O presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos, faleceu no passado dia 12 de março, devido a doença prolongada. O autarca tinha 74 anos e estava no seu terceiro e último mandato à frente dos destinos da terra que o viu nascer. As cerimónias fúnebres realizaram-se no passado dia 14 de março, na Igreja de Santa Maria de Campanhã, e juntaram centenas de individualidades dos mais diversos quadrantes políticos e de várias regiões do país, assim como entidades civis, militares, amigos e familiares.

 

 

Ernesto Santos nasceu em maio de 1947, no Bairro de São João de Deus, em Campanhã, freguesia onde sempre viveu e trabalhou. Teve uma vida associativa bastante ativa, fazendo parte da primeira Comissão de Moradores do Bairro de São João de Deus e da Comissão Central dos Bairros Camarários. Foi, também, diretor da Associação de Futebol do Porto, durante cerca de 20 anos.

Em 1976, foi candidato independente à Assembleia Constituinte e em 1993 eleito como independente nas listas do PS, partido a que se juntaria em 2000, para a Assembleia de Freguesia de Campanhã. Em 1997, acabou mesmo por fazer parte do executivo, como vogal, mais tarde como tesoureiro, depois secretário, até chegar a presidente, cargo que ainda ocupava.

Com uma vida de conquistas e de amor em prol da sua freguesia, o autarca foi distinguido, em 2016, pelo AUDIÊNCIA, com o Troféu Presidente de Junta, pela função que desempenha, de forma exemplar, desde 2013. Tendo sido novamente galardoado por este órgão de comunicação social, em 2022, com o Troféu Prestígio 2021.

O edil faleceu no passado dia 12 de março, com 74 anos, vítima de uma doença prolongada. Neste seguimento, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, decretou um dia de luto municipal, a 14 de março, data em que decorreram as cerimónias fúnebres.

O AUDIÊNCIA lamenta o óbito de Ernesto Santos, que sempre apoiou a comunicação social regional, e fez questão de marcar presença no momento da despedida, prestando-lhe uma homenagem.

Foi com o átrio e a Igreja de Santa Maria de Campanhã repletos de centenas de individualidades que se iniciaram as solenidades. O céu rendeu-se à tristeza que se fazia sentir na localidade e na cidade Invicta e com o vento voaram elogios ao eterno presidente. Caracterizado por muitos como sendo um “bom homem”, “humilde”, “amigo”, “solidário” e “genuíno”, Ernesto Santos era, seguramente, um homem apaixonado pelo associativismo e pela comunidade.

Segundo afirmou Manuel Pizarro, presidente da Federação Distrital do Porto do PS, ao AUDIÊNCIA, “o Ernesto Santos era uma figura de referência. Era um homem que nasceu num período muito difícil, pouco depois da II Guerra Mundial, em 1947, no seio de uma família muito humilde. Ele era o mais novo de seis irmãos e foi o primeiro dos irmãos a aprender a ler e a escrever, o que dá uma imagem do esforço que ele fez para a sua vida. Morava no Bairro São João de Deus, a mãe era viúva, era peixeira e morava com os seis filhos numa casa só com um quarto. O Ernesto foi, desde muito jovem, um resistente, um lutador, que participou, ainda, no combate contra a ditadura fascista e a seguir ao 25 de Abril notabilizou-se no Movimento dos Moradores dos Bairros Camarários do Porto e, muito mais tarde, na década de 90, aproximou-se do Partido Socialista e tornou-se uma figura de referência para nós, para a Freguesia de Campanhã e para o PS. Foi, sempre, um homem que esteve em todos os combates que lutavam pela liberdade, pela democracia, pela justiça social e pelo progresso. Ele vai fazer-nos muita falta no dia a dia, mas, ao mesmo tempo, vai ser, sempre, uma inspiração no nosso combate, por um futuro melhor”.

