A candidata independente apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE), Jessica Pacheco acredita que a Ribeira Grande “necessita de uma mudança com políticas locais que promovam o combate à pobreza, à precariedade e às desigualdades sociais”. Com a principal motivação de “querer mudar a vida das pessoas”, a enfermeira definiu o ambiente como sendo uma das suas principais bandeiras, destacando que a construção da incineradora de São Miguel é uma das suas preocupações “pois irá impedir o cumprimento das metas de reciclagem e boicotar a transição para uma economia circular”.

 

 

 

Como surgiu o convite e porque decidiu candidatar-se ao cargo de presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande?

O convite surgiu de forma natural, até porque o BE renovou a sua equipa da Ribeira Grande, trazendo novas caras e maior dinâmica, para responder às necessidades do concelho. Decidi candidatar-me pois a Ribeira Grande necessita de uma mudança, com políticas locais que promovam o combate à pobreza, à precariedade e às desigualdades sociais. São, também, necessárias políticas ambientais urgentes, para garantir a preservação dos nossos recursos e terminar com os atentados ambientais que assistimos.

 

Quais são as principais motivações da sua candidatura?

A minha principal motivação é querer mudar a vida das pessoas, permitindo que possam viver com estabilidade, segurança, num concelho inclusivo e limpo. Queremos retirar as pessoas da sua situação de pobreza, contribuindo para a sua avalancagem profissional e pessoal. Isto significa que é preciso equilibrar a distribuição de rendimento, promover maior formação às pessoas, acompanhada pelo aumento proporcional no seu rendimento, e promover programas de educação financeira, que servirão para mudar o paradigma atual. Pessoas que detêm maior conhecimento poderão fazer escolhas diferentes, que permitirão melhorar a sua condição de vida. É fundamental implementar a Estratégia Local de Habitação, que já podia ter sido implementada segundo informação referida em Assembleia Municipal. Fruto desta inação, temos 502 agregados com necessidades de habitação, de cariz imediato, e existem 2200 com necessidade de habitação. 65% dos casos de necessidade imediata devem-se à insalubridade e 15% referem-se à sobrelotação das moradias. Não podemos manter a insegurança relacionada com o aumento de delitos no concelho, por isso queremos implementar o plano de prevenção e combate à toxicodependência, que permitirá acompanhar a evolução das intervenções, avaliar se são eficazes e melhorar o que tem de ser melhorado. Queremos um concelho inclusivo onde ninguém fica para trás e por isso queremos implementar o Plano Municipal para a Igualdade.

 

Como avalia o trabalho que o atual executivo tem realizado ao longo dos últimos oito anos?

As nossas prioridades são muito distintas das do atual executivo. Investimentos como é o caso da estátua do surfista, podiam ter sido canalizados para a resolução da situação das descargas de águas residuais para a praia do Monte Verde. Para os surfistas, a qualidade do mar está acima de qualquer letreiro ou estátua! Os investimentos servem para melhorar a condição económica e social das pessoas, no entanto a aposta de 100 milhões de euros no turismo não tem reduzido a pobreza no concelho, o que significa que o valor gerado continua a não ser bem distribuído. Ao longo de vários meses denunciamos deposições de lixo em várias zonas de Rabo de Peixe e conseguimos que a autarquia iniciasse a limpeza, no entanto ignorou as nossas solicitações para a colocação de contentores e para a sensibilização à população. Temos ainda a situação das descargas de resíduos industriais da Cofaco, várias vezes denunciadas pelo BE, cujas análises, de tempos a tempos, mostram níveis fora dos aceitáveis, potenciando perda de biodiversidade e constituindo um problema de saúde pública. É contraditório assinar protocolos para a promoção da atratividade turística em Rabo de Peixe e não atuar nestes casos de atentado ambiental. Temos, também, as denúncias dos moradores de Santa Bárbara, que vivem com os maus cheiros provenientes da Insulac. Em resultado da mobilização dos moradores e da nossa denúncia à Inspeção Regional do Ambiente, conseguimos que a empresa implementasse as medidas necessárias e temos a garantia de que a entidade inspectiva continuará a acompanhar a situação junto desta unidade industrial. A Câmara Municipal nunca teve um papel de exigência com quem polui, sendo conivente com estas situações. Isto prova que há muito ainda a fazer e que o BE tem trabalhado para resolver os problemas e continuará a fazê-lo para garantir um futuro melhor.

 

Como vê a evolução do concelho da Ribeira Grande nestes últimos anos? O que teria feito de diferente?

Para além do que já referi, não posso deixar de salientar que a autarquia não tem sido exemplar no combate à precariedade. Não podemos aceitar que se continue a realizar contratos precários na autarquia. Defendemos a integração dos precários, mas não basta integrar uns e levar outros a iniciarem-se em situação precária. Não aceitaremos isto do “faz o que digo mas não faças o que eu faço”.

