A Freguesia de Rabo de Peixe assinalou, no dia em que se comemoraram os 48 anos da Revolução dos Cravos, o seu 18º aniversário de elevação a vila, com uma sessão solene, que teve lugar no Cineteatro Miramar, sito na localidade. A cerimónia, que contemplou a apresentação do livro “O Som dos Búzios”, da autoria do escritor e ex-autarca ribeiragrandense António Pedro Costa, contou com a presença de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Madruga da Costa, diretor Regional da Cooperação com o Poder Local, Catarina Cabeceiras, vice-presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, e representantes de entidades civis e militares.

 

 

Foi com o intuito de enaltecer a importância dos rabopeixenses que, em 2004, no Dia da Liberdade, almejaram o anseio antigo de elevarem a sua terra a vila, que a Junta de Freguesia de Rabo de Peixe realizou uma sessão solene, no Cineteatro Miramar, que homenageou todo o povo desta localidade e, também, lembrou o 25 de Abril.

Agraciada com vários momentos musicais, protagonizados pelo Grupo de Cantares “Vozes do Mar do Norte”, esta cerimónia contemplou, ainda, a apresentação do livro “O Som dos Búzios”, da autoria do filho da terra António Pedro Costa, que foi levada a cabo pelo jornalista Santos Narciso. Um romance histórico, no qual o ex-autarca da Câmara Municipal da Ribeira Grande mistura a história com a ficção, reconstruindo acontecimentos factuais, que ocorreram em 1869, com o intuito de retirar do esquecimento o drama que aconteceu, com a fome registada na, então, Freguesia de Rabo de Peixe, como em outras localidades da Ilha de São Miguel, que, no seu entender, importam trazer ao conhecimento das atuais gerações.

Neste seguimento, Santos Narciso procedeu à apresentação desta obra, que pretende ser um tributo ao passado que nela pode ser revivido, ressaltando que “a liberdade, hoje, está aqui, neste dia 25 de Abril, nesta festa dos 18 anos de elevação de Rabo de Peixe a vila. (…) Não haveria melhor momento para apresentar este livro, pelo que significa e por aquilo que o seu autor, doutor António Pedro Costa, representa, os caminhos, a identidade e elevação de Rabo de Peixe”.

Para o jornalista, o livro “O Som dos Búzios” é “poesia, que melhor define os sentimentos humanos e este é um livro de sentimentos cruzados, que exalta a força de um povo e aborda amores impossíveis, velhos ódios e ancestrais costumes”, sendo, por isso, “um marco histórico para uma comunidade que, nos seus antepassados, pode aprender que nada se conquista sem luta, sem empenho e sem confiança, nos que têm coragem para liderar, contra medos e subserviências. Se, aqui, o amor que parece impossível dá força para construir pontes entre o passado, por mais obscuro que seja, e o futuro traçado de sonho e esperança, também o trabalho de investigação histórica e a veia literária inspirada de António Pedro Costa conseguem ser mais um verdadeiro tesouro, para a vila de Rabo de Peixe e concelho da Ribeira Grande, como para todos os Açores, porque, de facto, quanto mais próxima for a nossa literatura, mais universal se tornará. E tenho a certeza de que o leitor sentirá isto, com o mesmo encanto que sentimos, no misterioso marulhar das ondas, quando ouvimos, com alma, o que nos diz o som dos búzios”.

Por conseguinte, António Pedro Costa, autor da obra em causa, destacou aquando da sua intervenção, que “celebramos, hoje, o dia da elevação de Rabo de Peixe a vila, que coincide com a Revolução do 25 de Abril de 1974, a festa maior da democracia portuguesa, vivida de forma muito expressiva, em todo o país”, sublinhando que “O Som dos Búzios” “não é, pelo menos para mim, um livro qualquer. É mais do que um romance histórico, ele retrata a fibra e a coragem de uma população merecedora de mais acompanhamento. Felizmente, somos ainda muitos os que desveladamente amam o seu berço natal, tantas vezes a clamar por atenção, contribuindo, cada qual à sua maneira, para enaltecer esta vila de Rabo de Peixe”.

Evidenciando que fala da história e das gentes, o ex-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande mencionou que “este trabalho editorial é um relicário, onde após pesquisa atuada, ele condensa o particular modus vivendi de uma comunidade, de tão surpreendentes tradições, com o objetivo de ser uma herança e um legado para a posteridade. Nele focam-se aspetos das lembranças de uma terra cheia de ricos pergaminhos culturais e sociais, que importa mostrar não só aos nossos vindouros, como levar ao conhecimento dos micaelenses e açorianos, quer vivam nestas ilhas, quer residam na diáspora”.

