Perante a perspectiva de uma recessão económica a nível mundial, confirma-se que o grande capital tenta tirar partido da situação para reforçar o seu poder económico e político e lançar contra os trabalhadores e os povos os custos de uma crise que se anunciava e que a pandemia veio tornar mais evidente.

Enquanto se verifica a queda do Produto Interno Bruto nos países capitalistas mais desenvolvidos, assiste-se a ganhos bolsistas significativos e ao aumento dos lucros de grupos económicos e financeiros multinacionais, ao mesmo tempo que aumenta a exploração, cresce o desemprego, o trabalho precário, o número de pessoas sem abrigo, a pobreza e a doença.

Agrava-se a situação em diversos países e regiões no mundo, através da ofensiva do imperialismo que prossegue e intensifica a sua política de ingerência e agressão, como em Cuba, Venezuela, Bolívia e Nicarágua, continuam as operações de mudança de regime como na Bielorrússia, numa perigosa acção que visa objectivos geoestratégicos e favorece as forças fascistas, como aconteceu na Ucrânia, prossegue a confrontação, ingerência e guerra contra os povos do Médio Oriente, casos da Palestina, Síria, Irão, Iémen e Líbano, intensifica-se a política de ingerência no Continente Africano, com operações de intervenção militar e de promoção de grupos terroristas, como no Mali ou no norte de Moçambique, visando a pilhagem dos recursos naturais e o impedimento de opções soberanas de desenvolvimento e relacionamento internacional dos respectivos países.

Destaca-se ainda o prosseguimento da corrida aos armamentos, a deslocação de forças militares dos Estados Unidos para a Polónia, sérias manobras de provocação e ingerência contra a Federação Russa e a escalada de confrontação e provocação contra a República Popular da China. O embaixador norte-americano em Lisboa com intolerável arrogância afirma que Portugal tem de escolher entre os amigos e aliados dos Estados Unidos e o parceiro económico China, alertando para que escolher a China em questões como o 5G pode ter consequências em matéria de Defesa. George Glass, embaixador em Lisboa, em entrevista ao Expresso, admitiu mesmo consequências em matéria de Segurança e Defesa para Portugal se o país escolher trabalhar com a China.

Ainda no nosso País e no plano político, intensifica-se a ofensiva antidemocrática com o afrontamento ao regime democrático, a exibição de projectos e agendas de extrema-direita, de teor fascizante com o beneplácito de políticos e comentadores,  e a elevação à Assembleia da República de um partido que perfilha estas ideias, contrariando o texto da nossa Constituição, factos estes a exigir uma resposta determinada e uníssona dos democratas e patriotas, assim contrariando todos aqueles que permissivamente encolhem os ombros perante as ameaças sérias e tornando imprescindível lutar intransigentemente pela defesa da soberania e da independência nacional, por uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos, em contraponto com a posição subserviente do Governo em matéria de política externa e de defesa, o que também colide com o texto da Constituição.

«A extensão e gravidade dos problemas que o País enfrenta exigem, a par de respostas e soluções para problemas imediatos, a adopção de uma política que rompa com a política de direita que ao longo de décadas os gerou e acentuou e que abra caminho a um outro rumo que assegure as condições para o desenvolvimento soberano do País, para superar os principais défices estruturais, valorizar os salários e direitos dos trabalhadores e elevar as condições de vida do povo. O que se exige é que se assuma uma viragem – a começar pelo Orçamento do Estado para 2021 – nas opções, critérios e prioridades que condicionam e em larga medida impedem, o desenvolvimento do País», conforme considera o Comité Central do PCP na sua última reunião.

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