“DESDE CEDO QUE TIVE A SENSAÇÃO DE QUE GOSTAVA MUITO DE ENSINAR”

Professor catedrático desde 2010, Luís Vieira de Andrade estudou nos Estados Unidos da América mas acabou por regressar à sua “casa”, os Açores, onde reside até hoje e leciona várias disciplinas do curso de licenciatura em Estudos Euro-Atlânticos e do mestrado em Relações Internacionais.

 

 

 

Para quem não conhece, quem é Luís Vieira de Andrade?

Sou um cidadão que nasceu em Ponta Delgada e que, neste momento, vive na Ribeira Grande e é docente universitário há quase 38 anos. Sou casado e tenho três filhos. Estudei no então Liceu Nacional de Ponta Delgada, hoje Antero de Quental, no Bristol Community College; na Universidade de Massachusetts- Amherst, (Ciência Política) ambos no estado de Massachusetts; no Bryant College Graduate School em Smithfield, Rhode Island (preparatórios do MBA (Master of Business Admnistration). Em Portugal, ingressei na Universidade dos Açores em 1984, onde, em 1988, prestei Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica (equivalente ao Mestrado) e o Doutoramento em 1993. Em 2003, fiz provas de agregação e desde 2010, sou Professor Catedrático da Universidade dos Açores. Devo sublinhar que tive a honra e o privilégio de ter sido orientado ao longo da minha vida académica pelo Professor Doutor Adriano Moreira. Gostaria, ainda, de deixar uma palavra de grande apreço e admiração ao Professor Doutor José Enes, primeiro Reitor da Universidade dos Açores, com quem também tive o grande privilégio de conviver durante vários anos.

 

Como descobriu a sua vocação para o ensino? 

Desde muito cedo que tive a sensação de que, em primeiro lugar, gostava muito de ensinar e que, modéstia à parte, tinha algum jeito para transmitir os conhecimentos que tinha (que eram e continuam a ser poucos, na medida em que o “mundo da Ciência Política e das Relações Internacionais é extremamente vasto e complexo”).

 

Quais as cadeiras que leciona?

Sou responsável por várias disciplinas do curso de licenciatura em Estudos Euro-Atlânticos e do mestrado em Relações Internacionais – o Espaço Euro-Atlântico, tais como Ciência Política; Política Externa e Euro-Atlântica; Diplomacia e Negociação Internacional; Geopolítica e Geoestratégia; Temas de Política Externa Norte-Americana; o Seminário do Mestrado em Relações Internacionais.

 

 

Durante o seu percurso, quais foram os momentos que mais o marcaram?

Em termos profissionais, o facto de ter alcançado o topo da carreira académica constitui, sem dúvida, um momento de grande satisfação. Muito embora, como referi ao longo desta entrevista, nem tudo se tenha passado da melhor forma, em termos globais, não tenho nada de verdadeiramente negativo a referir. Como sabemos, nada é perfeito nesta vida. Consequentemente, temos de estar agradecidos sobretudo no que se refere à saúde e aceitarmos a vida tal como ela é.

 

Como é lecionar nas ilhas? Em que difere do continente, se é que há grandes diferenças?

Não vejo grandes diferenças entre o ensino no continente e nas ilhas. Eu tenho vindo a lecionar, pontualmente, em várias universidades portuguesas, norte-americanas, sul-americanas, canadianas, europeias e africanas e não detetei, por parte dos alunos, diferenças muito significativas.

 

Quais considera serem os principais problemas do ensino académico de hoje em dia?

A minha perceção tem a ver sobretudo com a falta de tempo disponível para a realização da investigação e a consequente publicação quer de livros quer de artigos. A lecionação, que é, sem dúvida, da maior importância em qualquer estabelecimento de ensino, requer, de igual modo, ser complementada pela investigação por forma a haver desenvolvimento do conhecimento científico em qualquer área. Por outro lado, houve, claramente, ao longo dos últimos anos, um aumento significativo da carga burocrática o que, como é evidente, também tem implicações no desempenho dos docentes em geral.

 

Como se sente ao receber este prémio pelo Jornal AUDIÊNCIA?

Sinto-me muito satisfeito e lisonjeado com esta distinção, como é evidente. Por outro lado, fico muito agradecido ao Jornal AUDIÈNCIA e ao seu Diretor, por se ter lembrado de mim.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores?

A minha mensagem aos leitores é que quanto mais lerem, melhor. E o Jornal Audiência tem vindo a prestar um contributo inestimável, não apenas ao Concelho da Ribeira Grande, mas, também, à ilha de São Miguel e aos Açores.