As festividades em honra do Senhor da Pedra decorreram de 14 a 18 de junho e contaram, para além das tradicionais rusgas e da procissão, com a animação de vários grupos populares.

A romaria em honra do Senhor da Pedra foi organizada pela Junta de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, com o apoio da Confraria do Senhor da Pedra e da Câmara Municipal de Gaia e começou no passado dia 14 de junho com um festival de folclore, no qual participou o Rancho Folclórico do CPT do Areinho, de Oliveira do Douro, o Grupo Folclórico “As Padeirinhas de Moure”, de Amarante, e o Rancho Regional de Gulpilhares.

O concerto da Banda Diapasão e o espetáculo luminoso nas fontes realizaram-se no dia 15 de junho e contemplaram as atividades agendadas para o segundo dia de comemorações. No que concerne as tradicionais rusgas ao Senhor da Pedra, estas efetuaram-se no dia 16 de junho e contaram com a presença de doze grupos que entraram pelo corredor junto aos Pórticos da Alameda, cantaram e dançaram junto à Mesa de Honra, composta por membros da Junta e da Assembleia de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, da Câmara Municipal de Gaia e da Confraria do Senhor da Pedra, e seguiram em direção à Capela do Senhor da Pedra.

Os cravos e as camarinhas compareceram nesta tradição que é secular e que moveu o Centro de Cultura e Desporto de Fiães de Vila da Feira, o Rancho Folclórico de Canelas, o Grupo Folclórico Tradições do Baixo Douro de Santa Marinha, a Associação Recreativa Entre Parentes de Vilar do Paraíso, o Grupo de Danças e Cantares de Mafamude, a Rusga do Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, o Rancho Regional de Gulpilhares, o Grupo de Danças e Cantares de Sermonde, o Grupo de Danças e Cantares Etnográficos do Orfeão Universitário do Porto, que participou pela primeira vez nesta romaria, a Rusga da Vila da Madalena, a Rusga de Francelos e o Rancho Folclórico de Valadares até ao arraial do Senhor da Pedra, onde se reviveu, ao longo da manhã, um passado cheio de costumes.

O presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, fez questão de testemunhar esta romaria e aproveitou a ocasião para sublinhar que “estes momentos enchem-nos o coração, porque fazem-nos lembrar tempos de idas à festa, de idas às festas populares, das rodilhas na cabeça para segurar o lanche ou o almoço, das vestimentas que nos caracterizam, da nossa identidade e da nossa história e aquilo que hoje aqui presenciámos não é apenas um desfile, uma rusga, mas é, fundamentalmente, a nossa história marcada por aqueles que a representam de uma forma exemplar, através do folclore, que é talvez um mix de música, letra, poesia, indumentária, o mix mais historicamente relevante que nós temos”, afirmando que “estas são verdadeiramente as tradições de Gulpilhares, de Valadares, de Vila Nova de Gaia, mas são, fundamentalmente, as tradições do nosso país”.

No que respeita a presença, neste evento, de dois grupos externos ao concelho de Vila Nova de Gaia, o autarca revelou ao AUDIÊNCIA que “estes grupos que vêm cá, normalmente, vêm em intercâmbios, o que significa que, ou nós já lá estivemos ou vamos estar. Este intercâmbio é o intercâmbio entre culturas, entre pessoas que têm formas de se vestir e de cantar diferentes, por isso, também mostra a diversidade que, por um lado, temos no país mas, ao mesmo tempo, mostra a nossa história. Todos os anos, curiosamente, chama mais gente e vi mais gente jovem quer a dançar, quer a assistir”, enaltecendo que a Câmara vai “continuar a apoiar este tipo de eventos, que só resultam se tiverem o apoio do município, porque, evidentemente, a freguesia, por si só, não tem meios suficientes e, portanto, nós somos parceiros, somo-lo com convicção e com todo o gosto, porque não podemos esquecer, no meio destas modernidades, todas as nossas raízes”.

Sofia Ramos, secretária da Junta de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, referiu ao AUDIÊNCIA, em representação de Alcino Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Gulpilhares e Valadares, que “as rusgas ao Senhor da Pedra são uma tradição secular que a Junta de Freguesia faz questão de manter. Primeiro, é uma forma de mantermos vivas as tradições da época e, segundo, porque elas estão inseridas nas comemorações da festa do Senhor da Pedra. Como pudemos assistir ainda existem muitas rusgas que mantêm vivas estas tradições. O executivo da Junta tem essa intenção e as pessoas aderem também, portanto, vamos continuar a fazê-lo”, destacando que “as pessoas conhecem as rusgas do Senhor da Pedra não só a nível municipal como a nível nacional”.

Por sua vez, António Martins, vice-presidente da Confraria do Senhor da Pedra, asseverou ao AUDIÊNCIA que “isto foi o retomar de uma vida nova. Antigamente, as pessoas organizavam-se em rusgas pela rua fora e havia gente que, ao longo do caminho, se juntava ao grupo. A rusga nascia do pequenino e ia crescendo até chegar aqui. Depois, iam diretos à Capela. Traziam as suas merendas e passavam aqui várias horas no convívio. Agora, é o recordar do tempo antigo, mas um bocadinho mais moderno. É sempre bom retomar as tradições”.

Por fim, Elísio Pinto, vereador da Juventude da Câmara Municipal de Gaia, falou ao AUDIÊNCIA sobre a importância dos jovens para a preservação das tradições de Gaia, garantindo que “é fundamental. Obviamente que isto faz parte de uma identidade muito forte com uma raiz aqui nas rusgas ao Senhor da Pedra. A União das Freguesias de Gulpilhares e Valadares, em parceria, com a Confraria do Senhor da Pedra, continua a manter vivas estas tradições, estes costumes que fazem parte da nossa identidade e, particularmente, daqui desta freguesia. Hoje, vimos aqui um grande número de jovens a atuar e a integrar as diferentes rusgas dos diversos grupos de folclore. Jovens que, pela primeira vez, se associaram a este evento. Portanto, é um sinal que a juventude está viva e que quer integrar e manter vivas as tradições”.

No final das rusgas, teve lugar a missa solene, que decorreu ao meio-dia, contudo a festa continuou até de madrugada, com a atuação do grupo musical Impecáveis Band. A banda Fusiforme pisou o palco no dia 17 de junho e no dia 18 de junho a Banda Sinfónica de Argoncilhe entrou no recinto às 8 horas, seguindo-se a missa solene na Capela do Senhor da Pedra, às 11 horas. A procissão não aconteceu no dia 17, por questões meteorológicas, tendo sido adiada até ao dia 23 de junho.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com