O filho da terra revelou, ainda, que considera que “o Som dos Búzios” é um livro “que tem, também, a função de ser um estímulo para as novas gerações conhecerem as suas raízes e as valorizarem, por isso deixo aqui um desafio que é apaixonante, para se remexer na memória que o tempo não apaga (…) e na lembrança do povo que vive com entusiasmo o seu dia a dia, cujas expressões, dos homens do mar e dos homens da terra, modelam esta vila com o melhor que há, numa ametista que, já agora, importa continuar a lapidar”.

Este livro, que foi impresso pela Gráfica Açoreana, tem prefácio do jornalista e escritor Santos Narciso e também contou com apoio da Cooperativa A Ponte Norte e da EDA Renováveis para a sua publicação, sendo o desenho do búzio da capa da autoria do sketcher Manuel Carreiro, da Associação Vadios AzoresSketchers.

Neste âmbito, os presentes, foram, ainda, honrados com a voz do jornalista Sidónio Bettencourt a recitar um poema que António Pedro Costa escreveu em 2008, que os transportou, num mar de emoções, para o percurso histórico desta vila piscatória.

Posteriormente, a sessão comemorativa do 18º aniversário da elevação de Rabo de Peixe a vila foi inaugurada com o discurso de Jaime Vieira, presidente da Junta de Freguesia desta localidade, que aproveitou a ocasião para desafiar os governantes presentes a olharem e reconhecerem a importância deste território no panorama local e regional.

Lembrando que estas celebrações voltaram a realizar-se depois de dois anos de interregno, devido à pandemia que se fez sentir, o autarca rabopeixense afirmou que “Rabo de Peixe é uma vila com uma grande diversidade cultural, económica e social, com características muito próprias, que fazem desta terra, uma vila nobre, que merece, de todos nós, o nosso respeito e, acima de tudo, a nossa admiração. Neste sentido, a nossa homenagem de hoje, será para a população desta vila, pelas dificuldades que sentiram durante a pandemia, pela forma como esta a atingiu, mas, acima de tudo, pela forma digna com que reagiu às cercas em que estivemos envolvidos, pois, muitas vezes, fomos, mesmo, maltratados por alguma opinião pública, que não conhece, nem conhecia a nossa realidade. Quem conhece esta vila, sabe bem que temos orgulho nesta terra. Orgulho nesta terra, porque somos o motor económico da Ribera Grande, (…) temos a maior comunidade piscatória dos açores, bem como o maior e melhor porto de pescas, (…) pela nossa diversidade e riqueza cultural”, salientando que, “no entanto, o melhor da nossa terra é a sua gente”.

Por conseguinte, Jaime Vieira recordou, ainda, que “Rabo de Peixe representa 33% da população da Ribeira Grande e somos a única vila deste concelho”, mostrando-se convicto de que o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio “sabe da importância desta terra, como também sei que tudo fará para continuar a dotar esta vila dos meios necessários, para melhorar a qualidade de vida de todos nós”.

Considerando que esta localidade é “uma vila enorme dentro do contexto regional, uma vila com a população de ilhas e, como tal, o investimento nesta terra tem que ser proporcional ao tamanho e aos desafios da mesma” o edil rabopeixense frisou que “a nossa preocupação com o futuro é uma das nossas prioridades, onde, de uma forma articulada e estratégica, queremos caminhar rumo a uma vila melhor”, asseverando que “assim, a realização de um plano estratégico para Rabo de Peixe será, claramente, uma mais-valia para esta vila, onde pretendemos que a matriz do desenvolvimento desta seja feita através de um plano, um diagnóstico prospetivo, onde serão definidas as necessidades e intervenções nas diferentes áreas, como a habitação, turismo, economia, ação social, bem como as questões urbanísticas”.

Neste contexto, Jaime Vieira desvendou que “já está em fase de projeto o aparecimento de uma via alternativa à Rua do Rosário, (…) que será uma via estruturante para Rabo de Peixe. A segunda fase da construção do novo Campo do Bom Jesus que queremos que seja uma realidade, o mais rapidamente possível e sei que já está em andamento”.

Na opinião do presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, o futuro passa, também, por uma vila mais amiga do ambiente e, nesse sentido, outra obra ansiada é a construção de uma ciclovia ao longo da avenida D. Paulo José Tavares, assim como a requalificação da Praia de Santana e da zona costeira, a construção de um campo de padel, um parque infantil na rua de Toronto e a construção de um novo complexo habitacional nas Quintas do Mar, tal como de mais dois parques de estacionamento.

