O dia 22 de julho ficou marcado como a data em que a Companhia de Bombeiros Sapadores de Gaia passou, oficialmente, a Batalhão de Sapadores Bombeiros. Numa simbólica cerimónia, que aconteceu na PraÇa e contou com a presença de José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, foram trocados os guiões e feitos discursos que enalteceram o trabalho dos Sapadores nos seus 183 anos de existência, bem como destacaram a sua importância para os desafios que o futuro reserva.

 

 

 

A Companhia de Bombeiros Sapadores de Vila Nova de Gaia passou a Batalhão de Sapadores Bombeiros. A cerimónia que oficializou a passagem aconteceu no passado dia 22 de julho, na PraÇa, e, além da presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e do vereador da autarquia com o pelouro da Proteção Civil, José Guilherme Aguiar, a cerimónia contou com a comparência do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, e da secretária de Estado com o mesmo pelouro, Isabel Oneto. Estiveram também presentes todos os vereadores da Câmara de Gaia, diversos presidentes de Juntas de Freguesia do concelho, representantes das Companhia de Bombeiros Voluntários do município, bem como entidades civis, associativas, militares e religiosas de Gaia e do Porto.

José Viana, comandante interino do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Vila Nova de Gaia, foi o primeiro a usar da palavra frente à vasta audiência. “A vossa presença nesta importante cerimónia enche-nos de orgulho e satisfação e demonstra a importância, o carinho e a consideração de vossas excelências têm por este corpo de bombeiros e por todos os bombeiros sapadores que aqui cumprem a sua missão, todos os dias, nas 24 horas e 365 dias por ano”, começou por referir José Viana. O responsável pelo Batalhão descreveu o dia 22 de julho como inesquecível e uma marca nos 183 anos de história dos Sapadores de Gaia.

“Garantir a proteção e o socorro das pessoas, dos animais, dos bens e do ambiente, atuando em todo o Município de Vila Nova de Gaia”, foi sempre essa, e continua a ser, a missão dos bombeiros sapadores, e o comandante interino ainda destacou a quantidade de população e as caraterísticas do território que servem para reforçar a importância dos seus homens e do trabalho que, diariamente, desempenham. “Desde cheias, inundações, galgamentos costeiros, incêndios urbanos e industriais, acidentes rodoviários, ferroviários, salvamentos aquáticos aos incêndios rurais, no último ano, ainda perante uma situação pandémica, os bombeiros sapadores conseguiram manter a sua total operacionalidade, assegurando o socorro em todo o território de Vila Nova de Gaia, efetuando 6592 operações de proteção e socorro”, enumerou.

José Viana enalteceu o apoio do município, mas chamou, sobretudo, a atenção dos presentes para os problemas atuais do ambiente. “As alterações climáticas representam, provavelmente, o maior desafio que a humanidade enfrenta para o futuro. A prevenção, cada vez mais, desempenha um papel fundamental na proteção das populações perante fenómenos que não controlamos. Podemos não evitar o impacto na nossa população ou no nosso território, mas podemos e devemos minimizá-lo”, referiu o comandante interino do novo Batalhão de Sapadores Bombeiros.

Referindo que é um homem orgulhoso por liderar uma equipa de profissionais e homens extraordinários, José Viana terminou a sua intervenção afirmando que “vamos continuar firmes, persistentes e presentes no cumprimento das nossas missões, fazendo mais e melhor em prol das pessoas e do município que servimos”.

Para materializar a passagem da Companhia de Bombeiros Sapadores a Batalhão de Sapadores Bombeiros procedeu-se à troca de guiões.

