A Confraria da Pedra realizou, no passado dia 27 de fevereiro, no Restaurante Castela, na Madalena, em Vila Nova de Gaia, um jantar tertúlia que reuniu 48 pessoas e teve como convidados de honra o médico de família Gerardo Silva e o dizedor de poesia David Cardoso.

A poesia foi o mote deste jantar tertúlia que juntou 48 Confrades de Honra, Confrades Honorários e convidados. José Carlos Leitão, Chanceler presidente da Confraria da Pedra, afirmou que “a Confraria é isto, é um grupo de homens e mulheres que se junta, normalmente, na última terça-feira de cada mês e que tem apenas e só um objetivo que é perpetuar a memória do pedreiro. O nosso desígnio é mesmo este, é defender e fazer perpetuar a memória de quem trabalhou na pedra com muita dureza e com muita nobreza”.

Amizade, solidariedade e memória são as palavras que identificam esta instituição que foi fundada no dia 12 de julho de 2001 e dignifica a indústria da pedra e a arte de pedreiro.

“A Confraria é este grupo de pessoas e é este sentimento de amizade e de solidariedade” revelou o Chanceler que deu início à tertúlia e passou a palavra ao convidado de honra Gerardo Silva que demonstrou o seu contentamento e referiu “eu sou médico de família, não sou um pedreiro, mas sou dedicado a todas as pessoas que me procuram. Aliás eu dediquei e continuo a dedicar a minha vida às pessoas”.

Posteriormente, José Carlos Leitão disse “sintam-se desafiados, porque hoje vamos declamar poesia” e direcionou a sessão para o convidado de honra David Cardoso que “não é poeta, é mais um dizedor de poesia”.

“Eu costumo dizer aos meus amigos que vim num barco rabelo e atraquei no Cais de Gaia”, declarou David Cardoso, que acrescentou, durante a sua apresentação, que “fui remador do Fluvial, fui banqueiro, fiz teatro e cinema e declamo poesia”.

O dizedor de poesia declamou, ao longo do jantar tertúlia, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Guerra Junqueiro, Alberto Cortez, Manuela Bulcão, Jorge de Lima, António Lobo Antunes e cantou Tristão da Silva.
“Nós quando escolhemos um poema é porque ele nos diz alguma coisa e é isso o que eu tenho sempre fazer”, contou David Cardoso desafiando os presentes a dizer poesia.

Perante o repto, os Confrades José Emílio e Ângela Almeida e o convidado de honra Gerardo Silva, contaram histórias e recitaram lira.

Também Manuela Bulcão declamou um poema da sua autoria, que foi publicado recentemente no livro intitulado “Este mar que nos une”, e narrou, em primeira mão, um texto que “vai fazer parte do meu próximo livro de cartas de amor”.

Foi mais uma noite cultural de excelência, na qual o pintor e Confrade Abílio Guimarães informou que a sua próxima exposição, denominada “O viajante nas Confrarias”, vai decorrer no próximo dia 23 de março na Casa-Museu de Oliveira de Azeméis e ofereceu uma réplica “assinada por mim do trabalho que eu fiz do veleiro mais bonito do mundo, que é o Amerigo Vespucci. Esta imagem vai ser sorteada. Eu praticamente só tenho duas ou três imagens destas, mas dou esta réplica com muito gosto e desejo que as pessoas conservem e respeitem este trabalho”. Neste seguimento, o Chanceler presidente da Confraria da Pedra procedeu ao sorteio da imagem, que foi entregue à Confrade Ângela Almeida.

Durante a tertúlia, José Carlos Leitão enalteceu, a propósito da viagem à Ribeira Grande, na Ilha de São Miguel, que “fomos 30 Confrades aos Açores e tivemos um protagonismo muito acima da média. Desde logo, o Abílio Guimarães foi receber um prémio, o Manuel Carvalho foi entregar um prémio, o Joaquim Leite também foi entregar um prémio, o João Paulo Correia também lá foi receber um prémio e, depois toda a Confraria da Pedra subiu ao palco para entregar o Troféu Solidariedade, eu acho que foi um momento alto também da Gala. Na véspera da Gala participamos no Cantar às Estrelas, fomos integrados na Escola Profissional da Ribeira Grande, percorremos 800 metros e foi muito bonito, foi excelente e foi uma noite inesquecível”.

A Confraria da Pedra aproveitou ainda a ocasião para atribuir um Diploma de Reconhecimento a Gerardo Silva, David Cardoso, Manuela Bulcão e Aurea Cardoso.

José Carlos Leitão anunciou, à margem do jantar tertúlia, que a Confraria da Pedra vai organizar um Jantar Solidário no próximo dia 28 de maio, na Quinta da Torre Bella em Oliveira do Douro, cujas verbas vão reverter uma ou mais instituições de crianças portadoras de deficiência, e reforçou o apelo para que o evento seja verdadeiramente marcante e memorável.

“No último Jantar Solidário nós angariamos 17300 euros, que reverteram a favor da CerciGaia. O objetivo é, de facto, ultrapassar esse valor no próximo Jantar e atingir os 20 mil euros, ainda que seja cada vez mais difícil, porque os apoios poderão não ser os mesmos, mas objetivamente temos de trabalhar para que se possa angariar um valor razoável, para que valha a pena mesmo. O nosso intuito é mesmo ajudar as pessoas e esta parceria com a Câmara Municipal de Gaia não será bem com a autarquia, será mais com os nossos Confrades, o professor Eduardo Vítor Rodrigues e o engenheiro Patrocínio Azevedo, que lá estão e que têm conhecimento da realidade das instituições. É importante nós trabalharmos em rede e vai ser com eles, que conhecem a realidade das instituições, que vamos encontrar uma ou duas instituições que tenham crianças com deficiência”, sublinhou o Chanceler presidente da Confraria da Pedra, acrescentando que “o Fernando Pereira vai ser outra vez cabeça de cartaz. Eu estou absolutamente convencido de que a Noa, a cerca de uma semana de ser mãe, também vai emparceirar e que a dupla Quim Roscas e Zeca Estacionâncio também vai participar e que nós conseguimos fazer, muito facilmente, 20 mil euros para crianças com deficiência”.

O 18º aniversário da Confraria da Pedra vai ser celebrado no próximo dia 12 de julho. O Chanceler da instituição adiantou que no aniversário “vamos honrar a memória dos pedreiros, vamos honrar quem com muita dureza e muita nobreza trabalhou na pedra e vamos honrar os nossos 18 anos” e que “este ano temos como grande objetivo interno a nossa filiação na Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, não sendo gastronómicos, não sendo enófilos, mas todos nós gostamos de comer e de beber e comer e beber é um ato cultural, pelo que nós sendo uma Confraria cultural também achamos que temos uma palavra importante a dizer e vamos estar lá, até em homenagem a presidente Olga Cavaleiro, porque temos um relacionamento bonito com ela, de enorme respeito e de responsabilidade”.

José Carlos Leitão concluiu, salientando que “a Confraria da Pedra é algo que nos une, porque nós estabelecemos com estas pessoas um grau de cumplicidade muito grande. Eu tenho, nesta liderança de 18 anos, a amizade de todas estas 50 ou 60 pessoas e isso é, de facto, algo de que me orgulho. Nós somos muito solidários, acreditamos naquilo que fazemos e estamos muito felizes”.

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