O Mosteiro de S. Pedro de Pedroso foi testemunha dos gloriosos feitos dos portugueses de antanho, pois viu nascer Portugal. Quando a Nacionalidade se fundou, em 1143, já ele existia há um século.

Não podemos precisar a data certa da sua fundação, mas podemos afirmar que, em 1046, já existia, pois em documento de 24 de Fevereiro desse ano, Transtina Pinioliz diz que, juntamente com seu marido, Ederónio Alvites, já falecido, tinha edificado o Mosteiro de Pedroso. Provavelmente foi construído nos princípios do século XI ou fins do século X.

No cartório de Pedroso há documentos do século X mas, estes, dizem respeito a propriedades que entraram posteriormente na posse do mosteiro, a que não faz referência alguma.

Foi fundado «in villa Petroso subtus mons Castro discurriente riuolo feveros território portugalense».

O Monte Castro corresponde ao Monte da Senhora da Saúde. Há tradição de que foi antiga habitação de Mouros, mas o nome “Castro” faz recuar esse povoado ao tempo dos Celtas.

O local da construção do Mosteiro foi bem escolhido. A situação era privilegiada. Pois a estrada que ligava o Porto a Lisboa passava perto, e o rio Febros proporcionava-lhe outro meio de comunicação. Além de fornecer água que tornava férteis os campos, que já o eram de sua natureza.

Ficava situado aproximadamente no centro do seu couto, onde possuía muitas e ricas propriedades.

Foi D. Afonso Henriques que deu carta de couto ao Mosteiro, ao entrar para abade D. Martinho, em 3 de Agosto de 1128. O couto dava muitas vantagens quer para a colonização, povoação ou cultivo da terra. Além disso, nestes lugares, os réus encontravam asilo, o que lhes permitia estabelecerem-se, sendo então empregues no amanho das terras.

Era seu padroeiro S. Pedro e daí deriva, segundo a opinião da gente do lugar o nome da Vila – Pedroso – o que é impossível, por estar absolutamente fora da tradição. Um hagiónimo que se converte em topónimo conserva sempre o qualificativo Santo, mesmo nas formas mais evolucionadas foneticamente, como Sanfins, de Sam Fiins, e S. Félix de Sancti Felicis.

Não era S. Pedro o único titular. Nos documentos aparecem nomeados muitos mais, que são chamados os titulares secundários.

O Mosteiro pertenceu à Ordem de S. Bento. Tinha monges e dom abade. Era rico, pois, em 1385, os juízes executores taxaram, as igrejas do Porto e do seu bispado, sendo a Taxa de Pedroso duas mil libras.

Foi um dos mais ricos do seu tempo. A maior parte dos bens era devida a doação dos fiéis. Houve compras mas foram escassas.

Com as doações cresceram os bens do Mosteiro; no entanto, também aumentaram os encargos. Os descendentes dos doadores tinham direitos: -comedorias, pousadias, casamentos, cavalarias, etc. Como S. Pedro de Pedroso ficava na estrada Porto-Lisboa, era muitas vezes invadido pelos herdeiros, que se faziam acompanhar de amigos, criados, cães e cavalgaduras. Os claustros e os dormitórios dos monges ficavam cheios.

Devido a estes excessos aconteceu que, a certa altura, os religiosos se viram privados do conduto da noite, por falta de meios. Mais tarde foi-lhes feita doação de certos casais, para que do seu rendimento o passassem a ter. Muitas vezes, os religiosos recorriam aos reis pedindo providências. Em Março de 1261, D. Afonso III fixou o séquito com que os ricos – homens se deviam apresentar nas igrejas e mosteiros.

É esta a causa do abalo económico que o mosteiro que era tão rico acabou por ter. S. Pedro de Pedroso sofreu remodelações, tendo sido a última em 1929. Nesta altura foram encontradas pedras que, na face anterior os traseira, tinha aspecto de terem servido noutro edifício. Daqui conclui-se que já tinha havido uma reconstrução; não sabemos até que ponto ela teria modificado o primitivo edifício.

Hoje está tudo muito diferente. Não se encontram inscrições nem vestígios de sepulturas de monges, uma vez que o chão foi assoalhado. Notam-se poucos vestígios do gótico, que era o estilo primitivo do mosteiro.

Há uma pia baptismal que dizem ser dos primeiros tempos, e encontra-se no interior da frontaria e dos lados, um brasão um pouco arruinado que data do século XVI.

Neste século, a ordem Beneditina não escapou ao contágio e à decadência que minava as outras ordens.

O Mosteiro de Pedroso pelos anos de 1558-1560 já não abrigava mais que o prior, quatro monges e um noviço. Por esse tempo a Rainha D. Catarina, esposa de D. João III, para aumentar a renda do Colégio de Coimbra resolveu passá-lo para a Companhia de Jesus que mandou pedir a Roma essa transferência. Anuiu o Papa Pio IV em 1560.

Em 1567, tendo falecido o último comendatário de Pedroso e havendo muitos pretendentes à sucessão da comenda, o cardeal D. Henrique aproveitou o ensejo para suprir o convento, passando a igreja a servir de matriz de freguesia, o mosteiro de residência do pároco, a cerca de passal e todas as rendas e foros ficaram para o Colégio dos Jesuítas de Coimbra. Estes permaneceram em Pedroso até 1759, passando então o mosteiro para a posse da coroa. Em 1803, a casa de Pedroso foi vendida em haste pública a uma particular por vinte e seis contos.

 

*Escrito em 2011

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