Álvaro Bastos nasceu em Celorico de Basto. Desde pequeno que já tinha o dom de comunicar (herdou do pai). O teatro amador, colaborar com os Jornais “Povo de Basto“ e “Terras de Basto“ assim como a rádio, foram desde a sua juventude a sua paixão. É também escritor, com quatro livros editados. Aliados a estes meios de comunicação nasceu também a vontade realizar atividades com fins solidários. Aqui já se podia vislumbrar o que seria o modo de vida deste celoricense com alma nobre.

 

 

 

Álvaro Bastos é o mentor do projeto Konta Komigo. Sei que já houve outros projetos dos quais falaremos mais à frente. Qual foi o objetivo ao fundar o projeto Konta Komigo?

Quando o projeto foi criado, o objetivo era apoiar três causas. Na área da deficiência, os sem-abrigo e famílias carenciadas. Queremos ser um farol de esperança para quem precisa de nós, ser úteis aos outros.

 

Quantos anos tem o projeto?

Já tem 10 anos, nasceu em maio de 2010. Nos primeiros anos percorríamos toda a cidade do Porto até às quatro horas da madrugada. Nesse tempo havia imensos sem-abrigo a viver nas ruas, muitos debaixo de pontes, nas casas abandonadas e na rua a dormir a céu aberto. Desde esse tempo, cresceu ou mantém-se as necessidades globais das famílias ou mesmo dos sem-abrigo. Nesta fase de pandemia votaram a surgir mais jovens a viver na rua, em tempos houve decréscimo, não por terem arranjado trabalho, mas porque muitos foram retirados das zonas mais turísticas para evitar a pobreza mais visível foram se concentrando em prédios devolutos.

 

 

A grande maioria dos sem-abrigo são pessoas para que idade?

Na maioria são homens, na casa do 40/50 anos, que ficaram sem trabalho. Também têm surgido muitas senhoras e jovens com a idade de 18 a 20 anos, muitos vem de vários países, Ucrânia, Costa Rica, Rússia. Também encontramos mães com os seus filhos para levar refeições para a escola.

O nosso projeto, desde de 2010, conseguiu, ajudar mais de 600 famílias com entrega de bens alimentares e pelo menos conseguimos um sem abrigo, tira-lo da rua, e ajudá-lo a regressar ao seu país. Nesta altura já está casado, é pai e tem um bom emprego e que nos dá prazer de dizer que este jovem já valeu a pena as nossas centenas de saídas de apoio aos Sem-abrigo.

 

Qual foi o seu grande projeto?

O primeiro grande projeto surgiu nos Açores, Ilha do Faial, na cidade da Horta, tinha o nome Inter-Ilhas. Começamos por reunir jovens de várias ilhas dos Açores e Madeira e de Portugal Continental, onde juntos realizávamos várias iniciativas de caráter social, cultural, solidárias e aproveitar para conheceram o paraíso no atlântico. Tínhamos iniciativas de saúde, várias palestras e o desafio de escalar o “teto” de Portugal a montanha do Pico, onde escalamos para além das nuvens. Vivi essa aventura 3 vezes e espero em 2021 regressar quando da apresentação do meu quinto livro “De Mochila às Costas”.

A grande iniciativa Solidária do Projeto “Inter-ilhas” nos Açores foi quando sucedeu o sismo de 1998 na Ilha do Faial.

Organizei com a colaboração das escolas primárias da ilha, um Torneio de Futebol onde fiz um apelo aos grandes clubes de futebol. O Boavista, no tempo do Dr. João Loureiro, enviou-nos brinquedos e camisolas com os nomes dos jogadores. Fizemos uma grande Festa de Natal para os sinistrados na Casa do povo de Flamengos onde oferecemos 300 brinquedos recolhidos no Modelo que nos ajudou no lanche de Natal para todas essas crianças. Desde esse tempo nunca paramos com as atividades Solidárias. Deu-nos força e assim ganhamos mais paixão pelo que fazemos em prol do outro.

 

Manteve sempre esta vontade de ajudar. Quando regressou ao Continente, a Vila Nova de Gaia, em que momento, pensou que o projeto Konta Komigo tinha de nascer?

Quando fazia os passeios de carro, muitos deles à noite, com a minha família, deparamo-nos com algumas carrinhas quer de associações ou grupos de amigos, que paravam onde pernoitavam pessoas que vivem na rua e aí distribuíam refeições roupas e outros bens necessários.  Pensamos, que podíamos fazer o mesmo. Aqui estamos. Ainda não paramos.

 

Falou-nos que fez programas de rádio. Fale-nos dessa experiência. Tem alguma história interessante desta sua atividade?

