A Cooperativa de Ensino e Desenvolvimento da Ribeira Grande, C.R. L. – A Ponte Norte RG dinamiza, nos últimos anos, a Rede Municipal de CATL, que consiste num conjunto de instituições que presta apoio à oferta do ISSA no que diz respeito a salas disponíveis para crianças, fora do horário escolar. A nova direção da cooperativa fez questão de ir conhecer as associações parceiras, os seus espaços e alunos. João Dâmaso Moniz, diretor da cooperativa, em entrevista exclusiva ao Jornal AUDIÊNCIA, mostrou-se feliz com o que viu e pretende que, a partir de agora, haja uma relação mais estreita entre toda a rede, tendo sugerido um convívio anual com todos os alunos, professores e colaboradores.

 

 

No âmbito do projeto de colaboração entre o município da Ribeira Grande e diversas instituições de cariz social, que compõe a Rede Municipal dos CATL, aconteceram diversas visitas às salas que compõem essa rede, por parte do diretor-geral da Cooperativa A Ponte Norte, João Dâmaso Moniz, e pelo coordenador municipal da Rede dos CATL, Paulo Bulhões.

Este projeto de colaboração, que existe desde 2015, e que é renovado anualmente, viu a sua mais recente atualização a ser assinada no dia 8 de abril. A Cooperativa de Ensino e Desenvolvimento da Ribeira Grande, C.R. L. – A Ponte Norte RG é quem dinamiza esta rede nos últimos anos. João Dâmaso Moniz, diretor da instituição, explicou ao Jornal AUDIÊNCIA que, à data da criação do projeto, o executivo da Câmara identificou a necessidade de haver mais salas de CATL disponíveis no concelho. “O ISSA, o Instituto de Segurança Social dos Açores, tinha e tem um conjunto de salas, mas a oferta e a cobertura dessas não era suficiente atendendo à procura por parte dos pais para a colocação dos seus filhos nessas salas”, esclareceu.

Uma vez que a Cooperativa A Ponte Norte tem, desde novembro de 2021, uma nova direção, esta “achou por bem fazer uma visita a todas as salas de CATL existentes e que são protocoladas ao abrigo da Rede Municipal, tendo em vista conhecer, não só as condições onde laboram os colaboradores e onde as crianças estão, mas, também, as suas necessidades, com o intuito de, eventualmente, delinear uma estratégia para colmatar algumas falhas que possam estar a existir em alguns desses locais”, contou João Dâmaso Moniz, afirmando que pretendiam que houvesse um contacto de proximidade.

As instituições visitadas, que fazem parte desta rede de parceiros, foram: a Santa Casa da Ribeira Grande, a Santa Casa da MDES da Maia, a Casa do Povo da Ribeira Grande, a Casa do Povo da Ribeirinha, a Casa do Povo do Pico da Pedra e o Centro Social e Paroquial de Santa Bárbara. “A minha avaliação das diversas visitas que foram feitas é bastante positiva, quer em termos de participação, ou seja, as turmas têm bastantes alunos, eles são empenhados”, e é de salientar que esta rede tem uma abrangência concelhia, ou seja, temos alunos de locais longe da cidade da Ribeira Grande”, disse o diretor-geral da Cooperativa A Ponte Norte, que continuou afirmando que outro ponto positivo “tem a ver com as condições das salas e as dinâmicas que se criam em torno dessas. Tinha a ideia errada de que algumas dessas salas não estavam devidamente apetrechadas, com equipamentos, com brinquedos, que pudessem ocupar os tempos livros das crianças, mas, pelo contrário, todas essas salas estão devidamente apetrechadas, estão em condições, em termos de infraestrutura, não carecem de pintura, os edifícios estão bem conservados”, concluiu, apesar de deixar a ressalva que há sempre um ou dois pontos a melhorar, mas nada que coloque em causa “a integridade do projeto e os resultados da própria rede”.

Mas, a principal vantagem destas visitas foi o estreitar de laços dentro da própria rede. João Dâmaso Moniz lembrou que “não havia e não há o contacto do melhor que se faz de uma instituição para a outra”, salientando que “o contacto que fizemos também foi neste sentido, de aproximar, inclusivamente, deixei um repto ao coordenador para que, anualmente, haja um convívio que junte todas as crianças das diversas instituições e das diversas salas em torno de um projeto único, com um tema, e que possa ser dinamizado ao longo do ano. A mesma coisa em relação aos colaboradores, haver aqui uma reunião, um convívio anual, onde eles possam falar das suas vivências, daquilo que corre bem e menos bem”. O diretor disse, ainda, que os projetos que correm bem numas instituições podem e devem ser replicados noutras, com o intuito de melhorar o trabalho diário de toda a rede. “Algumas instituições têm parcerias muito interessantes com outras entidades, estou a lembrar-me aqui de uma que tem parceria com uma escola de badmington, em que esta vai às CATLS e ensina às crianças essa atividade desportiva, disponibiliza o material, ou seja, as redes, as próprias raquetes. Ou seja, isto é uma parceria muito interessante e que deve, na minha opinião, ser replicada nas outras instituições, e isso faz com que este contacto seja importante”, usou João Dâmaso Moniz como exemplo.

A Rede Municipal de CATL, teve, recentemente, uma mudança significativa no que diz respeito aos seus rendimentos e à precariedade dos seus funcionários. ““Este ano, pela primeira vez, e por iniciativa do senhor presidente da Câmara, aumentaram-se as comparticipações, aquilo que é transferido para as associações, de forma a que elas possam fazer contratos de trabalho com esses colaboradores e esses passem a ter outras condições de trabalho, que não tinham até então. Houve aqui uma preocupação do município de não alimentar essa precariedade e os recibos verdes”, contou o diretor da cooperativa, assumindo, esta, como a grande novidade do projeto para 2022.

No entanto, para o futuro, prevê-se a construção de novas iniciativas e desafios, nomeadamente, a inter-relação entre a rede de CATL e a Escola Profissional da Ribeira Grande. “Há um desafio para os próximos anos, porque nós também somos detentores de uma escola profissional. O desafio seria haver, nessa escola, mais formação para os monitores e professores que acompanham esses alunos, de forma a que, também, possamos lhes dar mais ferramentas para poderem fazer um melhor trabalho”, revelou João Dâmaso Moniz. O diretor-geral da Cooperativa A Ponte Norte ainda reforçou que essa formação e oferta de cada vez mais qualidade é essencial, uma vez que as CATL “não podem ser um depósito de crianças, nem queremos que seja um local onde vão, apenas, fazer os trabalhos de casa. Tem de ser um espaço de atividade de tempos livres, onde a criança chegue e se divirta, onde aprenda a ser criança, não o local onde fica depositada ou apenas a fazer os seus trabalhos de casa, algo que para a criança, como nós sabemos e temos de compreender, não é tão divertido como estar no convívio com as outras crianças”, concluiu.