte, Eduardo Vítor Rodrigues alertou, ainda, para os perigos da Covid-19, evidenciando que “é preciso não aligeirarmos, porque estava muita gente, de facto, mas as coisas não passaram e é preciso manter a responsabilidade e os cuidados entre o São João e o São Pedro”, porque “os números já estão muito elevados e a mortalidade parece estar a aumentar. Portanto, é preciso ter cautela com esta nova variante. As pessoas têm de se divertir, mas, sempre que possível, com muita atenção e sem prescindirem da máscara, sobretudo nos espaços fechados”.

O final das rusgas foi assinalado com a habitual troca de lembranças entre as individualidades presentes, a par da certeza de que, como aludiu Alcino Lopes, “no próximo ano, cá estaremos para recriar esta tradição secular”.

Posteriormente, decorreu a missa solene, contudo a festa continuou durante a tarde, terminando, apenas, de madrugada, contando, mais uma vez, com o humor de Óscar Branco, seguindo-se as atuações de Diogo Duran & Ana Rita, assim como de Augusto Canário e Amigos.

João Seabra e Miguel 7 Estacas proporcionaram um espetáculo de stand up comedy no dia 13 de junho, que antecedeu a atuação de Marcus, que encerrou a noite. Por outro lado, no último dia da romaria, aconteceu a eucaristia na Capela do Senhor da Pedra, às 11 horas, seguindo-se a procissão em honra do padroeiro, que se realizou às 17 horas.

Esta festa, que é uma das mais cantadas do país, mobilizou milhares de pessoas, que assistiram aos momentos musicais, às rusgas e à procissão, que parte sempre da Capela do Senhor da Pedra, no areal, bem junto ao mar, revivendo a história e eternizando os usos e costumes desta localidade.