Boneca de Trapos

Uma boneca de trapos

Que me deu tanta alegria!

Foi no dia de Natal.

Jamais me esquece esse dia.

Pus os tamanquinhos na lareira,

A ver se o Pai Natal não se esquecia.

De manhã, vim apressada…

Não me deu essa alegria!

Sentei-me na lareira a chorar,

Tristinha, desconsolada.

Todos os anos era assim.

Para mim, não trazia nada…

Fazia-me admirar

Como isso acontecia.

“O pai tem pouco trabalho!”,

Minha mãe respondia.

E eu, então, tão inocente,

Continuava a chorar.

Se o pai tem pouco trabalho,

Ele devia-me dar.

Minha avozinha pôs os óculos,

Foi para a máquina costurar.

Uma boneca de trapos me fez,

Tentando me consolar.

Essa boneca para mim,

Foi motivo de alegria.

Por isso vou repetir:

“Jamais me esquece esse dia”.

Ceia de Natal

Um idoso pesaroso,

Que levaram para um lar,

Pois, dos seus quatro filhos,

Nenhum deles o quis cuidar.

Dos quatro ele cuidou,

Para nada lhes faltar,

Fez deles fidalgos demais,

Para este resultado dar.

Correu os olhos à casa

E teve que abalar…

Sentia no peito paixão,

Desatava a chorar.

“Tanto fiz e tanto tenho,

Para nada receber,

Eu nunca pensei, meu Deus,

Que isto pudesse acontecer!”

Na noite de Natal,

Resolveram ir buscar,

Para junto dos seus filhos

E ao seu lar vir consoar.

Um seu neto, tão querido,

Que ele tinha ajudado a criar

“Ó avozinho, a casa é tua,

Tens aqui o teu lugar”

E no decorrer da ceia

O avô pouco comeu;

O neto, que lhe tinha afeição,

Por dentro estremeceu.

Pôs-se no alto da mesa,

Para este recado dar,

Olhou para o seu pai e disse:

“Tu, também, queres ir para um lar?”

“O avô foi meu amigo,

Que me ajudou a criar,

Nas horas de folga da escola,

Eu dele quero cuidar”

E, num abraço fraterno,

Essa noite ficou marcada.

Era noite de Natal,

Por Deus foi abençoada!

Conto do Natal

Numa noite de Natal

Estava um frio de rachar

A mãe e os seus dois filhos

Preparavam-se para cear.

Batem à porta suavemente

-Parece alguém a “trupar”!

O filho correu à porta

-É um velhinho a mendigar!

-A esta hora da noite,

Anda aí o pobrezinho?

-Terá fome, terá sede?

-Terá falta de carinho?

Corre à porta alvoraçada

-Faça o favor de entrar!

-Sente-se à nossa mesa,

Agora tenho p’ra dar.

-Muito obrigada,

Então posso me sentar?

-Não tem marido senhora?

-Não queria incomodar!

-O meu marido emigrou,

Bem depressa se esqueceu,

Nós éramos tão unidos…

Como isto aconteceu?

-Por onde andará a esta hora,

Sem dar notícias a ninguém!

-Se ele soubesse quanto sofro

E os nossos filhos também!

-Os laços não se romperam

Aqui estou a vosso lado,

Disfarcei-me, tive medo,

De ser por vós desprezado!

De Alegria Chorou

Dizia o menino à mãe,

mesmo quase a chorar:

“Porque é que o Pai Natal

não tem nada para me dar?”

Eu tenho pedido tanto

para de mim não se esquecer.

Se este ano não traz nada,

diz-me o que hei-de fazer.

Os meninos todos têm

prendinhas no sapatinho.

Será que ele despreza

quem for assim pobrezinho?

A mãe triste e desolada,

tentando acarinhar:

“Nós só temos a trapeira,

ele não pode cá entrar”.

Mas nesse ano alguém

à mãe dele lhe mandou

prendas para o seu sapatinho…

E de alegria chorou.

Natal

Natal palavra sentida

e com certa emoção.

É a sombra do passado,

dos tempos que já lá vão.

Era o virar de uma página

e com muita harmonia.

As famílias reuniam-se,

havia mais alegria.

Era em casa da minha avó Maria,

pois lá é que nós morávamos.

Engraçada e brejeira,

a todos acarinhava.

Não conheci meu avô,

viúva nova ficou.

Pé firme e lutadora,

a seis filhos se entregou.

Moliço a arder na lareira,

as castanhas se assavam.

Caldeirada, pão e vinho,

era assim a consoada.

Arrastada pela saudade,

antes de a casa de modificar.

Num banco que ainda restava,

eu sentei-me a olhar.

E num desabafo final,

as mãos à padieira do forno passei,

mesmo assim enfarruscadas,

eu a chorar as beijei.

Rosa Teixeira dos Santos (Rosita Orfa)

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