Depois do momento simbólico, tomou a palavra Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, referindo que “este momento é primordial para prestigiarmos a nossa história e garantirmos um corpo de proteção e socorro ao nível do que melhor existe por essa Europa fora”. O autarca gaiense fez questão de destacar que desde que o seu executivo tomou posse, em 2013, assumiu o objetivo de contrariar o processo de desvalorização e degradação da qual a Companhia de Bombeiros Sapadores era alvo, enumerando vários investimentos feitos pela Câmara: “alocamos recursos municipais significativos à reparação das viaturas, por etapas e de acordo com as disponibilidades financeiras; adquirimos uma nova VUCI e uma nova VFCI, num investimento de mais de 500 mil euros, e uma nova viatura de transporte de emergência; avançamos com uma nova obra para localização da Polícia Municipal, a nossa próxima prioridade, libertando o espaço para os Sapadores; avançamos com a nossa comparticipação e empenho para a candidatura da AMP para novos fardamentos e material de proteção pessoal; avançamos para um projeto de requalificação do quartel; avançamos com a uma nova recruta e implementamos uma central de comando e operações de última geração. Concretizamos, recentemente, a aquisição de uma nova autoescada ou plataforma elevatória para socorro, reforçando a capacidade operacional na emergência e no socorro”.

Eduardo Vítor Rodrigues mencionou, também, os desafios do território gaiense, destacando desde os 15 kms de costa marítima aos 21 kms de orla ribeirinha, bem como as zonas industriais, a malha urbana complexa e o centro histórico de difíceis acessos. “O Batalhão de Bombeiros Sapadores de Gaia não é composto por meros e redutores funcionários públicos, é uma equipa de socorro e proteção, agentes de solidariedade e verdadeiro serviço ao próximo, gente com sentido do apoio e de uma missão imprescindível na sociedade. É uma estrutura pública, porque recebe o dinheiro dos impostos que o povo paga, mas é sobretudo pública porque tem uma missão inigualável na sociedade”, disse o edil.

Prometendo não passar um ano sem investir no Batalhão, enquanto estiver à frente dos destinos de Gaia, o presidente terminou com uma mensagem para os efetivos: “não vos desejo bom trabalho, porque vós não sois trabalhadores; desejo-vos bom serviço, porque vós sois verdadeiros servidores da nobre causa pública”.

Por fim, foi José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, a parabenizar o novo Batalhão de Sapadores Bombeiros do país. “Diria que é um momento de consolidação da já longa maturidade desta corporação de bombeiros, com esta passagem do estatuto de Companhia ao estatuto de Batalhão (…) é o reconhecimento pela capacidade ímpar que têm demonstrado ao longo destes 183 anos ao serviço da comunidade”, declarou.

À semelhança do comandante José Viana, também o ministro referiu a nova problemática das alterações climáticas, lembrando do papel das forças de segurança, nomeadamente dos bombeiros, para combater esse flagelo. “Num contexto em que já todos somos confrontados, e não restam dúvidas, dos efeitos das alterações climáticas, que desencadeiam fenómenos naturais mais extremos, com consequências cada vez mais violentas, esta é, e tem de ser cada vez mais, uma prioridade de todos: do Governo, passando pela articulação e partilha de conhecimento com entidades internacionais, pelas comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas, que devem trabalhar em conjunto para fazer face a fenómenos que não conhecem fronteiras territoriais, pelos presidentes de câmara, pelos comandantes de bombeiros, por todos nós. Porque todos somos Proteção Civil e todos fazemos parte deste imenso batalhão”.

O ministro ainda enumerou os serviços em qual a Companhia de Bombeiros Sapadores de Gaia participou durante o ano de 2021, para reforçar a sua qualidade e importância. “Participou em 253 incêndios urbanos, 209 acidentes rodoviários, 119 incêndios rurais, 38 incêndios industriais, 14 salvamentos aquáticos ou o combate à vespa asiática. Foram, também, decisivos no apoio nos centros de vacinação, durante esse outro combate, que ainda não vencemos, à pandemia por COVID-19”, asseverou.

José Luís Carneiro mencionou que os ativos deste novo Batalhão “transportam consigo o legado dos seus antepassados e representam, também, o futuro. São uma nova geração, preparada para os desafios dos novos tempos, para esses riscos cada vez mais exigentes. Uma geração preparada que conta também com mais equipamento, mais apoio técnico”. Por fim, o ministro destacou que “esta dimensão de proteção e socorro altamente especializada e profissional é absolutamente crucial para toda a comunidade”.