Assegurando que as Juntas de Freguesia têm outros desafios pela frente, o autarca explicou que “a alteração do regulamento para os programas ocupacionais, que é, no nosso entender, o caminho certo, vai trazer grandes constrangimentos ao dia a dia das Juntas de Freguesia, pois as mesmas deixarão de ter colaboradores, uma vez que são os inscritos nos programas ocupacionais, que as compõem e é esta uma triste realidade”, esclarecendo que “as Juntas de Freguesia não possuem um quadro de pessoal, ou as quem têm, apenas possuem nos quadros um ou dois funcionários. Assim, é importante que se criem alternativas aos programas ocupacionais, para dotar as Juntas de Freguesia de alguma capacidade, para realizarem as tarefas diárias e o apoio diário às suas populações, uma vez que nós somos a primeira porta a que a população bate e muitas vezes somos os únicos que podem acudir os seus problemas”.

Assim, Jaime Vieira deixou claro ser “imperativo criar respostas, quer pelo Governo Regional, quer pelas Câmaras Municipais, para dotar as Juntas de Freguesia de mais pessoal, para o desempenho das funções necessárias. Este aumento de pessoal poderia ser feito ou através da contratação, de uma verba específica para este fim, ou da transferência de pessoal destas mesmas entidades para as Juntas”.

O edil afiançou, ainda, que o combate às drogas é outra prioridade, “especialmente as drogas sintéticas. Este combate tem de ser uma prioridade para todos nós, sendo um dos grandes problemas que assolam esta vila e que é transversal a todas as freguesias. Há que intervir rápido e, neste sentido, defendo que a informação e prevenção têm que ser uma aposta junto das escolas e associações, que as crianças e jovens frequentam”.

A criação de condições para que os jovens casais possam ter habitação própria é outro desígnio do autarca, que vê no arrendamento com opção de compra uma alternativa viável. “A falta de habitação disponível para os jovens é um grande problema. Hoje, mais de 150 casais inscritos na Junta de Freguesia estão sem habitação própria e não conseguem ter respostas, uma vez que os seus rendimentos não permitem contrair empréstimos”, referiu.

Acreditando estarem “reunidas condições para se começar a construir uma história diferente, para melhorar, ainda mais, a condição de vida de todos os rabopeixenses”, Jaime Vieira terminou o seu discurso aludindo que “hoje não vamos homenagear personalidades e associações, como temos vindo a fazer. Pretendemos, sim, de forma simbólica, homenagear a população de Rabo de Peixe, por aquilo que foi, por aquilo que é e por aquilo que vai continuar a ser: um povo digno e humilde de uma vila de excelência. Parabéns a Rabo de Peixe! Parabéns a esta vila que me viu nascer”.

As intervenções prosseguiram com Ricardo Madruga da Costa, diretor Regional da Cooperação com o Poder Local, que fez questão de estar presente nesta cerimónia, em representação do Governo Regional, dizendo que “em primeiro lugar, queria entregar-vos, sobretudo àqueles que são de Rabo de Peixe, um abraço amigo e fraterno do doutor José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional da nossa terra. (…) Em segundo lugar, queria eu próprio, também, felicitar as pessoas de Rabo de Peixe, que fazem, diariamente, esta vila, a partir destes momentos, conforme relata o António Pedro Costa no seu livro, a partir de circunstâncias, de momentos difíceis. Cada idade da história tem as suas dificuldades, os seus desafios e, todos os que vivem cada um desses momentos, têm as suas angústias, as suas tristezas, as suas desconfianças, mas é, sobretudo, a esperança para o nosso povo, e até a fé, que nos move e nos faz ficar, lutar e construir a vida que temos hoje e que, apesar de tudo, é uma vida melhor do que aquela que tiveram os nossos pais e isso constituirá, com certeza, como uma herança sólida, em cima da qual os nossos filhos, e até já os nossos netos, construirão, com certeza, a sua felicidade”.

Seguidamente, foi Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, quem se dirigiu ao púlpito, endereçando as suas palavras a todos os presentes. “Muito sinceramente, quando o Jaime começou a falar, com tal entusiasmo, pensei que era hoje que ele ia pedir a independência de Rabo de Peixe. Mas, felizmente, que isso não aconteceu e para honra da Ribeira Grande, espero que nunca aconteça, porque temos muito orgulho na nossa vila de Rabo de Peixe, que é a única vila do concelho e é com toda a pujança e perseverança, que vocês são conhecidos por isso. Portanto, fiquei, devidamente, agradado, por ele não pedir essa independência”, mencionou o edil ribeiragrandense.

