“Achadinha Com(n)vida” foi uma atualização do Projeto Família que acontecia, anualmente, na freguesia e que consistia num passeio a Sete Cidades, onde havia porco no espeto e muita animação. Este ano, a inovação fez com que a festa fosse feita na própria freguesia, entre os dias 26 e 28 de agosto, sendo que o porco no espeto não faltou e o Chico Moreno ainda abrilhantou o arraial. O autarca considerou o novo formato uma melhoria e apenas deseja que, quando o seu mandato acabar, esta iniciativa não tenha fim, porque considera-a benéfica para a população.

 

 

 

Este ano, entre os dias 26 e 28 de agosto, a Freguesia da Achadinha, no concelho do Nordeste, organizou a primeira edição do “Achadinha Com(n)vida”, inserido no Projeto Família. Normalmente, a Junta de Freguesia realizava uma viagem de autocarro a Sete Cidades, onde havia porco no espeto e muita diversão, no entanto, António Medeiros, autarca da Achadinha, e o seu executivo mudaram o formato este ano. “Decidimos fazer na freguesia, porque aqui todas as pessoas têm disponibilidade de ir, algo que não acontecia quando íamos nos autocarros. Foi um sucesso, apesar do tempo não ter ajudado muito, mas correu muito bem e teve a adesão do público”, ressaltou o presidente da Junta de Freguesia.

A festa, que antes acontecia apenas num dia, teve, assim, a oportunidade de se estender por um fim de semana completo. No dia 26, ao final da tarde, houve um torneio de futsal e à noite atuou o grupo musical “Nova Era”. No dia seguinte a tarde foi de animação para os mais novos, uma vez que houve pula-pulas e muitos jogos, seguindo-se os dois porcos no espeto que fizeram as delícias dos fregueses. Nessa noite, o artista Chico Moreno subiu ao palco e o autarca garantiu que “tirando o José Malhoa, em 2009, esta foi a vez em que mais pessoas estiveram a assistir a uma atuação na freguesia”. No domingo, dia 28 de agosto, além do escorrega aquático que animou a tarde da Achadinha, as encomendas de malassadas foram imensas.

Os porcos foram oferecidos por Fernando Rocha, um recém-habitante da Achadinha que se tentou, desta forma, envolver na vida ativa da freguesia. ”Vim da América, de um bairro onde 70% da população era micaelense. Lá já gostava das festas, porque fui presidente, durante muitos anos, de uma sociedade de música e fazíamos, muitas vezes, iniciativas idênticas a esta”, explicou o benfeitor.

“Eu e os meus colegas acreditamos que foi uma melhoria face a anos anteriores. Acabamos por trabalhar mais dias, mas foi na nossa freguesia, enquanto no passeio tínhamos de envolver outras pessoas, tínhamos de pedir, por exemplo, à Junta de Freguesia de Sete Cidades o espaço, a Câmara Municipal de Ponta Delgada cedia os toldes, a logística era mais complexa, era um dia muito complicado”, referiu António Medeiros, asseverando que o balanço foi muito positivo, tanto que já se pensa na próxima edição. “Já estamos a trabalhar com alguns patrocinadores para ver se, para o ano, trazemos um artista com mais renome. Infelizmente, os artistas estão muito caros, mas se começarmos a preparar já, para apanhar passagens baratas e tudo, pode ser que se consiga trazer uma coisinha boa”, concluiu.

O presidente da Junta de Freguesia da Achadinha só tem um desejo para o futuro deste evento: que não acabe. “Gostava que, quando acabasse o meu mandato, quem viesse desse continuidade, porque o Projeto Família também já vem do executivo anterior e sou da opinião do que é bom, mantem-se. É verdade que fizemos num formato diferente, mas mantemos, e espero que quem vier mantenha, porque, ao fim ao cabo, as pessoas precisam de distrair-se, precisam de animação”, terminou.

 

O Natal já está à vista

O presidente acabou por referir questões estruturais da freguesia, como o término dos programas ocupacionais e do quanto isso prejudica o trabalho das Juntas de Freguesia, nomeadamente nas questões da limpeza, porque “uma região que investe no turismo tem de nos dar condições para tratarmos os espaços, para que as pessoas venham e vejam que está tudo limpo, por isso, se nos tiraram os programas ocupacionais, que nos deem, nos orçamentos, valores para contratar dois funcionários como deve de ser”. Aliado a isto, o autarca ainda acrescentou que o Nordeste “tem de ser olhado de maneira diferente, porque é um concelho disperso, não tem muitas indústrias para oferecer serviço”, sendo que a falta de habitação também é uma realidade, e assim torna-se difícil fixar os jovens na freguesia.

Dificuldades à parte, a Achadinha já está com o pensamento na próxima grande festividade do ano: o Natal. “O nosso presépio é uma réplica da freguesia dentro do salão paroquial. Todas as casas da freguesia estão lá, com as cores originais, e as pessoas reconhecem as casas, as ruas, tudo”, sublinhou António Medeiros. A iniciativa tem tido um enorme sucesso, garantiu o edil, que afirmou que já tiveram mais de 3000 visitas. “Dá muito trabalho, mas, não há nada sem trabalho e quando as pessoas vêm, apreciam e dão valor, vale a pena”, disse, lembrando que também costumam “pôr umas barraquinhas com produtos da freguesia, porque há pessoas que fazem mel, outros fazem licores e assim ajudamos as pessoas”. À entrada é cobrado o valor de um euro, que reverte para o aluguer do salão paroquial, sendo que ainda ficam habilitados a um sorteio, cujo prémio foi, no último ano, uma viagem para duas pessoas a outra ilha do arquipélago açoriano à escolha.