Nem todas as festas de Natal são boas recordações. Lembro particularmente essa data de 1989, pois me encontrava na República Federal Alemã, visitando os meus pais para passar junto deles as festas de fim de ano.

As manifestações na Roménia tinham começado já há dias, não na capital mas sim, com uma revolta popular na cidade de Timisoara, situada a cerca de 50 quilômetros da fronteira com a Jugoslávia. Embora este país hoje inexistente (manta de retalhos!) também estive-se sob regime socialista, ainda que mais liberal, não se considerava alinhado à União Soviética. Após a repressão violenta aos manifestantes, Ceausescu tentou discursar a uma multidão na capital, Bucareste, mas agora uma outra revolta se iniciou ali mesmo diante dos olhos do ditador. Ele e a mulher tentaram fugir, mas acabaram capturados antes de sofrerem um julgamento sumário e, então, serem mortos.

Revolução Romena , que se caracterizou entre outras coisas por retirar os símbolos comunistas da bandeira, começou em um contexto de crises econômicas, a falta de abastecimento no país e em geral no bloco comunista da Europa do leste, entre outras causas; o regime exportava comida a um preço baixo enquanto a população local pagava caro pelos alimentos. Foi precisamente aquele ano de 1989 em que milhares de romenos passavam fome, que outros países do Leste Europeu começavam a libertar-se de anos de governos comunistas: Polônia, Checoslováquia e Hungria.

Além disso, o mundo assistia à queda do Muro de Berlim, que abriu caminho para a reunificação da Alemanha. A União Soviética, sob a abertura conduzida por Mikhail Gorbatchev, não interrompeu nem impediu as revoluções em curso nos diferentes países onde estas eclodiram. Embora o regime passara por graves momentos económicos através da sua história a seguir a segunda guerra mundial, o ditador Nicolae Ceausescu, mando construir o Palácio doParlamento no Centro Cívico, edifício com múltiplas funções onde estão instaladas ambas as câmaras do Parlamento Romeno.

Com 350.000 m² é o maior palácio do mundo e o terceiro maior edifício, após o New Century Global Centre e o Pentágono. Originalmente encomendado e desenhado, no final da década de 1970, pelo regime comunista para ser a sede de todo o poder político e administrativo na Roménia. A construção teve inicio em 1980 e durou até 1989, quando Ceausescu foi deposto. Até então, menos de 80% do edifício havia sido construído, mas a obra foi interrompida por ser muito onerosa para os cofres públicos romenos. Nicolae Ceausescu chamou-lhe Casa da República, mas muitos romenos chamaram-lhe Casa do Povo. Para a construção de tal elefante branco foi necessário e obrigatório a demolição de “grande parte do distrito histórico de Bucareste, incluindo 19 igrejas cristãs ortodoxas, seis sinagogas judias, três igrejas protestantes (além de outras oito recolocadas noutro local) e 30.000 residências”.

O julgamento de Nicolae Ceausescu e da sua esposa Elena (Petrescu) Ceausescu foi uma farsa, muito ao modo como o próprio ditador teria julgado os seus adversários; após um breve interrogatório, filmado para a posteridade, foram levadas a um pátio onde foram crivados de balas em fuzilamento. Mais tarde circulavam fotografias nos jornais, ambos no chão, inertes, protagonistas grotescos de uma peça macabra. Da Roménia pouco sabemos, conhecemos o seu povo que circula entre nós livremente, conheço romenos célebres entre eles, o músico e compositor George Enescu, Constantin Brâncuși, escultor, Tristan Tzara (poeta e mentor do dadaísmo) Mircea Eliade  (historiador da religião e romancista, que viveu em Portugal) Eugène Ionesco  (autor dramático) a quem conheci pessoalmente em Santiago do Chile, e claro não podia deixar de mencionar ao célebre, Vlad Tepes, o famoso conde Drácula a que o escritor irlandês Bram Stoker, deu fama, forma e conteúdo  a partir do folclore balcânico.

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