Garantindo que “nós estamos a lançar as bases para o futuro, que é dizer às pessoas que vêm de fora que podem, perfeitamente, vir a Rabo de Peixe com toda a segurança, com todo o conforto, entrar na casa das pessoas, vivenciar, porque é uma experiência que fica para o resto da vida”, o autarca adiantou que “neste momento, em parceria com a Câmara da Ribeira Grande e o próprio Clube Naval de Rabo de Peixe, que está a desenhar, precisamente, um roteiro, também, virado para o mar”.

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande aproveitou, ainda, a ocasião para destacar alguns dos projetos que se encontram em carteira e que visam “potenciar aquilo que de melhor nós temos e, claramente que, Rabo de Peixe tem muito para oferecer, não só na parte económica e na parte cultural, mas, acima de tudo, pelas suas gentes”, traçando os desafios que são extremamente importantes para o presente e para o futuro. “A questão da habitação, como foi dito e bem, também, pelo presidente da Junta. Nós, Câmara Municipal, já desenhamos a estratégia local de habitação, onde se destacam cerca de 500 agregados familiares, que estão a precisar de habitação urgente e, por isso mesmo, estamos, agora, a aguardar que esse documento seja aprovado pelas entidades competentes, nomeadamente o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, para, depois, colocarmos em prática, uma série de medidas que fazem parte daquele documento. Mas, posso adiantar, que nós já estamos em diálogo e conversações com os credores da zona das Quintas do Mar, em Rabo de Peixe, para passar para a Câmara Municipal, todos aqueles terrenos, que estavam abandonados e depois cedê-los à Cooperativa de Habitação, para que possa colocar à disposição da vila e do concelho 100 novas moradias. (…) Isto é algo que nós queremos, de forma efetiva, concretizar e isto será uma realidade, provavelmente, até ao final do presente ano. (…) Outra questão é a do ordenamento do território e, para além da nova variante, gostaria, também, aqui, de dar nota da preocupação da Câmara Municipal e, também da Junta, se me é permitido, dizer que aquilo que nós estamos a fazer é com o objetivo de futuro e não com objetivos imediatos”, acrescentou.

Elucidando que “nós não conseguimos fazer tudo num mandato”, o edil enfatizou que “uma coisa importante é lançar as bases para o futuro e traçar, claramente, uma linha de rumo, para que quem nos suceder possa continuar essa linha, devidamente enquadrada no tempo e no espaço”, acentuando que “nós estamos a pensar de forma integrada, ou seja, quer o novo Campo de Jogos, quer a nova Escola Rui Galvão de Carvalho, que provavelmente será inaugurada até ao final do presente ano, permitem ter, aqui, um novo desenvolvimento da vila, que nos parece extremamente interessante. A vila está a crescer e é preciso fazer um novo enquadramento urbanístico, que permita dar essa nova vida, para que as pessoas continuem a investir em Rabo de Peixe e possam continuar a viver nesta vila de excelência”.

Atestando que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia estão em sintonia e que existe a possibilidade de o Cineteatro Miramar ser transferido para a gestão da autarquia, Alexandre Gaudêncio terminou a sua intervenção com “um novo desafio, que tem a ver com a sustentabilidade. Nós não podemos continuar a desprezar o nosso meio ambiente e também quero dar aqui nota de que a vila de Rabo de Peixe será um polo fundamental, para um projeto de sustentabilidade ambiental ligado ao mar. Hoje, ficamos envolvidos num projeto que se chama “Save the Waves”, “Salvar as Ondas”, onde será trabalhada toda a forma de sustentabilidade, ligada ao mar” e isso também passa “por dar uma nova vida, uma nova alma, também, às comunidades ligadas à pesca, e Rabo de Peixe tem estas excelentes condições”.

Por fim, foi Catarina Cabeceiras, vice-presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, quem encerrou as exposições, afirmando que “estamos, aqui, hoje, a comemorar o 18º aniversário da elevação de Rabo de Peixe a vila, feito este de grande relevância para esta localidade, para o concelho da Ribeira Grande, para a Ilha de São Miguel e para os Açores. Este acontecimento, que decorreu a 25 de abril de 2004, resultou do sonho de várias gerações”.

“Estamos a falar de uma vila com mais de 8 mil habitantes, com um vasto número de atividades económicas, pois apesar de ser do mar que sucessivas gerações têm retirado o seu sustento, a verdade é que estamos a falar de uma vila versátil e dinâmica, que se destaca pela atividade agrícola, pela indústria, pelos serviços, ou pelo comércio, onde são inúmeras as instituições sociais, desportivas e culturais, que se dedicam, diariamente, para cumprirem a sua missão, um trabalho fundamental na riqueza e diversidade das suas atividades desportivas e culturais e no papel social, que tal representa”, enalteceu a vice-presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.