O programa Erasmus, ( European Region Action Scheme for the Mobility of University Students  (Plano de Ação da Comunidade Europeia para a Mobilidade de Estudantes Universitários), é um plano de gestão de diversas administrações públicas, que apoia e facilita a mobilidade académica dos estudantes e professores universitários através do mundo inteiro. 

Este programa faz parte do Espaço Europeu de Educação Superior, existindo ainda o programa Erasmus +, um novo programa que combina todos os atuais planos da UE para educação, formação, juventude e desporto, e que iniciou em janeiro de 2014. Como diretor da licenciatura em Teatro da Escola Superior Artística do Porto/ESAP, tenho visitado várias instituições que se encontram ligadas aos nossos estudos em teatro em diferentes países europeus, nomeadamente, Bulgária, Ucrânia, Romeína, França, Lituânia, Eslovénia e Espanha, designadas todas elas como ESAD, escolas superiores de arte dramática.

Encontramos ESAD em Vigo, Múrcia, e Gijón/Astúrias. Na nossa ultima visita às Astúrias encontramos uma Escola pujante e renovada que procede historicamente do Instituto del Teatro y de las Artes Escénicas (ITAE), criado em 1985 pela Consejería de Cultura del Principado de Astúrias, para dar satisfação à necessidade duma formação teatral sólida manifestada pelo mundo da cena asturiana, A ESAD, nasce em 2002 e inicia o seu primeiro curso em 2003/2004, com dois cursos: Interpretação Textual e Direção/ encenação. No ano 2006 a ESAD se traslada, a sua nova sede em La Laboral, com mais de 5000 metros quadrados de superfície. Assim a ESAD passa a contar com umas excelentes instalações, não apenas por cumprir com todas as exigências técnicas e de espácios desejáveis, mas também porque a ala norte, onde a ESAD reside, é um dos locais mais belos do conjunto arquitetónico.

Igualmente, a escola conta com um corpo docente suficiente e capaz para um ensino altamente personalizado. Na ESAD, fomos recebidos pelo seu director o professor Joaquin Amores, actor e filólogo, e um grande apaixonado pela técnica do clown, e pelo professor Francisco Pardo coordenador do programa Erasmus nessa instituição. Na nossa visita, que incluía dois docentes da ESAP, Luísa Pinto e Roberto Merino, tivemos encontros com os alunos e professores para dar a conhecer a nossa instituição, os nossos cursos e as nossas investigações, afim de reformar o intercambio e relação entre professores e alunos em ambas instituições.

Tivemos ainda a oportunidade de assistir a um ensaio com alunos, de um projeto dirigido pelo docente Francisco Pardo que integrará a próxima homenagem que se realizará em Oviedo por motivo da entrega do Prémio Princesa das Astúrias das Artes 2019 ao grande encenador inglês Peter Brook. “Mestre de gerações e considerado como o melhor director teatral do século XX, Brook é um dos grandes renovadores das artes cénicas, com montagens de alto compromisso estético e social, tais como Marat-Sade e Mahabharata. Peter Brook abriu novos horizontes à dramaturgia contemporânea, contribuindo de forma decisiva para a troca de conhecimentos entre culturas tão diversas como as da Europa, África e Ásia. Brook continua a emocionar de forma intensa através de postas em cena de grande pureza e simplicidade, fiel ao seu conceito de ‘espaço vazio’”, escreveu o júri na acta.

Nascido em Londres, em 1925, formou-se em Arte no Magdalen College de Oxford e as suas primeiras montagens —  A máquina infernal (1945), de Jean Cocteau, King John  (1945), de Shakespeare, e Vicious circle  (1946), de Jean Paul Sartre — com apenas 20 anos de idade. Assume a direção da Royal Opera House de Covent Garden, entre 1947 e 1950, onde se destacou a sua produção da ópera Salomé, de Richard Strauss,   figurinos desenhados por Salvador Dalí. Em 1962 foi nomeado director do Royal Shakespeare Theatre, que abandona em 1970. fixou residência em Paris, em 1971, e funda o Centro Internacional de Investigação Teatral, designado atualmente como Centro Internacional de Criação Teatral. Dirige também, entre 1974 e 2010, o teatro parisiense Les Bouffes du Nord. Entre os seus muitos discípulos, o encenador português João Mota, do Teatro A Comuna/Lisboa.

Particularmente, e por ter visto muitos dos seus espetáculos, estou entranhadamente ligado ao seu legado e ao seu enorme contributo dado ao teatro ao longo da sua vida, espero que viva ainda muitos anos mais para bem do teatro e das artes cénicas!

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