Portugal encontra-se em situação de calamidade, devido à pandemia da covid-19. Após o impacto da primeira fase e da preparação para a segunda fase de desconfinamento na evolução do novo coronavírus em Vila Nova de Gaia e no país, Serafim Teixeira, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, falou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre os inúmeros projetos implementados com o intuito de minimizar o impacto da covid-19 na população e contou que “os vilarenses são muito conscienciosos e têm colaborado com a Junta de Freguesia e a Câmara, nas diversas ações que tivemos de acionar”.

 

 

 

Como está a Freguesia de Vilar de Andorinho a lidar com esta situação pandémica, que está relacionada com a proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo?

Estamos a lidar muito bem, porque a Câmara de Gaia, na Pessoa do Sr. presidente da Câmara, Dr. Eduardo Victor Rodrigues tem liderado este processo em parceria com as Juntas de Freguesia. Reforçamos respostas de apoio a grupos vulneráveis como idosos bem como a crianças e agregados familiares, de forma a minimizar o impacto da covid-19, com o nosso projeto de apoio social “Vilar com Carinho”. Implementamos novas regras de higienização nos estabelecimentos da Junta, nas ruas e noutros locais.

 

 

Que medidas tomou o executivo da Junta de Freguesia, logo desde o início, para travar a propagação do novo coronavírus?

Alteramos os serviços da Junta de Freguesia, começando por encerrar a Academia Sénior, bem como ajustamos os horários dos serviços da secretaria e dos CTT. O atendimento passou a ser efetuado por telefone ou internet, presencialmente apenas por marcação, sendo permitida a entrada de apenas um cidadão de cada vez. Encerramos o cemitério, agora já reaberto. Aos nossos colaboradores demos novos equipamentos de proteção individual como fatos, luvas, máscaras e viseiras. Também reforçamos os locais públicos com gel desinfetante e sabão.

 

 

Quais foram as maiores dificuldades que o executivo encontrou ao longo do combate à covid-19?

Gerir os serviços e apoios da Junta de Freguesia sem colocar em causa a segurança dos colaboradores e fregueses. Os funerais, por exemplo, com o sepultamento de concidadãos falecidos com a covid-19. Conciliar a ida dos vilarenses ao cemitério de uma forma correta e segura, sem colocar em risco estes ou outros que lá passem. Entrega de refeições a pessoas infetadas com a covid-19 ou outras doenças. O atendimento presencial sem colocar em perigo os nossos colaboradores.

 

Qual foi a reação da comunidade às medidas adotadas pela Junta de Freguesia?

Foram muito positivas! Aceitaram as mudanças de forma serena e, em parceria com a PSP, resolvemos algumas pequenas irregularidades. Os vilarenses são muito conscienciosos e têm colaborado com a Junta de Freguesia e a Câmara nas diversas ações que tivemos de acionar.

 

 

Que projetos foram adiados ou totalmente descartados devido à proliferação da covid-19?

A única alteração foi aquela que depende das exigências das autoridades do Estado e da Saúde. Vilar de Andorinho estava com uma dinâmica muito forte de atividades cultuais, religiosas, sociais, desportivas e recreativas. Aqui tivemos de encerrar todas as atividades, como festas, feira medieval, torneios e jogos, passando a redirecionar todos as nossas energias para as questões de segurança e apoio social.

 

Na sua opinião, que medidas continuarão a ser obrigatórias ou necessárias na freguesia, mesmo após a retirada do estado de calamidade nacional?

Nada vai ser como dantes. As nossas preocupações e formas de estar na vida vão alterar-se drasticamente. Esta doença mostrou-nos o quanto somos frágeis e de tantos erros que temos efetuado na humanidade e na sociedade. Creio que as nossas prioridades vão alterar-se significativamente.

 

Relativamente à preocupante situação em que os lares se encontram, o que poderia ser feito para colmatar essa deficiência de recursos humanos e de material?

