O actual presidente dos Estados Unidos costuma rotular alguns dos congéneres mundiais como animais, criminosos e aventureiros, esquecendo-se de que ele próprio é o paradigma das condições aos outros atribuídas, não só pela governação errática e suas nefastas consequências, mas também pela boçalidade das expressões e comportamentos que utiliza. Porém e se quisermos ir mais longe, atribuir-lhe-emos o epíteto de chefe da máfia, seguindo a qualificação dada pelo antigo director do FBI recentemente demitido.

A última «façanha» teve por alvo e mais uma vez a Síria, País soberano, que Trump decidiu agora bombardear selectivamente, com pompa, circunstância e avisos prévios, apesar de antes ter declarado que iria retirar as tropas estado unidense do terreno, justificando esta actual acção com a necessidade de eliminar fábricas de produtos químicos supostamente utilizados pelo exército sírio em Douma contra os rebeldes, leia-se terroristas, mas que atingiriam propositadamente a própria população, narrativa posta a circular «Urbi et Orbi».

Este pretexto, já utilizado anteriormente no Iraque, mas também na Líbia, Afeganistão, Iémen, Somália, Sudão, sob outros motivos todos eles meras invenções, carecia de comparsas para se tornar legítimo aos olhos dos povos e nesse sentido nada melhor do que colocar a Europa no grupo, representada pela Grã-Bretanha e França, países coniventes com as aventuras criminosas do presidente Trump, sempre prontos a embarcar no belicismo gratuito.

Precisamente um pouco antes da comissão criada pela ONU, para verificar a veracidade da existência de armas químicas, entrar em funções com toda a liberdade de movimentação no solo sírio, dá-se o bombardeamento profusamente noticiado e com fotos ou vídeos das tais fábricas reduzidas a cinzas.

Curiosamente, desse massivo e selectivo bombardeio não resultou qualquer nuvem tóxica que, a existir, traria profundas e graves consequências para a população síria, pois as ditas fábricas estariam repletas de bombas prontas a utilizar.

Esta casta de estadistas ou governantes leva-nos a avaliar a nova época, americana e europeia, como o início do Outono Ocidental com todas as repercussões que daí resultarão. Se bem nos lembramos, não eram muitos os esclarecidos que vaticinavam a eleição do actual presidente dos EUA, também frequentemente esquecidos da experiência antiga de optar pelo mal menor, sem a nenhum observatório ocorrer a ideia de que a mudança de época corresponderá, pelos antecedentes, a um esquecimento da história longa dos EUA, suficientemente longa para que um povo tenha desenvolvido e consolidado a identidade de nação, sem diferenças contraditórias dos vários grupos, incluindo etnias e culturas, que se fundiram sob tal valor.

A rutura dos tratados em vigor, que logicamente é deduzida das declarações e cooperadores escolhidos pelo eleito, a displicência em relação às obrigações com o Ocidente e o mundo medida pelo critério financeiro, a indiferença em relação ao destino da Terra e aos tratados assumidos, inspirada pelos programas económicos e superioridade do mercado, a divisão étnica com história desde que foi iniciado o povoamento do território, tudo parece ter inspirado o discurso, já antigo, com que Obama, em fins de mandato, gritou «somos todos americanos».

A patranha falha na consistência à medida que surgem testemunhos que denunciam que as imagens divulgadas pelos chamados Capacetes Brancos são uma fabricação, pese embora Donald Trump, Teresa May e Emmanuel Macron insistirem em apresentar como «prova» o vídeo e os seus autores. Os Capacetes Brancos há muito que estão desmascarados e descredibilizados, comprovado que está o seu financiamento pelo imperialismo e a sua ligação íntima aos que vêm actuando na Síria, desde 2011, sob bandeiras de conveniência, desde a Frente al-Nusra, do Estado Islâmico ou do chamado Exército Sírio Livre.

Protagonistas de «operações de salvamento» surgem nas acções terroristas mais cruéis e nos festejos dos bandos extremistas. As suas produções, disponíveis na Internet, chegam a roçar o grotesco, tais são as evidências da colocação de supostas vítimas de pretensos ataques químicos em diferentes locais e períodos, a preparação de cenários e até erros de «coreografia», como «defuntos» que se mexem sob as mortalhas.

São chocantes a manipulação de crianças, de feridos, de enfermos, a instrumentalização do medo, do terror e do sofrimento para intoxicar a opinião pública.

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