“Tenho uma história digna de ser um exemplo para os jovens”

Joaquim Leite tem uma história recheada de sucessos. Nascido numa família humilde, conquistou Portugal com o seu talento. Foi ciclista e campeão nacional, presidente da Junat de Freguesia de Santa Marinha e é, ainda hoje, empresário no ramo das bicicletas. Uma vida de amor pelas duas rodas, ingrediente principal para que a Ciclocoimbrões e a Bicimotor sejam duas empresas de sucesso a nível nacional.

 

 

Fale-nos um pouco sobre si.

Tenho uma história digna de ser um exemplo para os jovens. Nasci na freguesia de São Clemente, Celorico de Basto, a 18/03/45, numa família remediada. Conclui os estudos obrigatórios, tentei ir mais além, mas não havia possibilidades. Fiquei sem pai aos setes anos e aí começaram as dificuldades. A minha mãe fazia os campos de onde saía algum sustento. Aos 11 anos saí da aldeia e fui para Fafe, para a casa onde a minha irmã trabalhava, aos 12 anos vim para o Porto e o meu primeiro emprego foi no Mercado do Bom Sucesso, numa salsicharia. Depois foi um corrupio, tinha muitos pretendentes para trabalhar, e por 20 escudos trocava de patrão. Passei por todos os restaurantes e adegas do Porto. Depois vi que as adegas não eram futuro e fui para a Fábrica de Bicicletas de Oliveira do Douro. Já era um bom corredor de bicicleta e estava no Académico do Porto. Seguiu-se o Salvador Caetano. Quando fui para o F.C. Porto, passei a profissional e deixei de trabalhar.

 

Conte-nos um pouco do seu percurso no ciclismo e de como era ser atleta naquela altura.

Ser corredor nas décadas de 60/70 era muito difícil, havia muita oferta e tínhamos de ter boas condições físicas para praticar um desporto tão violento, e representar grandes clubes, assim como ter uma boa bicicleta. Comprei a minha a prestações. Tive o privilégio de passar por bons clubes de formação como o Coimbrões, Estarreja, Aldoar, Académico, F.C. Porto e Benfica.

 

Foram muitas as conquistas e vitórias que alcançou. Fale-nos sobre elas.

As principais provas no estrangeiro foram: duas voltas a Espanha, cinco às Astúrias, uma ao Vale dos Mineiro, à Tarragona, ao Levante, a Salamanca, a Aragão, uma Volta à Suíça, um Prémio Nocal (Angola), dois Campeonatos do Mundo e um Paris-Roubaix. Além-fronteiras fui Rei da Montanha da Volta a Tarragona, vencedor das Metas Volantes da Volta ao Vale dos Mineiros, vencedor de duas Metas Volantes das Voltas a Espanha, 5º Classificado na Etapa Rainha da Volta à Suíça, 3º na geral do prémio da montanha da Volta a Espanha. Em Portugal, fui vencedor do 1º Prémio Jornal de Notícias, prémio Associação de Ciclismo do Porto, em 1970 fui vencedor do Porto-Lisboa, em 1972 cheguei ao Estádio das Antas com a Camisola Amarela. Tive diversos títulos de Campeão Nacional, Campeão de Velocidade na Pista das Antas, Campeão Regional de Rampa, vencedor da Clássica Coimbra-Lisboa, vencedor do Prémio do Sul, do Circuito da Reguenga, fui Rei da Montanha da Volta a Portugal e fui vencedor de etapas e Camisola Amarela, tanto ao serviço do F.C.Porto como do Benfica.

 

Continua ligado à modalidade. O que o levou à Ciclocoimbrões e como tem sido esta vida de empresário?

Olhei para o futuro e vi que o ciclismo não ia durar para sempre. Quando venci o Porto-Lisboa, em 1970, abri uma empresa de venda de bicicletas e motorizadas com um sócio, José Coimbra, e daí nasceu a Ciclocoimbrões, que hoje tem 50 anos e é uma das maiores empresas nacionais. Posteriormente sonhei ter uma empresa no Porto, o que nos levou a comprar a Bicimotor Lda. Também estive sempre ligado ao ciclismo, retribuí mais do que recebi, ajudei as equipas todas de profissionais, fornecendo-lhes bicicletas gratuitas para competirem com a nossa marca ETIEL. Fiz diversas voltas a Gaia, formei equipas com o nome da ETIEL e formei excelentes corredores. Fui presidente do Coimbrões, presidente da Associação de Ciclismo do Porto, e ainda sou presidente da Assembleia Geral.

 

O Joaquim Leite também foi autarca, chegando mesmo a estar à frente dos destinos de Santa Marinha. Quais as melhores recordações que guarda desse tempo?

Para fazer um teste à minha popularidade e capacidade de gestão, e fazendo a vontade a Luís Filipe Meneses, candidatei-me a presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha. Venci sempre com maiorias alargadas. Após 12 anos, abandonei devido à limitação de mandatos. Guardo várias recordações, nomeadamente a de ter desenvolvido esta junta ao mais alto nível, deixando tudo o que era necessário para bem do povo feito.

 

Quais os sonhos para o futuro?

Continuar enquanto puder, ajudar os filhos, para que a Ciclocoimbrões e a Bicimotor continuem a ser empresas de referência e para que o nosso nome, meu e da minha esposa, que tanto trabalhamos, seja sempre reconhecido.

 

Como se sente por ser distinguido com um Troféu AUDIÊNCIA?

É uma honra ser distinguido com o troféu do jornal AUDIÊNCIA, um jornal que admiro e que prestigia a comunicação social ao mais alto nível. Felicito o diretor Ferreira Leite, e todos os seus colaboradores, desejando as maiores felicidades ao jornal que dá voz a quem não tem.