Eu só tenho momentos muitos felizes dessa altura. Comecei numa rádio em Cabeceiras, depois quando mudei para Viana do Castelo, fazia muitos programas em rádios diferentes desde Viana a Monção. O programa “Nascente de Esperança” era sobre saúde, educação histórias com moral, entrevistas com nomes grandes da nossa sociedade, como as entrevistas a Amália Rodrigues, ao Eusébio, Fernando Peça e outros com muitas mensagens de esperança.

Tinha muitos ouvintes que ligavam e sentiam-se agradecidos. Depois mudei-me em 1993 para ao Açores, e logo consegui fazer o mesmo género de programa na Antena 9 (Ilha do Faial) e na Rádio Pico na Ilha Montanha.

Foram mais de 1000 programas… Mas perguntou-me se tenho uma história interessante. Sim. Tenho várias mas esta foi marcante. Enquanto fazia programa de radio conheci uma “menina” que estava quase cega e necessitava de um computado especial um Autofócus. Na altura entrei em contacto com o meu amigo António Sala que fazia programa Despertar na Rádio Renascença para contar a história e apos a entrevista o diretor da Makro ficou comovido com a História e quis oferecer o Computador que enviou para a Ilha do Pico para a Ana Catarina.

 

De que forma consegue apoiar as outras causas, ligadas a deficiência?

Já organizamos várias galas de beneficência, em prol de associações que dão apoio a jovens portadores de deficiência, torneios Solidários de futebol, onde tivemos a participação de alguns nomes de grandes clubes em Portugal, que nos apoiaram nestas causas, caso de Neno, Vítor Baía, Bebé, Paulo Futre entre muitos e comemoramos com a participação de centenas de alunos e professores e muitas escolas o Dia a Mundial da Alimentação e Dia Mundial da Luta Contra a Pobreza onde recolhemos milhares de alimentos que já oferecemos a famílias carenciadas e aos Sem-abrigo.  Sendo que Neno e Aurora Cunha ficaram nossos amigos e são presença habitual das nossas iniciativas

 

 

Os eventos solidários que organiza, são muito participativos?

As nossas iniciativas são muito participativas. No começo as nossas galas de beneficência enchiam os auditórios de Gaia, as nossas sete caminhadas solidárias das gravatas tinham centenas de participantes, mas depois as associações também decidiram fazer galas do mesmo género. Para sermos diferentes, mais criativos, pedimos a Deus ideias e elas surgiram, como por exemplo o saco maior do mundo, com três metros de altura com alimentos para ajudar famílias carenciadas, iniciativas feitas na Escola Secundária de Valadares e Escola Almeida Garrett com apoio do Projeto Garrett Solidário coordenado pela Dr.ª Helena Barros. Agora temos na gaveta à espera que esta pandemia do COVI-19 abrande uma grande iniciativa que será destaque em Portugal.

 

Voltamos aos sem abrigo. Já que falou na pandemia, aumentou ou diminuiu a afluência dos sem abrigo nas ruas?

No nosso regresso de apoio aos sem abrigo, constatei que aumentaram os sem abrigo, e diminuíram as associações que ajudam. Fomos a locais onde sabemos que dormem sem abrigo, que nos disseram que naquele dia estavam sem comer todo o dia. Antes alguns iam buscar as sobras aos cafés ali a volta mas agora não fazem isso, e são poucos a funcionar.

 

Como conseguem manter um projeto tão altruísta. Quais são os vossos apoios?

Os nossos apoios são conseguidos através de amigos e em escolas, com alunos e professores a colaborarem nas nossas campanhas de oferta de alimentos. Também contamos com muito apoio do Agrupamento de escuteiros de Genebra-Suíça o Agrupamento 1308 chefiado pelo meu amigo Jorge Garcia. Durante estes anos também ofereci uma parte da venda dos meus livros, que felizmente neste momento estão esgotados e gostaria de destacar o grande incentivo que temos tido do Jornal Audiência Grande Porto que tem dado destaque às nossas iniciativas.

 

Até quando pensa fazer estas atividades?

Até onde tiver força, porque a nossa vida é feita de muita paciência, perseverança e confiança em Deus.

 

Apesar de muito ativo, já não é novo, mas é cheio de energia. Tem ainda alguns sonhos que gostasse de realizar?

Sonho poder visitar os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), quem sabe com o Alto Patrocínio do Presidente da República para nesses países fazer algo que tanto gosto, apresentar os meus livros às crianças no Encontro com o Escritor e usar os talentos que Deus me deu, poder contar muitas histórias, algumas publicadas nos meus livros. O outro sonho é poder ajudar os jovens de Vilar de Andorinho em Vila Nova de Gaia a realizar o sonho de andar de avião e fazerem intercâmbio com clubes e associações dos Açores e da Ilha da Madeira.

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