A Associação Agrícola de São Miguel relatou o ataque e morte de dezenas de bovinos, maioritariamente, vitelos com menos de um ano de idade, causados por cães vadios. Apesar da situação já ser lamentável, Jorge Rita, presidente da Associação, teme que outros problemas possam acontecer, nomeadamente debandadas e ataques destes cães a civis. A Câmara Municipal da Ribeira Grande já está ocorrente da situação e a mover esforços para solucionar o problema. Apesar de já ter conseguido identificar a matilha, que terá cerca de 20 animais, até ao momento ainda não conseguiu capturar nenhum, até porque o grupo se movimenta entre concelhos circunvizinhos à Ribeira Grande.

 

 

 

A Associação Agrícola de São Miguel enviou uma nota de imprensa, no passado dia 10 de agosto, a dar conta da sua preocupação “relativamente à ocorrência de vários ataques de cães vadios a bovinos, maioritariamente vitelos, em algumas pastagens entre as freguesias da Maia à Lomba de São Pedro, no concelho da Ribeira Grande”.

Segundo a nota, já haviam sido mortos mais de 20 animais, no entanto, em declarações ao Jornal AUDIÊNCIA, Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, afirmou que, nas últimas semanas, esse número já aumentou e serão, pelo menos, mais de 30 as mortes de vitelos, na sua maioria, com menos de um ano de idade, e outros tantos terão sobrevivido, mas ficado feridos. “Esta situação lamentável, tem provocado prejuízos a vários produtores, fazendo com que estes manifestem grande preocupação e receio quanto ao bem-estar e segurança dos seus animais”, podia ainda ler-se na nota de imprensa.

A Associação Agrícola pedia, no texto, que a Câmara Municipal da Ribeira Grande e as entidades governamentais competentes tomassem “medidas relativamente à recolha destes cães vadios (…) de forma a resolver este flagelo”. Além disso, a nota apelava ainda à população para que não abandonasse os seus animais, para evitar situações como estas, no futuro.

Jorge Rita, em conversa com este órgão de comunicação, deu conta de que as preocupações da Associação Agrícola de São Miguel são, em primeiro lugar, para com os seus membros e os animais, no entanto, relatou como esta situação pode trazer riscos para outras pessoas ou causar situações ainda mais complicadas do que as que já estão a acontecer. “A preocupação não é só para com os animais que estão a morrer, é aquilo que eles [cães vadios] podem causar nas explorações. Por exemplo, se se colocarem atrás das vacas e elas saírem em debandada, vierem para as vias rápidas e para as estradas? Os prejuízos que uma debandada pode causar são incalculáveis. Para além de que, nós sabemos, que esses animais, tendencionalmente, são agressivos quando alguém pisa o risco no espaço deles. Existem muitos trilhos, há muitas pessoas a passear em toda a ilha, e pelo interior da ilha, que podem ser confrontados com esses animais e podem ser mordidos”, enumerou Jorge Rita.

Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, contou que ficaram a saber do problema por uma nota enviada pela Associação Agrícola de São Miguel e, desde o primeiro momento, estão a tentar encontrar uma solução para a problemática. “Essa matilha já foi localizada, é uma matilha de cães vadios que circula entre vários concelhos, nomeadamente, Ribeira Grande, Nordeste, Vila Praia do Campo e Povoação, e, por isso, não tem sido fácil a sua captura. Temos unido esforços juntamente com o nosso canil municipal, o nosso veterinário, e a PSP local para, precisamente, colocarmos em marcha uma campanha de captura desses animais. Estamos a falar à volta de 20 animais”, disse o autarca.

Apesar da preocupação demonstrada pela Associação Agrícola, Alexandre Gaudêncio garantiu que não receberam mais nenhuma queixa formal de civis relatando ataques destes animais e assegurou que a Câmara e as entidades responsáveis estão a monitorizar as movimentações destes animais, bem como os ataques que os agricultores vão relatando.

Tanto Alexandre Gaudêncio como Jorge Rita acreditam que a captura é a solução, mas o edil ribeiragrandense confessou que a movimentação dos animais tem dificultado essa ação.

No dia 24 de agosto foi agilizada uma reunião entre a Associação Agrícola de São Miguel, a Câmara Municipal da Ribeira Grande, o Diretor Regional da Agricultura e a PSP local, de forma a ser articulada alguma solução para este problema, no entanto, até à data, as entidades ainda não conseguiram capturar nenhum animal.