O nosso Presidente da Câmara tem sido incansável na defesa das IPSS. Nunca ninguém apoiou tanto estas instituições. Uns defendem o privado. Outros o público. As IPSS são o intermédio entre estas duas realidades e estão numa situação crítica. Em Vilar de Andorinho temos duas grandes IPSS que são o Centro de Dia Salvador Caetano e Ana Caetano e o Centro Social e Paroquial de Vilar de Andorinho e que têm efetuado um bom trabalho na comunidade vilarense. A Junta de Freguesia e Câmara de Gaia tem apoiado muito estas instituições. A Junta de Freguesia tem as piores instalações do concelho de Gaia, mas ofereceu excelentes condições ao Centro de Dia Salvador Caetano e apoiou a Câmara na entrega de ótimas instalações na urbanização de Vila D’Este para o Centro Social em detrimento da Junta, que não tem nenhum espaço para trabalhar nesta.

 

 

A Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho reforçou, no âmbito do apoio aos idosos e aos mais frágeis, o projeto “Vilar com Carinho” com o intuito de proteger os cidadãos dos riscos da covid-19. Que outras medidas estão a ser implementadas tendo em vista a promoção da saúde e da qualidade de vida não só dos idosos, mas da população em geral?

A Junta de Freguesia reforçou o projeto “Vilar com Carinho” em funcionamento efetivo desde janeiro de 2019. Este programa dá um conjunto de respostas não tipificadas às pessoas idosas e dependentes. Neste momento, priorizamos a entrega de bens para subsistência e medicamentos em casa dos idosos e outros serviços que estes necessitem. Em parceria entre a Câmara Municipal de Gaia e a Santa Casa da Misericórdia do Porto temos o programa “Chave de Afetos – Serviço de Teleassistência”, uma solução integrada com componente tecnológica e humana, que monitoriza as pessoas idosas de forma contínua, contribuindo para uma diminuição do isolamento sénior. Promove a inclusão social e as relações afetivas, potenciando um sentimento de segurança subjetiva, essencial para a permanência no seu domicílio. A Junta de Freguesia está a dar apoio psicológico pontual, via telefone, aos residentes em Vilar de Andorinho que, por motivos relacionados com o impacto da covid-19 (ex: isolamento social) possam dele beneficiar, também está a realizar a entrega de correspondência e a entrega de material pedagógico aos alunos do Agrupamento de Escolas de Vila D’Este.

 

Que outras ações estão a ser efetuadas?

Continuamos com os serviços de Ação Social, com o reforço do apoio à população mais vulnerável, no pagamento pontual de serviços essenciais (água, luz e gás), bens alimentares e medicação. Continuamos a responder via e-mail e telefone a qualquer dúvida que possa surgir relacionada com o Gabinete de Inserção Profissional, como as questões de emprego e de formação. Paralelamente, temos o programa de entrega de refeições a cidadãos infetados com a covid-19 e, em parceria com a Câmara Municipal de Gaia, temos o programa de apoio alimentar a idosos e pessoas dependentes em situação de isolamento social e o programa de entrega de refeições às crianças dos jardins-de-infância e das escolas básicas da freguesia.

 

 

Que impacto terá esta pandemia, a nível financeiro, para a Freguesia de Vilar de Andorinho?

Graças à Câmara de Gaia e ao seu presidente, temos de agradecer o apoio prestado. Dependemos muito desta, dado que o que recebemos do Estado não chega para pagar os salários. Graças ao nosso trabalho e aos apoios disponíveis à população não temos dívidas. Temos de efetuar uma grande ginástica financeira para conseguirmos trabalhar e apoiar sem criar dívidas. A Câmara já nos disponibilizou 120 mil euros para a primeira fase da obra de remodelação da Junta de Freguesia, que vai permitir transferir os serviços administrativos para o rés-do-chão do edifício e evitar, desta forma, que os nossos cidadãos mais velhos tenham de subir escadas.

 

Como tem sido a relação e a interação entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Gaia, no âmbito do combate à covid-19?

Tem sido muito profícua. O enorme sentido humanista, aliado à excelente capacidade de liderança do presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia tem sido fundamental para a relação de trabalho com as Juntas de Freguesias, que se refletiu nas forças vivas e na população das mesmas. Nunca efetuamos tantas reuniões e atividades em conjunto. A nossa ação foi realçada através dos nossos princípios e relação de amizade e camaradagem refletindo-se, claramente, na vida dos nossos concidadãos. Quando vejo através da comunicação social alguns líderes no mundo fico muito orgulhoso por estar incluído num conjunto de líderes que mostraram, na prática, a sua excelência, mais concretamente na Câmara de Gaia, na Área Metropolitana do Porto e no Governo.

