O Mercado Agrícola de Santana recebeu, no passado dia 16 de maio, entre as 10h e as 15h, cerca de 4 mil crianças numa iniciativa promovida pela Associação Agrícola de S. Miguel, com o apoio do Governo Regional, no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Agricultura.

O evento teve como principal objetivo sensibilizar os jovens do 1º ao 6º ano de escolaridade para a importância da agricultura, do mundo rural e do desenvolvimento sustentável na região, aprofundando, igualmente, o conhecimento dos jovens sobre estes assuntos. Para tal, foram promovidas diversas atividades que abrangeram várias vertentes do setor agrícola, explorando também a componente ambiental.

Para os mais novos, foi um dia diferente, cheio de animação. “Estivemos a ver os animais e gostamos muito. Teve muitas coisas divertidas”, afirmaram Santiago e Ricardo, ambos alunos do 3º1 da Escola do Castanheiro, em Ponta Delgada.

A iniciativa contou com a presença do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, que, acompanhado pelo presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, Jorge Rita, e pelo presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, Eduardo Oliveira e Sousa, visitou o espaço e destacou a “grande iniciativa e de muito mérito, no sentido de proporcionar um contacto mais direto das crianças e jovens com este setor”.

“Passa também por iniciativas como esta a valorização e dignificação deste setor, dando a conhecer às novas gerações a forma como muitos dos produtos que consumimos no nosso dia a dia são produzidos”, afirmou o presidente do Governo Regional.

Vasco Cordeiro aproveitou ainda a oportunidade para destacar “o percurso absolutamente notável” que o setor da agricultura tem feito nos Açores, salientando que isso também se deve “à capacidade que os agricultores da região têm demonstrado para ultrapassar os desafios.

“Os Açores têm feito um percurso absolutamente notável, não apenas no que tem a ver com o setor dos laticínios, mas ao nível de todo o setor agrícola. Os agricultores açorianos são um exemplo na capacidade de resposta aos desafios que lhes são colocados, quer na quantidade, quer na qualidade das suas produções”, afirmou.

Vasco Cordeiro relembrou ainda que o setor dos lacticínios tem uma grande relevância nacional, já que “os Açores produzem mais de 30 por cento do leite nacional e cerca de 50 por cento do queijo que é produzido no país”, algo só possível devido “à dedicação e competência de todos os envolvidos neste processo”.

Contudo, para o presidente do Governo Regional, continua a haver aspetos a melhorar. “Há desafios que estão à nossa frente, e um deles, que nos mobiliza a todos, tem a ver com a negociação do próximo quadro comunitário de apoio”, referiu, acrescentando ainda que o Governo Regional não está satisfeito com a proposta da Comissão Europeia para o Orçamento para o período pós 2020.

 

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Também Ana Vitória, líder da JS/Açores, acompanhada por Henrique Carreiro, marcou presença no evento e explicou que “são várias as preocupações dos jovens em relação à agricultura, visto que este é um dos setores primários da Região Autónoma dos Açores”.

“Os problemas dos jovens agricultores prendem-se com a falta de apoios. Pelo que tenho vindo a acompanhar, parte dos jovens agricultores aqui da região sentem essa falta de apoio. Os Açores, em geral, tem muta vegetação e não nos falta espaço para trabalhar. O que pode faltar, sem dúvida, é alguma motivação. Mas é para isso que estamos aqui, todos os dias, para dar essa motivação aos jovens”, garantiu Ana Vitória.

Presente na iniciativa esteve ainda o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, que além de destacar a importância de sensibilizar os mais novos para a agricultura, salientou também a importância de sensibilizar para o bem-estar animal.

“É de louvar esta iniciativa organizada pela Associação Agrícola de S. Miguel, que tem aqui uma projeção enorme, e é uma excelente forma de mostrar aquilo que de melhor temos para oferecer ao nível da produção agrícola. É um dia que ficará, certamente, marcado nas crianças para o resto das suas vidas, no sentido da sensibilização, neste caso, do bem-estar animal, mas também para a produção agrícola”.

Alexandre Gaudêncio destacou ainda que apesar do setor secundário ser aquele “que tem mais força na economia da Ribeira Grande”, está “intimamente ligado ao setor primário” pelo que “faz todo o sentido esta sensibilização cada vez mais cedo nas crianças”.

Aproveitando o momento, o autarca falou ainda sobre a requalificação do mercado municipal, adiantando que será financiado por fundos comunitários e que as obras irão começar logo após o verão. “Mas este mercado terá uma vertente mais comercial, mais turística do que propriamente agrícola. Contudo, não queremos perder a vertente tradicional e dos produtores agrícolas que, principalmente ao fim de semana, iam lá vender os seus produtos. A nossa ideia é associar estas duas vertentes, atendendo a que o nosso mercado agrícola, onde se situa, está a ser alvo de uma intervenção a nível da sua localização com uma vertente turística e é nossa intenção também transformar o mercado com melhores condições para a prática turística, nomeadamente, oferecer serviços ao nível da restauração, dos bares, que possa ser também uma porta de entrada na cidade da Ribeira Grande”, explicou.

Já relativamente ao mercado agrícola, Alexandre Gaudêncio acredita que o investimento feito traduziu-se em vitalidade para o espaço e garantiu que já foi transmitido à Associação Agrícola que a intenção passa, agora, por “promover o espaço também como destino turístico”. “Os turistas que visitam a ilha também gostam de ter acesso aos produtos locais. E a nossa intenção é termos aqui o melhor dos dois mundos”, rematou.

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