Para Marco Martins, presidente da Câmara Municipal de Gondomar, “é uma perda muito grande para Campanhã, para o Porto, para o Partido Socialista e para todos nós, que defendíamos valores. Eu trabalhei durante muitos anos na Junta de Freguesia de Rio Tinto, quando ele estava em Campanhã, na altura como membro do executivo e, depois, mais tarde como presidente. Tínhamos muitos projetos em comum, nesta ligação de Rio Tinto a Campanhã e de Gondomar ao Porto e é uma perda muito grande, é um amigo que se parte”.

Também António Fonseca, ex-presidente da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, fez questão de revelar ao AUDIÊNCIA, que “eu conhecia o Ernesto já há vários anos. O Ernesto é uma pessoa de Campanhã, genuíno e era uma pessoa que vivia muito a freguesia e tomava muito a peito a freguesia. Portanto, eu conheci-o mesmo antes dele ser autarca e acompanhei todo este percurso dele. Ele já ia no seu terceiro mandato como presidente, já com algumas dificuldades de saúde, mas sempre ativo, sempre preocupado com a sua população. Independentemente das questões políticas, pois nós temos linhas completamente diferentes, ele fazia o melhor possível e acreditava que podia fazer isso. Como tal, Campanhã perde um bom presidente e, sobretudo, um bom homem e lamento muito o falecimento dele. Ele tinha 74 anos e ainda tinha muito a dar. Eu acho que Campanhã perde uma referência, pois ele vivia mesmo o trabalho que fazia e vivia as preocupações da freguesia, porque era um homem do terreno. Poucas palavras posso acrescentar mais, a não ser dizer que morreu um bom homem”.

Por outro lado, o ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, Joaquim Leite, enalteceu que “o Ernesto era uma pessoa que nos habituou a sermos sempre solidários e amigos uns dos outros. Apesar da concorrência que havia entre as cores partidárias, este presidente foi uma pessoa que sempre nos soube respeitar e nós também o respeitávamos. E, hoje, a prova disso é que tem, aqui, um funeral digno, por aquilo que ele fez pela freguesia e pela pessoa que era, também, para os mais necessitados. Lamentamos uma morte assim tão prematura, mas que Deus o tenha em eterno descanso e que todos lhe prestem a homenagem que ele merece. Mais um homem bom que desaparece, mas, também, estou convencido de que a Junta de Freguesia tem um substituto à altura, para dignificar o serviço que ele deixou à comunidade”.

Os destinos da Junta de Freguesia de Campanhã ficarão nas mãos de Paulo Ribeiro, que se comprometeu a honrar e a dar continuidade ao projeto iniciado por Ernesto Santos. “Eu dei-lhe a minha palavra de que o faria. Há muita coisa que nós tínhamos pensado, os dois juntos, e é para continuar. Todos os membros do executivo estão de acordo e nós vamos terminar este mandato, em nome do Ernesto. Ele já tinha os seus objetivos para Campanhã idealizados, já estava tudo traçado e estão todos conscientes disso, pelo que nós vamos honrá-lo, dando continuidade ao seu trabalho e concretizando os seus anseios”, garantiu o sucessor, sublinhando que “hoje é um dia mais triste, porque o Ernesto era como um pai para mim. Eu acompanho-o há muitos anos e fui eu que estive por trás da inscrição dele no PS. O Ernesto era um homem com «H» maiúsculo, mesmo. Amigo do seu amigo, solidário, acompanhava as pessoas da freguesia e ajudava toda a gente. Assim, perdeu-se um homem grande desta freguesia. Hoje é difícil dizer mais alguma palavra, pois só tenho de agradecer ao Ernesto pelo acompanhamento que tive junto dele, ao longo destes anos todos, tanto no executivo, quando ele era tesoureiro e vice-presidente, como quando ele era presidente. Eu já trabalho com ele há alguns anos e sempre foi um homem notável, em prol desta freguesia. Ao Ernesto, eu só posso dizer que ele fez tudo pela freguesia, fez tudo pelo país e fez tudo pela cidade do Porto. Foi dirigente na Associação de Futebol do Porto e fez tudo pelas coletividades desta freguesia e da cidade do Porto. Eu só tenho de lhe agradecer, por tudo o que ele me ensinou”.