A violência na pessoa idosa, pode manifestar-se de múltiplas formas, desde maus-tratos físicos, psicológicos e sexuais, exploração económica, abandono passivo e autoabandono, abuso de medicamentos, abandono ativo, castigos e marginalização.

O aumento do número de pessoas idosas no mundo é visto como algo preocupante pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no que pertence às conhecidas situações de violência, relacionadas particularmente com a rutura de laços tradicionais entre gerações. Face a uma população a envelhecer cujos sistemas de suporte familiar nem sempre funcionam, deparamos com casos representativos de abuso físico, emocional, negligência e exploração financeira às pessoas idosas mais fragilizadas.

Quanto maior o índice de dependência do idoso e a precariedade social, maior a probabilidade de ocorrência de situações de violência. A manter em 2050, as tendências atuais de natalidade, mortalidade e de migração prevê-se que a população jovem que em 2006 foi de 15,5%, passe a ser de 13%, sendo a população idosa de 32% que é quase o dobro da que tínhamos em 2006, que era 17.3%. Tal cenário alteia maior atenção quando dados da APAV, indicam que os agressores são usualmente homens 73% e as vítimas de abuso são na sua maioria mulheres 80%, não ignorando que em 57% dos casos o agressor vive na mesma casa que o idoso, aliás na grande maioria dos casos o agressor é o companheiro(a) ou os próprios filhos.

É de referir que a violência contra as pessoas idosas, praticada pela família e cuidadores são muitas vezes agravados pela falta de preparação e conhecimento, originando assim, pouca sensibilização para a questão da velhice. Daí a urgência em proporcionar momentos de debate e esclarecimento junto dos cuidadores sejam formais ou informais sobre as questões relacionadas com o envelhecimento, de forma a potenciar a prevenção de eventuais situações.

O ponto focal desta questão é contrariar a sociedade atual para a usual desvalorização da experiência e sabedoria dos mais velhos, (indicador e reflexo de uma crescente perda da tradição e dos valores morais), e particularmente da alteração do estatuto da pessoa idosa.

Perante uma realidade oculta e silenciosa, é urgente impulsionar a procura de ajuda por parte desta faixa etária, vítima destes abusos, encorajando-os a denunciar estas situações, desvalorizando os sentimentos de culpa, vergonha e medo das represálias. Conscientes de que tudo isto se traduz numa enorme perda da autoestima à pessoa idosa é preciso mudar esta mentalidade voltada para a piedade, e transformá-la num maior investimento da dignidade do idoso, estimulando-lhe o prazer e a alegria em estar vivo. Sendo a violência contra os idosos um problema de todos nós e não só dos idosos, é imprescindível revalorizar o papel do idoso na vida social, familiar e económica, concebendo oportunidades para que utilizem as suas capacidades em atuações que dignifiquem a existência, não desprezando, o respeito pela individualidade.

CEO CMStatus Porto I Lisboa. Professora Universitária. Consultora em ERPI. Autora de vários livros sobre o tema do envelhecimento. Personal Coaching de várias Figuras Publicas Nacionais. claudia.moura@cmstatus.org

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