 

Se for eleita, o que anseia concretizar durante o seu primeiro mandato, em prol do desenvolvimento da população e do concelho?

É preciso aumentar o investimento na habitação social, reabilitando as infraestruturas existentes; investir na reabilitação urbana das casas devolutas e degradadas; criar uma bolsa de arrendamento a preços acessíveis, para regular os preços do mercado; e suprir a escassez de habitação para arrendamento. Assim, é possível, também, promover o arrendamento a longo prazo, com opção de compra, o que permite fixar os jovens no concelho. E não nos podemos esquecer dos idosos e pessoas com incapacidade, que necessitam de adaptações arquitetónicas nas habitações, para garantir que vivam num ambiente acolhedor, com dignidade. Queremos ligar as freguesias e a melhor abordagem passa pela introdução de linhas municipais, com veículos de transporte coletivos ajustados às necessidades e 100% elétricos. Queremos pontos de carregamento para veículos elétricos e a isenção do pagamento de parquímetro para estes veículos.

 

Em caso de vitória, pode mencionar alguns projetos que serão implementados nas áreas da educação, saúde, desporto, cultura, ação social e ambiente?

Podia selecionar várias propostas, mas vou focar-me em alguns aspetos mais urgentes que ainda não abordei, nomeadamente em relação à recuperação de conteúdos educativos por parte de crianças com necessidades educativas especiais. É fundamental reivindicar e criar as condições para uma recuperação mais célere nestes casos, uma vez que estas crianças foram muito prejudicadas pela ausência do ensino presencial. A autarquia pode, também, ter um papel complementar, garantindo apoio educativo adicional às crianças mais afetadas pelo encerramento das escolas. Na saúde, é urgente reivindicar a reabilitação do Centro de Saúde da Ribeira Grande, assim como dotá-lo de equipamentos e recursos humanos para dar resposta às necessidades de saúde. É, também, urgente a implementação do plano de intervenção para o combate à mortalidade infantil no concelho, cujo valor é muito superior à média nacional. A cultura é o que nos torna únicos e singulares, por isso a autarquia deve promover todos os esforços para abrir as instituições culturais do concelho à população e deve, também, garantir diversidade e descentralização das iniciativas culturais e desportivas. Não queremos a construção da incineradora de São Miguel, pois irá impedir o cumprimento das metas de reciclagem e boicotar a transição para uma economia circular, que queremos ver implementada no concelho, através de um plano local. Se a justificação é o aumento dos resíduos, isto demonstra que não há vontade política em fazer mais pelo nosso planeta. Não basta falar em sustentabilidade, economia circular e centrais de tratamento mecânico e biológico e não passar à ação.

 

Que equipamentos ou infraestruturas acredita que enriqueceriam e proporcionariam melhor qualidade de vida na Ribeira Grande?

Existem aspetos que são prioritários na garantia de melhor qualidade de vida, nomeadamente a resolução dos problemas ao nível do saneamento básico no concelho. O encaminhamento das águas residuais para a ETAR de Rabo de Peixe tem de avançar o mais rapidamente possivel, para evitar situações como as que tivemos recentemente nas praias do Monte Verde e de Santa Bárbara, contaminadas com E.Coli, uma bactéria que constitui um grave problema de saúde pública. Por outro lado, não podemos esquecer que existem problemas na orla costeira, que necessitam de imediata requalificação e estabilização.

 

Relativamente ao projeto autárquico que lidera para este concelho, pode falar-nos sobre a equipa que a está a acompanhar ao longo deste desafio?

Apresentamos uma equipa motivada, com uma nova dinâmica e que já demonstrou que está aqui para fazer a diferença. Acredito em todos e todas que me acompanham neste projeto e que têm dado 100% de si, para ver o seu concelho melhor, mais justo, mais inclusivo e mais verde.

 

Que mensagem gostaria de deixar à população?

Votar no BE é querer ver a mudança que tanto se deseja no concelho, é garantir que a vossa voz seja ouvida e seja implementado aquilo a que nos propomos. O nosso compromisso é com cada um de vós, estamos aqui para garantir um futuro melhor.

 

 

Lista candidata pelo Bloco de Esquerda (BE)

  • Jessica Costa Pacheco
  • Ruben André França Couto
  • Susana Filipa Amaral Vieira
  • Heitor Manuel Faria Amaral
  • Patrícia de Fátima Mota Benevides Raposo
  • Jorge Manuel Machado da Silva
  • João Pedro Raposo Bernardo
  • Débora de Fátima Aguiar Amaral
  • Marco António Vieira Rego
  • Rosária Salvador do Rego

 

 

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