 

 

O Serafim Teixeira está no decorrer do segundo mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho. Como descreve este percurso?

Muito difícil e trabalhoso, mas, em contrapartida, muito gratificante, porque tenho estado a participar numa enorme revolução na Freguesia onde nasci.

 

Como presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, qual foi o momento mais importante para si?

Quando o Sr. presidente da Câmara concretizou a primeira promessa que me fez e pudemos inaugurar o novo Centro de Saúde: a nova Unidade de Saúde Familiar “Vilar Saúde” e Unidade de Saúde Complementar de Vilar de Andorinho. Politicamente, tenho de reconhecer que me sinto muito honrado e realizado enquanto homem nascido e criado nesta linda terra. Se perguntarem a alguém, há muitos anos ninguém acreditava que eu alguma vez fosse presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho. Muitos acreditavam que não ganhava as eleições, muito menos com maioria absoluta, por duas vezes e por último a maior vitória de todos os tempos. Por isso, tenho a maior oposição de todos, porque ainda hoje, não aceitam a minha vitória e tentam ganhar na secretaria aquilo que não me ganham nas urnas, queixando-se a todas as instituições por diversas vezes.

 

O novo Centro de Saúde de Vilar de Andorinho foi inaugurado no passado 1 de outubro de 2018, concretizando, assim, uma reivindicação com muitos anos. Qual é a importância da entrada em funcionamento deste equipamento?

É brilhante. É o concretizar de um sonho antigo, que os meus antecessores quiseram e não conseguiram. Em especial o Dr. Manuel Monteiro, que muito trabalhou, era ele o presidente e eu fui o tesoureiro durante três mandatos.

 

 

Quais são os projetos que vão desenvolver-se futuramente na Freguesia de Vilar de Andorinho?

A Junta de Freguesia realizou, juntamente com os colaboradores da Junta de Freguesia, as obras na Casa Mortuária e nas zonas envolventes, junto ao Largo da Freguesia. Futuramente, vamos efetuar a remodelação da sede da Junta de Freguesia, a requalificação da última fase da rua Heróis do Ultramar, a requalificação da urbanização de Vila D’Este e o arranque das obras de alargamento da linha de metro até Vila D’Este.

 

 

A Ação Social representa sempre uma fatia considerável do orçamento das Juntas de Freguesia. Neste seguimento, quais são as medidas implementadas tendo em vista a promoção da qualidade de vida da população?

As Juntas de Freguesia não têm competência para efetuar ação social e outras ações e isso só é possível porque a nossa Câmara e porque o Sr. presidente é sensível a estes problemas sociais e disponibiliza uma parte do orçamento da Câmara para vários apoios às Juntas de Freguesia, incluindo a ação social. Caso contrário, seria muito difícil conseguirmos ajudar tantas pessoas.

 

O seu mandato está a chegar ao fim. Quais são os seus objetivos para as próximas eleições autárquicas?

Neste momento, o mais importante é concluirmos este mandato e tentarmos resolver os diversos projetos em que a Câmara e o Governo estão a trabalhar. Depois logo se vê! Este novo coronavírus mostrou-nos que nós somos muito frágeis e que o futuro a Deus pertence. Espero que continue a estar junto das pessoas que mais amo e à minha família. Se puder continuar a trabalhar em prol da minha família Vilarense, logo se verá.

 

 

Que mensagem gostaria de transmitir à população de Vilar de Andorinho?

É para mim um enorme orgulho ser presidente da nossa Junta de Freguesia. Apesar de muitos dos nossos concidadãos serem oriundos doutras freguesias e até doutros países, doutras raças ou credos, tenho de reconhecer que a integração e relação entre todos tem sido fantástica. Apesar desta nossa nova realidade ser tão exigente reconheço que fomos exemplares e agradeço toda a colaboração prestada por todas as instituições e concidadãos. Vamos todos ficar bem. Obrigado.

 

Tem alguma coisa a acrescentar?

Agradeço ao AUDIÊNCIA pela colaboração prestada, em especial, ao Sr. António Domingues e à minha amiga Ana Santos, que têm estado a apoiar de uma forma voluntária a nossa comunidade. Parabéns. Muito obrigado.

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